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— Como assim você beijou o Tom Riddle e não me contou? — Senhorita Crockeet perguntou animada.
— Não foi nada demais Winky.
— Como não? Você acha que ele sai beijando qualquer garota pelos corredores?
— Não seja boba.
— Isso é ótimo, Davina! — A morena deu risada da amiga e retornou para o quarto.
— Sabe onde eu posso comprar um vestido?
— Em Hogsmeade! Por quê?
— Tom me convidou para ir ao baile com ele. — Antes que ela terminasse sua frase, a amiga comemorou com um grito agudo que a fez dar risada.
— Por Merlin! Senhor e senhora Riddle, perfeito! Agora só falta o Abraxas me convidar e podemos ir juntos.
— Você é maluca Winky.
No dia seguinte, Davina já havia feito todas as aulas e no final da tarde estava na sala de runas antigas com Edward Fitzgerald, estavam há duas horas escutando runas e escolhendo os desenhos que colocariam em seu espelho.
— O que você acha dessa? — perguntou Edward.
— Ah?
— Você está nesse planeta? — O corvino brincou.
— Desculpa, eu só estava distraída.
— Está assim o dia todo, aconteceu algo?
— Eu preciso de um vestido novo para ir ao baile, mas só podemos sair aos finais de semana.
— Eu posso te ajudar.
— Você tem um vestido no seu armário? — Edward deu risada com a sua pergunta e negou com a cabeça.
— Eu sei de um lugar.
Os jovens amigos estavam em um corredor escuro, cheio de ** e teias de aranha. Edward havia a convencido de que conseguia ir até Hogsmeade sem precisar pedir permissão, a garota já estava sem paciência e não parava de reclamar.
— Você tem certeza disso? Nós vamos acabar morrendo aqui embaixo e a única pessoa que eu vou ter para conversar vai ser você — reclamou apontando sua varinha para a frente.
— Claro que eu tenho.
— Eu vou morrer nesse buraco e só vamos ficar aqui por toda a eternidade.
— Já pensou em estudar teatro?
— O que? Não.
— Deveria, você é bem dramática — disse Edward dando risada.
— Seu palhaço.
— Fica calma Wezen, eu já fiz isso antes. Segura a minha varinha e ilumine aqui perto.
O jovem bruxo subiu alguns degraus da escada onde havia uma porta no teto, parecia um porão. Davina não sabia aonde chegariam, mas também não se arriscaria para voltar todo aquele caminho sozinha. Fitz fez força com seus braços e empurrou a porta para fora, o que fez a pouca iluminação que ainda havia no céu invadir todo o corredor.
— Onde nós estamos? — perguntou Davina limpando seu uniforme que estava com muita poeira.
— Estamos atrás das lojas de Hogsmeade Davina.
— Eu posso saber como encontrou esse lugar?
— É melhor você não saber — alertou a amiga. — Está pronta para escolher o vestido?
— Acho que sim — respondeu sorrindo.
Hogsmeade estava quase vazia, sequer parecia o mesmo lugar que ficava cheio de alunos durante o final de semana. Mas agora somente os jovens estavam vestidos com seus uniformes de Hogwarts pelo vilarejo, logo chegaram uma loja onde haviam diversos vestidos e um letreiro dourado informava o seu nome “TrapoBelo".
— Boa tarde! Sejam bem-vindos ao TrapoBelo como posso ajudar? — perguntou uma senhora simpática que tinha os cabelos presos em um belo coque.
— Boa tarde. — Edward sorriu — Eu sou o Edward e essa é minha amiga Davina. Ela precisa de um vestido de baile, pode nos ajudar?
— Mas é claro, me acompanhem por gentileza.
A senhora caminhou para dentro da loja e os levou para um local onde haviam diversos vestidos de baile. Haviam tantas opções de modelos e cores que Davina estava ficando cada vez mais confusa.
— O que acha desse azul? — perguntou o bruxo. — Você pode me homenagear com ele.
— Eu não vou usar azul Fitz.
— Vou deixá-los aqui e se precisarem de algo vocês podem me chamar, tudo bem?
— Sim, muito obrigado. — Davina agradeceu sorridente.
— E esse laranja? — A garota encarou o amigo que colocou o vestido na frente de seu corpo e deu risada.
— Que cor você acha que combina comigo?
— Ai depende.
— Do que? — perguntou curiosa.
— Do seu acompanhante. Por exemplo, se o seu acompanhante for o Neil eu diria para ir com algo amarelo ou uma cor com mais vida, se for o Abraxas eu diria para não ir — completou fazendo a morena gargalhar.
— E se fosse alguém como o Tom Riddle? — Edward a encarou espantado.
— Tom Riddle te convidou para ir ao baile com ele?
— Sim, por que a surpresa?
— Não é como se fosse ao baile todos os anos. Na verdade, eu acho que ele nunca foi aos bailes.
— Ele disse que vai ajudar a comissão esse ano e não queria ficar sozinho.
— E você acreditou? — perguntou rindo fraco.
— Ele não mentiria para mim.
— Eu acho que ele só não sabia como te convidar Wezen.
Davina ficou em silêncio escolhendo o seu vestido para o baile, ela havia ficado o restante do dia com aquela conversa em sua mente. Enquanto isso, Tom Riddle havia passado quase toda tarde dando bronca na senhorita Avery por ter o deixado esperando na biblioteca.
Após adiantarem bastantes o trabalho, cada um seguiu o seu caminho. Tom seguiu para o salão principal, já era hora do jantar quando pararam de estudar as runas. Ele estava tão cansado que não se deu ao trabalho de conversar com nenhum dos outros alunos, apenas comeu e saiu do salão para poder descansar antes da monitória.
O rapaz caminhava distraído pelo longo corredor, sequer olhava para os lados. Mas sua atenção logo foi chamada por alguém que esbarrou em duas costas.
— Me desculpa. — A voz disse cansada.
— Presta atenção por onde... — Riddle sequer terminou sua frase, ao virar ele viu Davina que parecia abatida com um pequeno vidro em suas mãos — Davina.
— É você. — Sorriu para o jovem — Me desculpa esbarrar em você, eu não estava prestando atenção.
— Não se preocupe com isso, você está bem?
— Estou bem sim, só estou com um pouco de cólica.
— Ah, está naqueles dias.
— Não, algumas vezes dói antes.
— Você quer que eu te acompanhe até a enfermaria?
— Eu estou vindo de lá, a senhora Gusman me mandou tomar essa poção — respondeu lhe mostrando o frasco que tinha um líquido rosa dentro.
— Quer que eu fique com você no salão comunal até o efeito começar? — O rapaz perguntou preocupado.
— Eu quero ficar sozinha em um lugar quieto, acha que o Dippet reclamaria se eu colocar minha cama na biblioteca? — Riddle a encarou e deu risada.
— Olha, eu não sei se você vai querer, mas se quiser pode ficar no meu quarto na comunal dos monitores. Até se sentir melhor.
— Mesmo?
— Sim.
— Eu aceito.
Os jovens seguiram todo o percurso em silêncio, Davina estava sentindo pontadas terríveis em seu abdômen e toda hora Tom perguntava se a garota estava bem. Após alguns minutos de caminhada o casal chegou até a comunal dos monitores, Davina sequer pediu autorização, subiu direto para o quarto do bruxo e esperou Tom dizer sua senha e abrir a porta.
— Eu vou estudar tudo bem? — perguntou o rapaz.
— O quarto é seu Riddle, eu posso deitar na sua cama?
— Pode, mas tire os seus sapatos — respondeu sentando em sua escrivaninha.
— Tá bom seu chato. — Davina sentou na cama do rapaz e retirou seus sapatos — Acha que essa poção vai me fazer dormir?
— Você nunca tomou?
— Não. — Suspirou tomando a poção — Se eu morrer eu volto para puxar os seus pés.
— Então você vai pensar em mim depois que morrer? — Sorriu a olhando.
— Não seja bobo, você vai perder a melhor amiga que já teve — exclamou se deitando.
— Eu tenho outros amigos.
— Mas eles não são legais — retrucou. — Posso te fazer uma pergunta?
— Pode.
— Por que você mentiu? — Tom ficou paralisado com aquela pergunta, ele não sabia sobre o que ela estava falando.
— Do que está falando?
— Você vai mesmo ajudar no baile? Minhas fontes disseram que você nunca foi no baile.
— Eu não gosto de bailes, quais são as suas fontes?
— Segredo. — Sorriu cínica — Mas por que me convidou?
— Eu gosto da sua companhia — respondeu tentando esconder suas bochechas vermelhas.
— Tom?
— O que?
— Deita aqui comigo?
— Como? — perguntou surpreso.
— Eu estou ficando com sono e se você ficar conversando comigo eu não vou dormir. — O rapaz a encarou e respirou fundo.
— Vai mais pra lá. — Pediu sentando ao seu lado — Ainda está com dor?
— Acho que a senhora Gusman está tentando me m***r — reclamou fazendo o rapaz dar risada.
— Vem aqui — disse Tom a puxando para seus braços e a abraçando. — Eu não vou deixar você morrer, não quero ninguém puxando os meus pés.
— Você está cheiroso. — Tom sorriu e beijou sua testa.
— Descansa Davina.
Tom respirou fundo sentindo o cheiro da garota invadir o seu pulmão, ele não sabia o que estava sentindo, mas odiava ver a garota com dor. Mas saber que ela o queria mesmo estando com dor o deixava feliz, Riddle queria ser o seu porto seguro. Não demorou muito para que a única coisa a ser ouvida no quarto fosse a respiração pesada dos jovens que dormiam abraçados.