capítulo sete

1944 Palavras
O beijo não demorou muito tempo, ao menos não para quem estava os olhando, mas para os dois parecia que haviam se passado horas, a intensidade que sentiram foi recíproca. — Ah, me... me desculpe, Tom. — A garota sentou com as bochechas completamente coradas. — Ei! — Riddle também se levantou — Por que está se desculpando? — Eu não deveria ter feito isso, nos conhecemos há pouco tempo e somos amigos. — Por que me beijou? — A morena engoliu seco. — Como? — É uma pergunta simples, senhorita Wezen. — Fiquei com vontade, seus lábios parecem ser doces. — Não quero que se desculpe por ter feito o que queria. — Vou acabar ficando m*l falada desse jeito. — E quem liga para o que eles pensam? — É fácil falar, não é uma garota. — Vamos combinar assim, eu te beijei, certo? — E por que o tão desejado Tom Riddle me beijaria? — Desejado? — O rapaz gargalhou. — Não sabe da sua fama? Essas garotas te querem. — Elas são bobas e não chamam a minha atenção, se quer saber. — E quem chama? — Poucas meninas. — Já gostou realmente de alguém? — Não, o amor não chama a minha atenção. — Ah, ele é frio meus amigos. — Davina zombou. — Boba, é só que... Quando você ama alguém as pessoas vão embora, não quero ser abandonado. — Não são todos que vão te abandonar, Tom. As pessoas aparecem na nossa vida para ensinar algo, mesmo que doa para aprendermos isso. Por exemplo, você me ensinou que sentar no chão gelado não é uma boa ideia. — O rapaz a encarou confuso, não entendia aonde ela queria chegar — Mas isso não vai me impedir de beber e sentar lá de novo esperando que você me salve. — Uma donzela em perigo, quem resiste? — Palhaço. — Riu fraco — Estou com fome — reclamou. — Tá afim de jantar antes do horário? — Como? — Vem, vou te mostrar alguns benefícios de ser monitor chefe. — Estendeu a mão para a garota a ajudando levantar. — Seu uniforme continua limpo. — Sorte a sua. Os dois entraram no castelo e caminharam por alguns corredores, não haviam muitos alunos a maioria ainda estava na biblioteca, e os outros esperando o jantar. — Vai ter que me prometer manter isso em segredo. — É tão errado assim? — Terei que te m***r se contar a alguém. — Ameaças? Sua cara. Eu prometo não contar. — O moreno suspirou e encarou um quadro com uma pintura antiga. — Fênix Incorporum. — Aos poucos o quadro revelou uma passagem escura com vários degraus. — É aqui que vai me m***r? — Chega a ser tentador, mas gosto da sua companhia. — Entrou na passagem e ajudou a colega. — Onde isso vai dar? — Na cozinha, não se preocupe. — Tom procurou sua varinha e encarou a amiga — Pode me devolver minha varinha? — Ah claro, está aqui em algum lugar. — Mexeu em sua capa procurando — Tom, eu acho que a esqueci no lago. — Está brincando? — Não. — Ah d***a, Davina. — A garota o encarou dando risada. — Você fica uma graça quando está bravo, sabia? — Devolveu sua varinha. — Não tem graça nenhuma, Lumus. — Porque você não vê a cara que faz. — Vamos logo, não faça eu me arrepender. — Os dois desceram vários lances de escada, pareciam estar descendo há uma eternidade — Seja bem-vinda, senhorita Wezen. O cheiro de carne cozida invadiu os túneis que os dois estavam, os elfos faziam doces e comidas para os alunos, sequer notaram a presença dos estudantes. — Olá, senhor Riddle. — Um elfo o cumprimentou. — Olá, Samir. — Quem é a sua amiga? — Essa é Davina Wezen, estou apresentando a escola para ela. — É uma honra poder conhecê-la. —O elfo a reverenciou. — O prazer é meu senhor. — Senhor? — A criatura a encarou, nunca ninguém havia o chamado por esse título — Querem comer algo? — Claro, estamos famintos. — Riddle sorriu. — Temos carne com batatas, macarrão, ovos de dragão, repolho. Podem se servir à vontade. — Obrigado. — Davina sorriu. Em poucos minutos os dois estavam jantando sozinhos em um canto da cozinha, as criaturas não davam a mínima se ainda não era o horário do jantar, estavam animados em poder servir o aluno mais brilhante da escola. — Isso é incrível. — A jovem sorriu — Como descobriu isso? — Passar as festas na escola pode ser bem interessante. — Quem te mostrou isso aqui? — O que? Não acredita nos meus dons de aventureiro? — Sorriu debochado. — Nenhum pouco. — Eu estava no quarto ano, foi a primeira vez que pude passar o natal na escola, e eu encontrei um livro que contava a história da escola, dos fundadores e alguns segredos sobre o castelo, conheço isso daqui mais do que o orfanato onde cresci. — Isso é demais, mas e a amizade dos elfos? — Eles são leais e gostam de servir, só precisei agradecer. — Você é maluco, sabia? Daqui a pouco vai me dizer que sabe onde fica a câmara secreta. — No segundo andar — respondeu sério. — Como? — Davina o encarou, não sabia se o garoto dizia a verdade. Afinal de contas, até o diretor Dippet não sabia onde ficava. — É realmente engraçado fazer isso. — Sorriu para a garota. — Palhaço. — O que? Eu posso me divertir também. — Não com esse assunto. — Por que? — Pessoas morreram, Tom. Não tem graça. — Por que se interessa tanto por esse assunto? — Crianças mortas por uma criatura, o que mais você quer? — Água. — Como? — Estou com sede. — Sorriu despejando a água em seu copo. — Deveria levar esse assunto mais a sério. — Já foi resolvido, Davina. Não se preocupe. — A morena suspirou e tomou seu suco. O jantar fora de hora havia sido agradável, mesmo com o assunto sobre a câmara secreta que os deixou um pouco desconfortáveis, a garota não acreditava que Hagrid de apenas treze anos havia cometido aquelas barbaridades. — Pode passar em um lugar comigo antes de irmos para a comunal da sonserina? — Depende, vou ter que descer outros cem degraus? — Não. — Tudo bem, então. A caminhada foi totalmente silenciosa, eles não precisavam conversar a cada minuto, só queriam a companhia um do outro. Os alunos já estavam indo para o jantar quando eles pararam em frente a outro quadro. — Lágrimas de dragão. — Onde estamos indo? — Preciso pegar minha capa. — Passou pelo quadro que revelou uma grande sala com o brasão da sonserina e da grifinória. — Posso saber onde estamos? — Salão comunal dos monitores chefes. Temos um quarto separado dos outros alunos, já que precisamos fazer algumas rondas até tarde. — Ah, e os meros mortais dormem juntos? — Basicamente. — Sorriu subindo alguns poucos degraus. — Com quem divide essa comunal? — perguntou o acompanhando. — Uma garota, acho que seu nome é Josephine, de verdade eu não me importo. — Entrou em seu quarto. — É bem diferente do que eu imaginava. — Davina deu alguns pequenos passos olhando em volta. Haviam prateleiras repletas de livros, lembrava até mesmo a biblioteca, a decoração era feita por pequenas luzes que brilhavam no canto do quarto, sua roupa de cama e cortinas eram verdes da cor de sua casa, não haviam fotos ou qualquer outra coisa que remetesse à outras pessoas. — O que esperava? Correntes e caldeirões? — Fogo também. — Debochou — São livros trouxas? — Apenas os três últimos — respondeu arrumando o seu uniforme enquanto vestia sua capa. — Gosta de Shakespeare? — Você conhece? — Meus pais liam sempre durante as viagens. Vamos ver Hamlet, Romeu e Julieta e Noite de Reis. Já leu algum? — Apenas Hamlet, a história de um herdeiro lunático não me deixou interessado. — Mas o tio dele assassinou o pai. — E o fantasma do pai dele que por coincidência só era ele quem via relatou isso. Impressionante, não? Para mim ele só queria uma desculpa para poder assassinar seu tio sem remorso. — Mas ele estava certo, não se lembra do teatro? — Eu me lembro, mas para mim é somente uma história trágica, se todos morreram quem sobrou para contar a história? — Os criados? — Nem pensar. — Por que não leu os outros dois? — Eles só estão aí porque ganhei de natal, aparentemente os trouxas acham que crianças querem ler peças antigas com palavras difíceis até para eles mesmo. — Noite dos Reis é um pouco engraçado e Romeu e Julieta tem um monte de problemas, mas a história é boa se ignorarmos que eles tinham treze anos e só se viram uma vez. — Trouxas. — Riddle sorriu — Não está com frio? — Um pouco, mas já vou para a minha comunal. — Vamos, eu te acompanho. — O pessoal vai me m***r por não ter ido jantar com eles hoje. — Isso te incomoda? — Um pouco, mas eles passaram o dia ocupados, não queria atrapalhar. — Mas atrapalhou meu projeto, está tentando me distrair, senhorita Wezen? — Tom abriu a porta para ela passar. — Talvez sim e você não percebeu. — Qual o seu plano maligno? — Se eu contar, vou ter que te m***r e eu gosto da sua companhia. — Boba. — Sorriu — Você vai ao baile? — Que baile? — Valentine's day. — Eu acho que vai estar cheio de casais se pegando, ninguém leva isso ao pé da letra, é para comemorar o dia do amor, não só entre os casais. — Quer ir comigo? — Como? — Sorriu encarando o rapaz. — Somos amigos e eu vou ter que ir, então pensei que poderia me acompanhar, se quiser. — Vou ter que fazer aquelas tradições bobas? — Talvez sim, faria esse sacrifício? — Claro, só preciso de um vestido. — Tem algo vermelho? — Mmm... não. — Vermelho vai lhe cair bem — afirmou, parando em frente à comunal da sonserina e entraram. — Muito específico. — Davina gargalhou. — Tudo vai estar vermelho por lá. — Certo Tom, mas vai ficar me devendo essa. — Eu já te levei para jantar. — Sorriu malicioso. — Aquilo não conta. — Sabe quantas regras quebrei apenas para jantar com você? — Não e não quero. — Suspirou — Vai ser legal. — Uhum. — O moreno deitou sua cabeça no sofá e fechou seus olhos. — Tom, você se importa se eu for me deitar? Não queria te deixar sozinho, mas estou com sono. — Não se preocupe, senhorita Wezen — disse simpático. Ele não queria que ela fosse deitar, mas haviam passado toda a tarde juntos se pudesse até mesmo ele teria ido. — Certo. — O encarou — Pode se despedir direito? — Boa noite? -- Vamos, já ensinei essa parte. — O rapaz a encarou confuso e Davina percebeu que ele não se lembrava — Quero um abraço, Riddle. — Você abraça muito, sabia? — Cada um com seus defeitos. — A morena sorriu e o abraçou forte, Tom não estava nenhum pouco acostumado com esse tratamento, no orfanato todos diziam “boa noite" e seguiam suas vidas. — Até depois, senhorita Wezen. — Tom sorriu procurando seus olhos enquanto a soltava de seus braços. — Boa noite, Riddle. — Davina beijou-lhe a bochecha e subiu para o seu dormitório. ...
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