Segunda-feira trinta e um de janeiro, as férias pareciam mais próximas para os otimistas, mas para Davina os dias pareciam se arrastar, mesmo adorando conhecer cada centímetro de Hogwarts, e mesmo sendo uma experiência incrível, ainda sim era uma escola.
O dia começou com uma aula de runas antigas, a professora Bathsheba não estava com uma expressão nada agradável, parecia ter pisado em fezes e que o cheiro de seus sapatos estavam a incomodando.
— Bom dia, classe.
— Bom dia, professora — responderam em coro.
— Não quero brincadeiras na minha aula, guardem suas varinhas! Alguém sabe me dizer o que é uma pedra obsidiana? — Riddle ergueu sua mão — Diga, senhor Riddle.
— Na realidade, as pedras obsidianas são larvas vulcânicas que esfriaram rapidamente, assim formam cristais também conhecidos como vidros. Um de seus apelidos é “fogo congelado” ou “vidro de dragão”.
— Obrigado senhor Riddle. A obsidiana tem significados importantes, mas um de seus usos mais comuns são para projetos de espelhos, cada um pode ter um único propósito, como por exemplo nos mostrar o nosso maior desejo, o futuro, ou até mesmo brincadeiras como por exemplo mudando nossa aparência.
— Onde as runas entram nesse processo? — perguntou uma garota.
— Bom senhorita Avery, o projeto que estou propondo à vocês valerá a média para o próximo ano letivo de vocês, começarão a colocar em prática tudo o que aprenderam nestes últimos anos. Como trabalhar com pedras é um trabalho muito delicado e demorado, nós vamos adiantar isso.
A senhora despejou algumas pedras sob alguns caldeirões olhando atentamente para eles.
— Senhorita Crockett, pode pendurar essa lista próximo à lousa, por favor?
— Claro, professora. — A ruiva se levantou e obedeceu às ordens da professora, acabou dando uma espiada nas duplas e quase deu um grito quando viu seu nome ao lado de Abraxas Malfoy.
— Alguns alunos estão misturados com os de outra casa, para poderem ter um convívio melhor entre si — Os corvinos bufaram, detestavam trabalhar com os sonserinos — Apenas um de cada levante e veja sua dupla.
O senhor Fitzgerald levantou e procurou seu nome, suspirou aliviado quando viu quem seria sua dupla.
— Davina Wezen. — Sorriu para a garota.
— Arian Avery — disse Tom Riddle desanimado, ao contrário da garota que parecia ter acabado de ganhar um prêmio.
O moreno passou o resto da aula com a cara fechada. – Nada que não fosse comum – Sabia que o trabalho sobraria para ele fazer sozinho, e sua chance de fazer o projeto com a senhorita Wezen havia sido tomada pelo corvino.
— Olha só que sorte a minha. — Edward sorriu para a morena.
— Vou adorar fazer esse projeto com você. — Retribuiu o sorriso.
— Quer me encontrar depois do almoço? Podemos começar a planejar.
— Claro! Na biblioteca?
— Sim.
— Combinado!
— Tom! — Avery aproximou-se sorridente para o rapaz que sequer olhou em sua cara — É incrível podermos fazer esse projeto juntos, não acha?
— Não.
— Ah, quer começar a fazer quando?
— Hoje de preferência, depois do almoço.
— Certo, eu te encontro na biblioteca. O que acha de fazermos algo que mude a aparência da pessoa?
— Depois discutimos isso. — Ele não deixaria ela estragar um projeto tão importante com ideias banais.
Os sonserinos almoçavam calmamente enquanto Winky comemorava que seu último projeto para runas antigas seria feito ao lado de seu amor platônico.
— Estou dizendo, é o destino, ele nos quer juntos!
— Foi só uma coincidência, Win. — Senhor Lament chamou sua atenção.
— Não me venha com esse pessimismo! Essa será minha chance para finalmente conquistar o Malfoy. — Sorriu empolgada.
— Só cuidado para não acabar fazendo o projeto inteiro sozinha. — Davina chamou sua atenção.
— Senhorita Wezen, como é ter o privilégio de poder fazer o projeto com o cérebro da corvinal? — perguntou o senhor Lament sorrindo.
— É uma honra, eu não faço ideia de como mexer com aquilo. — Gargalhou.
— Sorte a sua não ter que fazer com o Goyle! A diferença entre ele e uma porta é que a porta tem utilidade. — O rapaz bufou, desejava poder conseguir voltar no tempo e mudar aquela lista.
— Olá pessoal. — O corvino os cumprimentou e sentou ao lado dos colegas.
— Oi — responderam juntos.
— Estou quase terminando. — Davina apontou para seu prato.
— Não se preocupe, ainda preciso passar na minha comunal.
— Vai conseguir ir ao treino desta tarde? — Winky encarou o moreno com olhar de curiosidade.
— Vamos começar a trabalhar no projeto! Se conseguirmos terminar antes das três horas, eu passo por lá.
— Você precisa ir! Estamos praticando novas manobras — disse Neil empolgado.
— Eu passo por lá, Davina te encontro na biblioteca? — A garota assentiu e continuou seu almoço enquanto os amigos discutiam sobre as técnicas que usariam no próximo jogo.
O senhor Riddle estava impaciente com a demora de Arian Avery, ele já estava a esperando há quase meia hora, com certeza não deixaria isso de graça.
Folheou algumas páginas de seu livro e algumas runas chamaram sua atenção, após um tempo de leitura decidiu que seu projeto mostraria o futuro para quem o quisesse ver.
Davina estava entusiasmada com o projeto, afinal de contas nunca havia trabalhado com pedras tão preciosas quanto a obsidiana, e ainda teve a sorte de poder fazer o projeto com Edward.
— O que tem em mente? — O rapaz a encarou.
— Eu estava pensando que poderíamos fazer um espelho que mostrasse os nossos desejos, o que você acha?
— Vai ser bem difícil, tem certeza?
— Sim, vamos nos destacar.
— Ótimo. — O moreno abriu seu livro e procurou algumas runas para terem um norte em seu projeto.
— Como vamos fazer essas bolinhas virarem um espelho?
— Vamos derreter, já estou até vendo o tanto que isso vai demorar.
— Vai ser legal Edward.
— Adoro seu otimismo, senhorita Wezen.
Os dois procuraram runas durante quase uma hora, aquela procura pelas runas certas estava exaustiva para ambos.
— Podemos continuar isso depois?
— Claro, estou cansada de tantos livros já. — Edward riu, esses livros não eram nada perto do que ele costumava ler diariamente.
— Quer ajuda para guardar?
— Não precisa, pode ir ajudar o pessoal.
— Até depois então. — O rapaz caminhou em direção à saída calmamente.
Davina empilhou seus livros e caminhou para algumas estantes que estavam um pouco mais distantes. Soltou alguns livros perto de suas fileiras e encarou o moreno emburrado no final do corredor.
Riddle estava tão distraído com sua leitura que sequer havia notado a presença da garota o encarando com um leve sorriso nos lábios.
— Boa tarde, Tom. — O bruxo se assustou com a voz da garota e deu um pulo.
— Não faça isso! — A repreendeu, fazendo a garota gargalhar.
— O que está fazendo?
— Runas antigas.
— Onde está sua dupla?
— Estou me fazendo a mesma pergunta há duas horas. — Bufou.
— Com certeza ela deve ter um bom motivo.
— Eu espero.
— O que vai fazer?
— Futuro.
— Que incrível — disse empolgada, o rapaz apenas assentiu. — Vai fazer o que agora?
— O projeto, por quê?
— Ah, queria dar uma volta com você.
— Pra? — O moreno a encarou com um olhar curioso.
— Nos distraímos! Parece bravo, não que isso seja novidade alguma. — Sorriu.
— Preciso começar esse trabalho, Davina. Podemos marcar isso para outro dia.
— É uma pena. — Suspirou — Vou ter que apelar.
A garota encarou sua cintura e em um movimento rápido puxou sua varinha e saiu correndo pelos corredores do castelo. “d***a!”, Tom pensou e saiu em disparada atrás da garota que já estava nos jardins da escola.
— Davina! Me devolve.
— Vem pegar. — Correu para trás de algumas árvores que ficavam próximas ao lago n***o.
— Isso não tem graça — disse o garoto ofegante a encarando.
— Deveria praticar mais esportes. — A morena sentou no gramado e encarou a varinha em sua mão.
— Anda, me devolve. — Estendeu sua mão.
— Vamos, só quero sua companhia.
— Já disseram que você é teimosa? — O rapaz cedeu e sentou-se ao seu lado.
— Sim, mas quero levar como elogio, afinal, eu venci no cansaço, não?
— Isso não é uma competição. — Suspirou cansado.
— Até porque se fosse, teria perdido f**o.
— Boba. — Sorriu amigavelmente — Não sei porquê quer tanto minha companhia.
— Porque você precisa respirar ar puro, além da poeira daqueles livros.
— Eu respiro ar puro.
— Não mesmo. — Deitou-se na grama e suspirou.
— Isso é uma intervenção? — A encarou.
— Se quiser chamar assim, por mim não tem problema.
O moreno encarou o lago à sua frente, Davina o fazia se sentir bobo por se preocupar tanto com os estudos ao ponto de esquecer de viver.
Mas ele tinha seus planos futuros, precisava estar focado se quisesse seguir o legado de seus ancestrais. Não podia deixar coisas banais o distrair.
— Está tudo bem? — A garota o encarou preocupada.
— Sim, só estou pensando.
— Não pense muito, Tom. — Davina se sentou novamente — Posso te ajudar com isso.
— Como? — Tom parecia intrigado, nada que já tivesse tentado o fez parar de pensar antes.
— Vai ter que confiar em mim.
— Difícil. — Zombou.
— i****a! Deita.
— O que vai fazer senhorita Wezen?
— Sem perguntas. — O empurrou com calma para o gramado.
— Isso vai sujar meu uniforme.
— Não pense nisso agora, fecha os olhos. — Tom obedeceu mesmo desconfiado, ele estava nas mãos dela — Respira fundo e devagar.
O rapaz apenas obedeceu seus comandos, mesmo uma parte sua o mandando sair daquela jardim e deixar a garota sozinha, ele não fez.
— Se concentra apenas na sua respiração, no sol aquecendo sua pele e no vento que está soprando.
Davina o olhou por alguns instantes, sua expressão parecia mais serena, os traços de seu rosto pareciam mais calmos do que o habitual. Mesmo quando estava de mau humor Tom tinha uma aparência bonita, mas quando estava tranquilo, isso lhe dava um ar familiar e a morena gostou de vê-lo assim.
Quando ela percebeu que ele estava sentindo a natureza ao seu redor, deitou-se novamente e o imitou. Pela primeira vez Riddle estava calmo, não se lembrava de estudos ou de qualquer outra preocupação que pudesse ter.
Gostava da sensação de estar sendo aquecido pelo sol, o vento gelado que o fazia arrepiar e até mesmo o barulho calmo do lago.
(...)
Após um bom tempo em silêncio, Tom finalmente abriu seus olhos e encarou a morena que estava deitada ao seu lado. Suas bochechas estavam rosadas por conta do sol, por um instante se pegou sorrindo para aquela cena.
A garota suspirou profundamente e Tom fechou os olhos novamente, sentiu a mão dela tocar a sua, e por um segundo de ousadia ele a acariciou com calma, um gesto que deixou Davina um pouco assustada, mas logo se acalmou e retribuiu o carinho do rapaz.
Tom teve uma sensação estranha quando ela fez isso, já havia sido tocado de outras maneiras, mas um gesto simples e delicado fez seu coração aquecer.
Seus pensamentos que antes haviam desaparecido voltaram com tudo. “O que será que ela vai pensar? i****a! Por que foi tocá-la?” Seus pensamentos foram interrompidos quando a senhorita Wezen riu fraco.
— Por que está rindo? — Abriu seus olhos, por um momento acreditou que ela estaria zombando dele.
— Está fazendo cócegas. — Davina abriu os olhos procurando o sonserino.
— Ah, desculpe.
— Consegui te ajudar? — perguntou inclinando seu corpo para encarar o rapaz que parecia estar tímido, chegava a ser patético.
— Sim, senhorita Wezen. — Seus olhos penetraram os da garota, parecia procurar por algo.
— O que foi?
— Nada. — Sorriu — O que está pensando Davina?
— Muitas coisas, Riddle.
— Tipo?
— Você. — Tom a encarou confuso, por que ela pensaria nele?
— Como?
— Deveria cortar um pouco esse cabelo. — Davina retirou uma mecha um pouco comprida que cobria seu rosto.
— Vou anotar na minha agenda.
— i****a.
— O que está pensando?
— Por que quer saber?
— Se não me falar vou ter que descobrir sozinho. — Sorriu malicioso.
— Sugiro que faça.
O moreno encarou seus olhos profundamente e alguns flash passaram rapidamente, os dois em Hogsmeade comprando doces, Tom a ajudando no corredor, ele explicando o quadribol.
— Já chega — disse Davina com a voz ofegante.
— Desculpa, eu deveria mesmo cortar esse cabelo.
— É legal. — A sonserina o arrumou de novo e acariciou o rosto do amigo — Só depende do seu ponto de vista.
— Você gosta? — Tom retribuiu a carícia em seu rosto, estava desejando fazer algo que ia contra todas as suas crenças.
— Muito. — Suspirou encarando seus lábios.
Tom não exitou um segundo sequer, foi quando se deu conta que seus lábios estavam selados aos da senhorita Wezen, era um beijo calmo e nada constrangedor para ambos.
Davina continuava acariciando seu rosto e brincando com seus dedos. Riddle parecia estar em êxtase com aquela situação, os lábios da garota o faziam sentir-se vivo.