O sol estava finalmente brilhando em Hogwarts naquela manhã, todos os sonserinos ainda estavam em suas camas. Exceto Tom que levantou-se mais cedo que o habitual, precisava se preparar para algumas provas e não se daria ao luxo de levantar mais tarde.
O sonserino já havia tomado seu café da manhã, a mesa da sonserina não tinha quase ninguém, os alunos realmente acreditavam que conseguiam enganar os professores mesmo que todos sumissem logo após cada vitória da casa. Estava tão distraído em sua montanha de livros que m*l percebeu a figura aproximando-se lentamente.
— Bom dia. — A morena sorriu para o rapaz.
— Ah? Bom dia, Davina.
— O que está lendo?
— É um livro sobre animagia.
— É bom?
— Sim. — O rapaz continuou a leitura em silêncio.
Davina apenas o assistia enquanto mexia em seus cabelos. Ela ainda estava envergonhada com o que havia acontecido noite passada, sequer sabia o porquê se deixou levar pelas provocações do Abraxas.
— Eu posso te ajudar? — Tom abaixou o livro na mesa e finalmente olhou para a garota.
— Já ajudou. — Sorriu — Bom, eu queria te agradecer por ter me ajudado ontem, com certeza eu estaria encrencada.
— Sem problemas, senhorita Wezen. Só espero que não seja algo recorrente.
— O que? Acha mesmo que saio por ai bebendo? — Tom segurou o riso.
— E não é?
— Fique quieto! — O empurrou de lado.
— Ai! Eu te ajudo e você ainda me agride?
— O que está querendo? Um prêmio?
— Não, eu não a ajudei porque quero algo em troca.
— E por que me ajudou?
— Apenas fiz meu papel como monitor chefe. — Davina suspirou e encarou a mão do rapaz.
— Que anel bonito, onde comprou?
— É uma herança de família.
— Posso ver?
— É melhor não.
— Ah para de ser chato, não precisa tirar. — Davina pegou a mão do rapaz e encarou o anel, ela parecia estar encantada por ele. Tom estava totalmente desconfortável com a situação — Sua mão é macia. — Sorriu.
— Obrigado? — Retribuiu o sorriso um pouco confuso.
— E também enorme, olha isso. — Davina abriu sua mão, comparando suas mãos.
-— Vou levar como elogio. — Abaixou sua mão.
— Por que está estudando hoje? É sábado.
— Eu sei, mas preciso estudar para as provas se eu quiser chegar no sétimo ano.
— Eu ia te fazer um convite, mas está muito ocupado.
— E qual seria? -- A encarou tentando intimidar.
— Gostaria de ir à Hogsmeade comigo?
— Hum, promete que não vai me embebedar?
— Estou quase desistindo, Tom! — O rapaz gargalhou baixo.
— Certo, eu aceito ir com você.
— Ótimo, então vamos. — Davina segurou sua mão e o puxou para fora da biblioteca.
Os dois caminhavam calmamente pelo vilarejo, Davina parecia estar impressionada com tudo à sua volta. Tom sentia como se estivesse com uma criança.
— Isso é incrível, não acha? — Sorriu apontando para uma loja de doces nomeada de Dedosdemel — Quer algum doce?
— Não, obrigado.
— Não seja modesto Tom, vamos.
Os dois caminharam calmamente pelos corredores da loja, em busca de algum doce que lhe chamasse a atenção, Davina sequer notou que ainda estava de mãos dadas com o sonserino.
— Olha! Sapos de chocolate. — Sorriu — Faz tanto tempo que não como um desses.
— Sério?
— Sim, em todas as viagens era difícil de encontrar.
— Deve ter sido terrível. — Sorriu debochado.
-- Bobo! Gosta mais do amargo ou ao leite?
— Eu não quero.
— Amargo, para combinar com o seu humor.
— Engraçadinha, o amargo é h******l.
— Então ao leite. — Sorriu e pegou alguns sapos de chocolate — Poderia segurar?
— Claro.
— Qual seu doce favorito, Tom? — perguntou entrando em outro corredor.
— Penas de algodão doce.
— Sério? — O olhou de canto.
— Sim, são ótimas.
— Onde ficam?
— Lá embaixo, ao lado dos bolos.
— Ótimo. — A garota desceu com tanta pressa que por um pequeno instante Riddle a perdeu de vista — Azul ou rosa?
— Hum, pra?
— Você.
— Já disse, não quero doces.
— Não faça essa desfeita, por favor.
— Por que quer me dar tantos doces?
— Acho que o seu mau humor seja falta de açúcar. — Tom riu fraco.
— Quanta audácia, senhorita Wezen! Mas não quero que gaste seu dinheiro comigo.
— Não se preocupe com isso. Azul ou rosa?
— Azul.
— São boas mesmo?
— Nunca experimentou?
— Não.
— Vai gostar.
— Deixe-me ver, bolos de caldeirão.
— Está tentando ficar doente?
— Não, por quê?
— Para que tantos doces?
— Não vou comer sozinha. — A garota encarava os nomes destacados nos caldeirões — Gosta de morango?
— Posso escolher?
— Pode. — Após alguns minutos os dois subiram de volta para pagarem as guloseimas.
— Bom dia, senhor Riddle.
— Bom dia, senhor Flument. -- Sorriu simpático.
— Quem é sua amiga? — perguntou o senhor enquanto guardava os doces em uma sacola colorida.
— Essa é Davina Wezen, ela foi transferida há pouco tempo para a escola.
— É um prazer conhecê-la, senhorita Wezen.
— Igualmente.
— Está gostando da escola?
— Sim, é bem divertida.
— Que ótimo! Cinco nuques, por favor. — Davina puxou as moedas de sua bolsa e pagou, Riddle ficou totalmente desajeitado com a situação, detestava se sentir inferior mesmo que fosse somente uma garota pagando seus doces.
— Obrigado, senhor Flument. — Davina sorriu.
— Ah esperem! — O senhor virou de costas e pegou um saco plástico pequeno — Levem alguns anéis de açúcar, estou testando uma nova fórmula. — Sorriu simpático, Davina pegou e agradeceu novamente caminhando para fora da loja com Tom.
— Faça o que quiser, só não coloque um desses em sua boca. — Alertou.
— Por que?
— O senhor Flument sempre tenta enfiar seus doces nos desavisados, desde que cheguei à Hogwarts ele está tentando essa nova fórmula, já foram pequenos pomo-de-ouro, moedinhas de ouro, pirulitos... uma lista imensa.
— Não deve ser tão r**m.
— Experimente. — Davina abriu o pacote colorido e lambeu.
— Cereja!
— Coloque na boca e morde. — A garota obedeceu e fez careta, com certeza a senhora Flument merecia os créditos pelos doces — Uma delícia, não?
— É péssimo — disse Davina cuspindo o doce no pacote e jogando todos os anéis fora.
— Eu avisei. — Sorriu cínico.
— Convencido! Onde estamos indo?
— Tem um chalé aqui perto, os alunos costumavam ir lá até começarem os boatos de que a casa estava assombrada por uma mulher.
— Ótimo lugar para um primeiro encontro, não?
— Encontro? — Tom a encarou confuso.
— Ah... — A jovem corou tentando encontrar as palavras certas — Encontro de amigos! Vai me dizer que não sai com seus amigos?
— Claro que saio. Não sabia que éramos amigos. — Eles estavam quase chegando ao velho chalé, de longe a casa parecia sombria.
— Como não? Você me ajuda e eu gosto da sua companhia, mesmo sendo um pouco perturbadora algumas vezes.
— Por que?
— Seu olhar, às vezes, assusta. — Tom deixou um leve sorriso escapar.
— Bom, seja bem-vinda, senhorita Wezen — disse abrindo a porta do velho chalé.
— Fantasmas eu não sei, mas com certeza tem ratos aí dentro.
— Não se preocupe com isso, venha. — Estendeu-lhe a mão e a ajudou a subir alguns degraus.
A casa era totalmente escura por dentro, mas parecia bem limpa para uma casa que estava há um bom tempo sem moradores.
— Está bem limpa, não?
— Ah sim, eu vim aqui durante as festas.
— Você fica sozinho aqui? — O rapaz assentiu e acendeu a lareira, a casa parecia uma pedra de gelo por dentro — Eu deveria me preocupar?
— Não farei m*l algum à você. — Sorriu se jogando no sofá.
Tom conseguia assustar e tranquilizar qualquer pessoa sem o mínimo de esforço. Davina sentou-se ao seu lado e olhou em volta.
— Vou confiar em você, agora quero meu bolo!
— Estava demorando.
— Teria alguma faca aqui?
— Faca? Está de brincadeira? — O rapaz puxou sua varinha e fatiou o bolo em alguns pedaços.
— Hum, olha só esses morangos. — Tom sorriu olhando a garota devorar seu bolo.
— Está gostoso?
— Experimenta. — Davina pegou um dos morangos cobertos com chocolate e levou até a boca do rapaz.
— Realmente.
— Sua boca está suja. — Riddle passou a língua em seus lábios tentando limpar, mas foi em vão.
— Saiu?
— Não. — Davina passou seu dedo perto dos lábios do rapaz e o lambeu.
Tom suspirou pegando uma fatia do bolo tentando ignorar o que havia acabado de acontecer. Os dois ficaram em silêncio por um tempo, não precisavam conversar só queriam saborear seu bolo e aproveitar a companhia.
— Já participou das comemorações da sonserina?
— Uma vez no quarto ano, acredite, fiquei pior que você. Depois daquele dia eu nunca mais fui em nenhuma das comemorações.
— Deveria, é bem legal.
— Abraxas querendo chamar atenção, e Katerin emburrada? Eu passo.
— Mas o licor é bom. — Tentou convencer o garoto.
— Por que me convidou para vir à Hogsmeade? — A encarou sério, parecia tentar ler sua mente, coisa que não era difícil para o rapaz.
— Ah, para te agradecer, por qual outro motivo eu te convidaria?
— Sem essa Davina. — A garota suspirou e endireitou-se no sofá encarando a lareira.
— Fiquei envergonhada com o que aconteceu ontem. — Suspirou novamente — Não queria que tivesse uma ideia errada sobre mim.
— E por que eu teria uma ideia errada?
— Eu estava bêbada e sozinha pelos corredores da escola, sabe o que dizem quando garotas se comportam assim.
— Só estava se divertindo, assim como todos. Então a senhorita está tentando me subornar com doces?
— Não! — Sorriu — Eu gosto da sua companhia Tom, já falei e os doces só te deixam bem humorado.
— Isso é trapaça e você sabe.
Os dois ficaram no chalé saboreando seus doces até a hora do almoço, no caminho entraram em uma livraria, os olhos do rapaz brilhavam olhando aquelas imensas estantes cheias de livros.
(...)