Duas semanas haviam se passado desde a noite do baile, mesmo Davina se esforçando ao máximo, Tom a ignorava completamente. Talvez mexer em uma de suas horcruxes onde o rapaz escrevia todas as coisas horríveis que ele já havia feito durante sua vida não fosse uma boa ideia.
Edward Fitzgerald estava mais agitado do que o normal durante essa noite, havia recebido uma carta de sua mãe o convidando para ir almoçar com sua família durante o final de semana, por fora a família Fitzgerald esbanjava carinho e afeto, com certeza muitas famílias bruxas os admiravam, seus filhos eram excelentes na escola, a casa era enorme, e sempre pareciam unidos.
— Fitz? — Davina encarou o amigo que já estava suado, estavam derretendo as pedras há um bom tempo, a sala parecia uma sauna.
— Hum?
— Está me ouvindo?
— Desculpa, estou pensando em algumas coisas.
— Aconteceu algo? — perguntou colocando mais pedras no caldeirão.
— Tenho um almoço em família no domingo.
— E qual o problema?
— Meu irmão vai apresentar a sua noiva aos meus pais. — Enxugou o suor em sua testa.
— Ainda não entendi.
— Fergus é o perfeitinho da família, sempre vivi em sua sombra. — Suspirou cansado — Meu pai joga isso na minha cara até hoje, “Ah Edward veja só seu irmão está no time de quadribol. Seu irmão se formou com excelência em todas as matérias. Por que você não é como o Fergus?" Porque o Fergus é um mentiroso, querido papai. — O garoto bateu com força e as pedras caíram fazendo as chamas aumentarem.
— Edward!
— d***a, desculpa Davina.
— Não precisa se desculpar, está tudo bem, só me deixa fazer isso. — Tomou o caldeirão do garoto que continuou mexendo as larvas.
— Me sinto um i****a por ainda deixar o Fergus me afetar dessa maneira, queria poder vencê-lo somente uma vez.
— Por que não diz como se sente para o seu pai?
— Sua esperança é muito bonita, Davina. Mas o mundo real não quer esperança.
— Não seja grosso.
— Desculpa, só estou cansado.
— Quer parar o projeto?
— Vou pegar as placas, espera aí. — O garoto pegou duas placas de metal e colocou sob a bancada — Vamos lá, se afasta.
Os dois afastaram-se e levitaram o caldeirão com o auxílio da varinha. Com muita calma e precisão despejaram todo o líquido fervente nas placas e as colocaram em um canto da sala.
— Acha que conseguimos fazer as runas amanhã? — Davina perguntou tentando prender o cabelo que insistia em cair de sua fita.
— Com certeza, não vai demorar muito para essas placas esfriarem, agora vamos porque eu preciso de um banho.
— Temos que vir antes do jantar amanhã. — Pegaram suas bolsas e saíram da sala — Que horas são?
— Vai dar dez e meia.
— E a monitoria já começou — reclamou. — Temos que correr.
— Ah não, eu não estou nem aí se vão me dar detenção, estamos há três horas naquela sauna eu vou caminhar sem pressa.
— Se eu perder pontos vou dizer a todos que a culpa é sua.
— Nada que um licor não resolva. — Os dois riram e continuaram caminhando para os corredores das comunais.
— Com licença! — A voz rígida chamou a atenção dos alunos, que logo viram a figura pálida em sua frente.
— Sim? — Fitzgerald jogou seu terno para cima de seu ombro e encarou o moreno.
— Posso saber o que estão fazendo fora da cama até essas horas? — Riddle o encarou com raiva.
— Estávamos terminando o projeto de runas antigas.
— Não devem usar as dependências da escola depois do horário de recolhimento.
— A professora deixou e estávamos indo para nossa comunal até um sonserino intrometido nos parar para fazer perguntas óbvias. — Davina apertou os lábios segurando a risada.
— Como que é senhor Fitzgerald? Menos dez pontos para a corvinal.
— Ótimo, podemos ir? — Fitz perguntou, suas bochechas já estavam rosadas de tanta raiva.
— Eu acompanho a senhorita Wezen.
— Tudo bem? — Edward ignorou completamente o sonserino e encarou a amiga que se divertia com a situação.
— Sim, nos vemos amanhã. Boa noite.
— Até amanhã então, boa noite. — O rapaz subiu as escadas deixando os sonserinos sozinhos.
— Me acompanhe. — Tom caminhou lentamente pelos corredores, sequer reparou que a garota estava a metros de distância dele — Davina? — Virou-se a procurando — O que está fazendo?
— Agora você quer falar comigo? — O encarou de longe — Não sabia que precisávamos agendar para falar com você.
— Do que está falando?
— Vá se ferrar, Tom Riddle! — A garota passou por ele o deixando confuso, Tom sabia muito bem do que ela estava falando, mas não esperava essa reação.
— Ei! Pare aí mesmo. — A morena virou lentamente e encarou o moreno que não sabia o que dizer.
— Pois não?
— Ah, desculpa.
— Sério? Você me convida para a porcaria daquele baile, me beija, me toca, me faz gostar ainda mais de você e depois me larga sem mais nem menos? Eu não sou uma boneca.
— Eu sei, me desculpa é só que...
— O que?
— É complicado.
— Sempre é. — Continuou caminhando o deixando para trás.
— Davina, por favor.
— Não Tom! Eu não sou essas garotas que você está acostumado. — O rapaz a segurou pelo braço e encarou seus olhos, o que diria? Não posso ficar com você porque eu matei algumas pessoas e você vai pensar que sou um monstro? Não era a melhor ideia.
— Por favor — murmurou.
Davina jamais mudaria de ideia, afinal de contas ela se sentiu confortável em deixar o rapaz tocá-la. Ele não podia tratar ela dessa maneira, como se aquela noite na torre do relógio não significasse nada para nenhum dos dois.
— Não ouse falar que é complicado, você me usou.
— Não foi isso, por favor. Vamos para a minha comunal, podemos conversar.
— Para você me agarrar de novo?
— Se eu fosse te agarrar, faria agora.
— Eu preciso de um banho, não quero perder mais tempo com isso.
— Pode usar meu banheiro.
— Não. — soltou-se do rapaz e desceu alguns lances de escada.
— O que tenho que fazer para vir comigo? — A garota suspirou e parou, ter um favor de Tom Riddle poderia ser útil futuramente, mesmo tendo que engolir seu orgulho para isso.
— Preciso de uma roupa.
— Sem problemas. — Os dois caminharam em silêncio pelos corredores, por sorte Josephine ainda estava fazendo sua patrulha.
Logo os sonserinos chegaram à sala comunal dos monitores, os dois subiram para o quarto e não falaram absolutamente nada.
Davina sequer deixou o rapaz começar a falar e já entrou no banheiro, derreter pedras durante três horas a deixou quase que banhada de suor.
Conjurou sua roupa ali mesmo no banheiro e vestiu uma calça de moletom e uma camiseta. Mandou toda sua roupa para seu quarto junto aos seus pertences e saiu do banheiro enxugando os cabelos.
— Calças?
— Algum problema?
— Nunca pensei que usasse.
— São confortáveis, tem algo para pentear meu cabelo?
— Na gaveta. — Davina arrumou seus cabelos compridos e conjurou um feitiço para secar depressa — Podemos conversar agora?
— Fala logo. — Sentou-se na cama.
— Eu não queria te afastar assim do nada, é só que... estamos indo muito rápido e você pode não gostar do que vai conhecer.
— Essa é a desculpa mais esfarrapada que eu já ouvi, Tom.
— Eu nunca me senti assim antes, tenta entender.
— Como acha que eu me sinto? Você me deixou acreditar que teríamos algo e no dia seguinte sequer me encarou.
— Eu sei, você tem o direito de se sentir m*l. Me odeio por fazer isso contigo. —
Aproximou-se — Me dá mais uma chance.
— Como quer que eu confie em você? — Riddle acariciou seu rosto.
— Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas, senhorita Wezen. — A garota sorriu de canto e o encarou.
— Você leu?
— Sim, e concordo Romeu e Julieta são loucos.
— Isso não muda as coisas. — Levantou-se — Primeiro você escreve coisas bonitas no seu diário e depois me deixa sozinha.
— Esqueça aquele diário, por favor. — A acompanhou e suspirou — Nada que eu escreva fará você entender.
— Então me explica.
— Prefiro que descubra sozinha, não aguentaria o peso dos teus olhos.
— Do que está falando?
— Gosto muito de você Davina. — A prendeu na parede — Aquela noite não sai da minha cabeça — sussurrou. — Eu quero que seja minha.
— Tom, isso não vai dar.
— Shi... — Colocou o indicador em seus lábios — Diz que não quer ser minha e eu te deixo ir embora.
— Não faz isso.
— Por que? — Beijou seu pescoço com calma, a garota suspirou arrepiando.
— Tom! — reclamou.
— Gosto quando fala meu nome. — A pegou no colo e sorriu deitando na cama — Fica comigo?
— Como?
— Fica aqui comigo, não quero que vá.
— Eu te odeio, sabia? — Acariciou o rosto do rapaz.
— Não é a primeira, meu amor.
— Seu amor?
— Talvez, se quiser pode ser. — A beijou com calma, mesmo querendo isso Davina relutou e mordeu seus lábios — Ai.
— Quero que devolva os pontos do Fitz.
— Nem pensar! Ele me ofendeu.
— Ele não mentiu e está em um dia r**m.
— Eu não tenho nada a ver com isso.
— Certo, eu também não tenho nada a ver com você querer ficar me agarrando enquanto deveria estar fazendo a monitoria.
— É diferente.
— Como?
— Ele estava com a minha garota.
— Eu não sou sua garota. — O empurrou para o lado.
— Davina — reclamou. — Tudo bem, eu devolvo os pontos.
— Ótimo, pode me levar para o meu quarto?
— Dorme aqui.
— E onde você vai dormir?
— Com você. — A abraçou por trás ainda sentados — Podemos fazer o que quiser.
— Preciso voltar a dormir no meu quarto.
— A senhorita Crockett não vai se importar. Só hoje. — Mordeu seu pescoço com calma, Riddle estava mais ousado do que costumava ser. Não se importava com o que Davina pensaria ao seu respeito, só queria sentir seu corpo.
— Isso não vale e a Winky sentiu minha falta na noite do baile, ela acha mesmo que transamos.
— Se quiser podemos mudar isso.
— O que?
— Perdão.
— Para de se desculpar.
— Desculpa.
— Eu fico se prometer ficar quieto.
— Tudo bem, não precisamos falar enquanto fazemos algo mais interessante.
— Cala a boca, Riddle.
(...)