Finais

2440 Palavras
Aymê narrando- sabe aquele meme só acredito vendo e eu vendo não acredito, eu tô assim agora, não acredito que o samurai tá aqui na porta da faculdade, e bem na hora que eu vou sair com o Daniel, limite é uma palavra que definitivamente não existe no dicionário desse homem. Cheguei perto do carro, não falei nada, simplesmente o olhei de um jeito de quem espera uma explicação, uma resposta, o filho da p**a ainda rir e abaixa a cabeça balançando em sinal negativo. Ayme- e aí? Samurai- e aí tá de boa? Aymê- me erra samurai, tá fazendo o quê aqui? Samurai- tô fazendo lotação pro morro bora? É de graça. Aymê- não! Obrigada eu vou almoçar com um amigo. Samurai- ele não é seu amigo, a qual foi morena quero te levar em um lugar legal, bora? Aymê- não eu já aceitei o convite do Daniel. Samurai- vai lá então vou marcar um dez aqui vai que uma aluna gostosa quer a minha carona. Aymê- tchau samurai! Ele me olhou sorrindo. Voltei para o carro do Daniel. Daniel- quem é ele? Aymê- ninguém Daniel- ele não parece ninguém. Aymê- ninguém importante. Ele ligou o carro e fez um barulho nos pneus. Daniel- droga acho que o pneu furou. Descemos do carro. Aymê- os quatro? Daniel- algum i****a fez isso. Não sei porquê más eu acho que sei quem é esse i****a. Daniel- podemos marcar outro dia? Eu vou ter que resolver isso,me desculpa. Aymê- tudo bem, imagina! se eu puder ajudar. Daniel- não precisa meu bem, prometo te recompensar por esse dia, estou morrendo de saudades e não vejo a hora de ficar sozinho com você, hoje infelizmente não vai dar para fazer isso. Aymê- eu também tô com saudades. Ele beijou meu rosto com carinho já que tem alguns alunos saindo da faculdade e nos olhando. Olhei para o carro do Samurai ele tá lá gargalhando, que i*****l, que ódio! Fui caminhando até o ponto de ônibus, eu não vou com ele, tô nem ai, quero que ele se exploda, que s*******m fazer isso com o Daniel, que infantilidade. Fiquei esperando o baú, pensando na prova que eu fui m*l, não consigo acreditar que eu não estudei, que eu mesmo me sabotei. A não véi o samurai tá testando a minha paciência parou o carro no ponto de ônibus. Samurai- bora bora morro do Turano , tem vaga pra um. Hô meu Deus que castigo foi esse? Todo mundo olhando. Samurai- bora morena! Olhei pra ele e falei com raiva. Aymê- para! Samurai- bora bora ! Uma vaga. Eu entrei na p***a do carro na força do ódio. Samurai- tá pistola? Aymê- vai tomar no **. Quem você pensa que é? Infantil, imaturo, babaca, i****a, parece que tem treze... Ele parou no semáforo, puxou meu rosto e me beijou , fico fraca, perco a postura, coloquei a mão no rosto dele e correspondi o beijo, fomos interrompidos pela buzina do carro de trás o semáforo abriu e ele estava parado me beijando. Samurai- ainda bem que eu sei como calar sua boca. Aymê- é mesmo? Ele foi dirigindo em direção ao morro. Aymê- o morro é o lugar legal que você queria me levar? Samurai- pra mim é o lugar mais legal que existe. Ele foi subindo o morro devagar e falando. Samurai- a lá os moleque jogando bola, as pipas no céu, a dona Amélia com as empadas ,o Chicão com a melhor padoca, o Bar do Zé com a breja mais gelada e a sinuca de lei, o rango da tia com o melhor tempero, o melhor baile funk do Rio, aqui mora minha família, meus manos, minha comunidade, tem outro lugar melhor que esse? Eu não quis cortar a vibe dele, más eu pensei em um milhão de lugares melhor que a essa favela. Paramos no restaurante da tia, fizemos o pedido. Aymê- precisamos levar uma idéia. Samurai- desenrola. Aymê - você não pode chegar na faculdade e fazer esse tipo de coisa que você fez hoje, o Daniel nem te conhece pra você ficar sacaneando ele. Samurai- eu faço o que eu quiser com quem eu quiser, deu sorte que eu nao enchi a cara dele de bala. Aymê- você disse que não mata inocente. Samurai- ele não é inocente, ele tá mechendo com o que é meu. Aymê- o que é seu? Eu? Ele fechou a cara. Aymê- eu não sou sua! Eu não sou de ninguém entendeu? Samurai- qual é o nosso lance então? tú quer ficar comigo e com ele? É f**a pensar nisso, poderia ficar com os dois más se tratando do Samurai o dono do morro, eu tenho que fazer a minha escolha. Aymê- tá eu vou ficar só com você tá bom assim? Samurai- namorar? Aymê- não namorar não, não queremos as mesmas coisas e não conseguimos ficar próximos por muito tempo sem brigar, isso não daria certo. Samurai- tá de boa, a gente vai vendo no que dá. Ele ficou meio desapontado o cara era o maior desapegado, e na minha vez se emocionou?logo na minha vez. Aymê- se eu não posso ficar com outros caras você também não pode, não que isso me importe, más tem que ser direitos iguais. Samurai- não vou pegar nenhum cara, pode ficar de boa, não curto essa vibe. Aymê- você entendeu engraçadinho. Fiquei olhando pra ele como pode alguém ser tão lindo até comendo. Samurai- vamos lá pra casa quero te mostrar uma coisa. Aymê- eu já vi essa coisa e gosto muito de ver, más preciso estudar. Samurai- não é isso, véi você é muito safada . Aymê- é sério eu não posso, é semana de provas. Samurai- de boa! Ele fez uma cara de cachorrinho manhoso, respirei fundo. Aymê- tá bom eu vou, más vai ser rápido. Porquê eu deixo ele fazer isso comigo? Acabei de declarar ele como ficante sério, se é que existe isso, ou seria um namoro suave sei lá, más só vou ficar com ele, ver no que dá? espero que não dê muita coisa. Agora ao invés de estudar vou com ele, para a casa dele, para deixar ele me seduzir e fazer o que quiser comigo, como ele faz isso? como tem a capacidade de me fazer coisas que eu não faria? Isa narrando- eu passei a aula inteira tensa pensando em quando eu chegar em casa e dar de cara o LK. Só pode me julgar quem sente o que eu sinto ou já passou pelo que eu passei, algumas coisas do passado deveriam ficar no passado, más não ficam, tem coisas que carregamos pela vida toda mesmo sem querer, mesmo querendo esquecer e apagar, elas ficam impregnadas como se fossem uma parte do corpo. Eu amo o LK, amo muito, ele me cura de mim mesma, más a cura não é duradoura a ferida sempre se abre novamente, eu não quero falar para ele sobre isso, não quero falar sobre o aborto e sobre outras coisas, não quero falar , não posso, e isso tá nos distanciando, ele acha que estou traindo ele, e tem se tornado quem ele não é, um homem machista e controlador, eu não quero magoar o homem da minha vida. A aula acabou eu voltei para casa sozinha, dirigindo enquanto as lágrimas molham o volante. Cheguei em casa, ele tá dormindo com a Iasmim no colo, o Lk é o homem perfeito mesmo com todos os defeitos, qualquer mulher daria tudo para ser mulher dele, e eu não consigo ser a mulher que ele merece ter. Peguei a Iasmim no colo, coloquei ela no berço, entrei no quarto, tomei banho me arrumei e fui na cozinha esquentar alguma coisa pra comer, o Lk entrou na cozinha, sentou e ficou me olhando em silêncio. LK - foi m*l por ontem, eu vacilei, exagerei. Continuei em silêncio, com um nó na garganta. Lk- não vai falar nada? Sentei, olhei pra ele. Isa- eu quero terminar. Lk- qual foi amor, que mané separar ?eu já falei que eu vacilei. Isa- não é por isso Lk. Lk- é porquê então? Tá afim de outro , já tá com outro? Isa- não tô com outro, e nem tô afim de ninguém, eu não amo você, eu só quis saber como era ficar com alguém do morro, encontrei você e acabei engravidando, más eu não quero mais. Ele engoliu seco. LK- não me ama? E me fez acreditar nessa parada o tempo todo? Isa- desculpa, más eu não te amo. Ele levantou. LK- minha filha você não leva. Isa- ela é minha filha também. Lk- mas ela não vai com você, ela vai ficar comigo. Isa- eu sei que você ama e vai cuidar dela melhor do que eu, e você é um traficante eu não posso ir contra a sua vontade. Eu não estou abrindo mão da minha filha, o Lk é um pai maravilhoso, ele vai cuidar dela melhor que eu , se ela ficar comigo eu vou falhar com ela, igual falharam comigo, ele não vai falhar. Lk- é isso então? Você me vê como um traficante que consegue o quer? Eu poderia obrigar você a ficar más não vou. Eu segurei o choro mais ele não, lágrimas escorreram e ele enxugou rápido, e isso doeu porque eu amo ele, e estou machucando ele, más vai ser melhor pra ele e para a Iasmim, se eu for! Lk- eu não quero mais ver você, eu vou pra boca, e quando você for sair você deixa as chaves e liga para Aymê ficar com a Iasmim. Não respondi e ele saiu sem me olhar. Liguei para a Aymê ela tá no restaurante da tia com o Samurai e tá vindo pra cá. Coloquei cada peça de roupa na mala aos prantos, a Aymê chegou . Aymê- amiga o que houve eu ia sair com o Samurai, más como falou que é urgente eu vim. Eu olhei pra ela. Aymê- meu Deus amiga, o que foi? E essas malas? Isa- eu vou embora, eu terminei com o LK. Aymê- porquê? por causa do aborto? Isa- não! não é só o aborto, eu... Aymê- é o que? Sentei na cama . Isa- eu confio em você Mê, você é a única amiga que eu tenho, me dói dizer , com a dor da minha alma, é muito difícil contar isso, más se eu não jogar isso pra fora eu vou não sei se vou conseguir passar da saída do morro. Aymê- pode confiar em mim amiga! Isa -eu fui estuprada pelo meu pai dos 11 aos 17 anos de idade, eu engravidei oito vezes durante os abusos e fui obrigada a abortar as oito vezes. -Eu era uma criança, só uma criança, no início eu contei para a minha mãe, más como ela não acreditou e ainda me acusou de ser mentirosa e desrespeitosa com o maldito estuprador, eu não contei sobre as outras vezes, eu guardei comigo toda dor e todo o sofrimento, fui obrigada a fazer apresentações dos dia dos pais , a sorrir para ele, só acabou quando quando ele morreu, Deus demorou tanto para me ouvir, não tinha uma noite que eu não implorasse a Deus pra ele morrer, ele enfartou em cima de mim, eu ainda tive que arrastar o corpo para a sala para não ser a culpada por ele estar pelado morto em cima da minha cama, ele morreu e mesmo depois de morto continua me atormentando, eu não consigo ser a mãe que a Iasmim merece, não consigo me entregar para o LK eu fecho os olhos e sinto dor, não tem um minuto do meu dia que eu não pense nisso, eu não posso ser a mulher que o Lk merece. Ela sentou do meu lado e me abraçou chorando. Aymê- amiga eu sinto tanto que você tenha passado por isso tudo, más o LK te ama ele entenderia sua história, te ajudaria a superar essa dor. Isa- como? se nem eu entendo a minha história, eu não sei se um dia vou me curar disso, más não posso fazer as duas pessoas que eu mais amo na vida, infeliz por minha causa. Aymê- a Iasmim amiga? ela precisa de você. Isa- eu tentei abortar ela por três vezes, más não consegui, toda vez que eu olho pra ela eu me pergunto o que ela pensaria de mim se soubesse que eu fiz de tudo pra ela não nascer? Aymê- meu Deus Isa, como você pode? Ainda bem que ela é saudável, estou chocada com isso tudo. Isa- você pode me odiar também, tem todo o direito. Aymê- eu não te odeio, eu só queria entender, mesmo depois de ter passado por tanta dor, quando você encontrou o amor você quis retribuir com dor. Isa- porquê o amor me lembra a dor, ele era um pai presente, divertido, sempre se importava quando eu estava doente, quando eu ia m*l na escola, ele dizia que me amava, más não amava, quando terminava o estupro ele pedia desculpas, dizia que era a última vez, más que se eu contasse pra alguém ninguém acreditaria, que a minha mãe me odiaria, meus avós ficariam decepcionados, além do estupro eu ainda me sentia culpada por eles, então amor sempre vai me lembrar dor. Aymê- você e o LK já tem um tempinho juntos, você não parecia infeliz com ele. Isa- eu não fui infeliz, eu sou infeliz e mesmo que meu disfarce tenha funcionado eu não consigo mais fingir que estou feliz quando tudo o que eu quero é gritar! Aymê- se ficar longe da sua família que te ama vai te fazer feliz , quem sou para falar para você não ir. Isa- eu sei que você tá com raiva de mim, más eu sei que você me entende, cuida da Iasmim pra mim, a nossa amizade continua. Sai puxando a mala. Aymê- Isa?? Isa- oi?? Ela me olhou chorando. Aymê- eu te amo amiga! Quero muito que você supere essa dor e volte pra casa, pra sua família que te ama, Isa- eu também te amo! Nos vemos na faculdade. Sai de casa deixando tudo o que realmente importa, importa tanto que eu não mereço ficar. ❤esse samurai é demais, é um compromisso que não é compromisso, como a Aymê vai contar para o prof e como ele vai reagir, ela vai perder as regalias? Desfiles, a chance de mudar de vida mais rápido? Que historia da Isa, justifica ela ter feito o que fez com a Iasmim e o que tá fazendo agora ao abandonar a filha e o LK?
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