Capítulo 02 - Cachorro

1385 Palavras
Cachorro narrando... Cada dia que passa, eu sinto mais vontade de sumir desse morro, juro, eu não consigo entender, como a po.rra do Dono passa pano para tanta merda que acontece aqui? Estru.po? Não, isso não entra na minha cabeça... Eu só não meto o pé daqui, porque eu tenho um apego muito grande com essa comunidade e os moradores, e eles ainda precisam de mim... Mas a vontade de meter o louco muitas vezes é grande, estru.po, não faltava mais nada! Já não basta os idiotas que espancam às mulheres e ele finge que não vê, agora vai iniciar a mesma onda em relação à estru.po? Ele não pensa que poderia ser com uma pessoa importante para ele, ele acha normal essa mer.da toda? Subi para o meu quarto e fiquei revirando na cama, pensando em onde isso tudo vai dar, eu tenho tanta raiva de não conseguir fazer mais pelos moradores e por essas meninas, cara, algumas são menores de idade, imagina o trauma para ela. Fico me revirando na cama e quando percebo já está de manhã, hoje não estou de plantão, o que me deixa aliviado, não estou afim de ver a cara do arrom.bado do Ganso... Levantei da cama e fui fazer às minhas higienes, mas a minha cabeça insistia em voltar ao que eu escutei ontem, quem foi a vítima dessa vez? Suspiro bolado e dou um soco no espelho, que quebra e acaba cortando a minha mão, volto para o quarto e me sento bolado na minha cama, acabo deixando algumas lágrimas caírem, Deus, porque ele tem que ser esse desgraçado? Eu não tenho família, sou eu por mim todos os dias, tive que aprender sozinho o que é o certo e o errado, aprendi que não podemos abraçar vacilação, e a p.orra do Ganso, que veio de uma família boa, simplesmente não liga e abraça qualquer vacilação, é por isso que ele não firma com mulher e por incrível que pareça, às daqui não correm tanto atrás dele. Tem vezes que o patrocínio não vale apena, principalmente se for vir acompanhado de humilhações e quebra p.au, é um milagre, pois normalmente essas minas do morro, se submetem a tudo para ter um status e dinheiro. Afasto esses pensamentos e vou em direção ao banheiro novamente, lavo a minha mão e procuro por uma tala, quando encontro, enrolo na minha mão, desço às escadas e saio de casa dando de cara com o Pit que olha para a minha mão e depois para mim. Pit: Qual foi irmão, o que rolou? — ele fala apontando para a minha mão. Cachorro: Nada, fica suave, bora lá na padaria tomar um café? — pergunto ao mesmo que confirma, eu não sei se quero falar sobre o que aconteceu ontem com o Pit, já que ele tem uma história em relação ao estru.po, mas também, acho que ele não vai sossegar enquanto eu não abrir o jogo com ele, ele me conhece melhor que ninguém. Pit: E então, vai falar ou não? Eu sei que tá pegando alguma coisa. — ele fala e eu confirmo. Cachorro: Vamos tomar café primeiro, depois conversamos sobre isso. Mas já adianto, é um assunto bem delicado. — falo e ele confirma. Entramos na padaria e logo a Isa veio nos atender, a mesma em qualquer oportunidade joga para cima do Pit, mas ele finge que não vê nada, ela anotou os nossos pedidos e depois de quase 30min, voltou com eles. Isa: Desculpem a demora, hoje está uma correria aqui. — ela fala e eu confirmo, realmente, a padaria está bem cheia. — E então, Pit, quando vai me dar uma chance? Pit: Não começa, namoral. — ele fala e ela revira os olhos. Isa: Conversa com ele, Cachorro, ajuda essa pobre alma. — ela fala fazendo drama e eu só dou um leve sorriso. Tomamos o nosso café e fomos em direção ao pico do morro, eu não sei qual é a da Isa, ela é bem na dela, mas o Pit ele não vai muito com ela, honestamente, eu sei que ele gosta da Sofia, mas a mesma não dá condição para ele, aí ele fica na vida de p.utaria, eu nem me envolvo, mas é meio louco isso tudo! Enfim, sentamos no lugar que sempre ficamos e ele me olhou com os braços cruzados. Pit: Solta a voz, qual foi a merda da vez? — ele pergunta, pois já está acostumado com o Ganso fazendo uma merda atrás da outra. Cachorro: Aí Pit, esse assunto é bem mais complicado, ainda mais pra ti, mas como tu tá comigo nessa e tu quer saber, vou abrir o jogo. Ontem quando eu estava descendo, eu escutei ele conversando com um vapor, sobre estru.po! — falo e ele já me olha indignado. Pit: Não me diz que esse filho da p.uta tá passando pano para estru.pador! — ele fala já bolado. Cachorro: Pior é que tá, irmão, por isso falei, esse assunto é muito mais delicado, olha, eu não sei o que podemos fazer, mas ele deixou claro que ele finge que não vê, mas se outros vapores falarem algo, ele não tem o que fazer. Pit: O problema é que aqui todo mundo tem medo dele, então se só eu ou tu ir até ele falar sobre isso, ele vai matar a gente e acabou, agora se todos fossem juntos, seria outra coisa, mas são tudo uns cagões. — ele fala chutando uma lata que tinha ali. — Desgraçado, eu não vejo a hora desse filho da p.uta morrer, ele tá indo cada vez mais longe, Rafael. — ele fala e eu confirmo. Cachorro: Relaxa Pit, o reinado dele uma hora vai acabar, vamos na maciota fazendo o que podemos para a comunidade e seguindo no nosso trampo, esse tipo de pessoa, não dura muito tempo. — falo colocando a mão em seu ombro e ele confirma, com os olhos marejados. Puxo ele e abraço o mesmo. Eu sei como ele se sente, quando o assunto é estru.po, não é nada fácil passar ou ter alguém próximo que passou por isso, isso mexe demais com a nossa cabeça, acaba desencadeando um trauma e foi isso que aconteceu com ele, esse papo pode até doer em mim, mas nele, dói muito mais. Fico um tempo ali com ele... Pego o celular mandando mensagem para a tia Célia que diz para irmos almoçar lá. Cachorro: Bora lá na tia Célia, ela está preparando um rango para nós. Pit: Aí eu boto fé, a comida da tia Célia é maravilhosa, ela podia abrir umr restaurante, ia bombar. Cachorro: Como se o arrom.bado fosse deixar, parece que aqui dentro, só quem pode lucrar é ele. — falo fazendo careta. Descemos em direção a casa da Tia Célia, bati na porta e quem atendeu foi a Emily, a mesma quando me viu revirou os olhos, mas quando viu o Pit, abriu um leve sorriso. Emily: Eai Pit, como está? — ela pergunta dando espaço para entrarmos. Pit: Eai furacão, tudo na paz e contigo? — ele pergunta e faz o toque com ele. Emily: Tudo na paz também. — ela diz voltando para a cozinha e finge que nem estou ali, o Pit vira com aquele sorriso debochado. Pit: Às coisas não estão nada boas entre vocês, não é? — dou um tapa na cabeça do mesmo que sorri. Chego na cozinha e ele dá um beijo na Tia Célia e eu vou logo atrás, mas a mesma leva o seu olhar para a minha mão e pega a mesma me olhando séria. Célia: Que merda aconteceu aqui? — ela pergunta e vejo a Emily olhar de canto de olho. Pit: É tu não chegou a entrar em detalhes do porque a sua mão ficou dessa forma. Cachorro: Eu dei um soco no espelho, acabou que quebrou e cortou a minha mão. Célia: O que você descobriu agora? — ela pergunta nervosa, porque sabe que quando fico assim, é por algo que eu acabo descobrindo aqui no morro, Tia Célia é a minha caixinha de segredos. Pit: O arrom.bado tá passando pano para estrupa.dor. — ele fala e a Emily coloca às mãos na boca chocada e a Tia Célia fecha os olhos e sacode a cabeça em negação.
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