Pré-visualização gratuita Capítulo 01 - Cachorro
Cachorro narrando...
Estava sentado em um pano esticado aqui no pico do morro, aqui é o meu lugar favorito, o lugar onde encontro paz... Estava observando o céu e abri um sorriso, é incrível né, o tamanho disso tudo, mas é meio louco de pensar que tem gente que tem o controle disso tudo e não sabe aproveitar... Só de pensar no descaso que é feito com os moradores e até mesmo nós vapores, é triste demais... Ser Dono de Morro e ter todo esse poder, deveria servir para ajudar os moradores e a comunidade, pô, é o teu lugar, onde tu manda e desmanda...
Tu deve querer ver o bem da sua comunidade, às coisas fluindo para todos e não deixar todos com medo de você! Infelizmente não é assim que todos pensam... Afasto esses pensamentos e continuo observando o céu, sinto uma presença atrás de mim e quando viro, vejo o Pit, o mesmo vem até mim e faz o toque comigo, ele senta ao meu lado e fica observando o céu junto comigo.
Pit: Gosto muito daqui... — ele fala e eu aceno com a cabeça em confirmação. — Ai, já levei aquela cesta básica para o Sr. Tobias.
Cachorro: Certo, isso que é o certo, a gente ajuda como pode, valeu por embarcar nessa comigo.
Pit: Esse é o lugar onde crescemos, já que o patrão não faz pelos moradores, nós fazemos. — ele fala com um sorriso no rosto.
Pit é o meu melhor amigo, ele embarcou nessa loucura comigo, nós ajudamos os moradores como podemos, mas tudo no sigilo, pois se o Ganso ou o Capelão descobrirem, estamos perdidos, mas eu não ligo, estou sempre dando o meu melhor e se eu tiver que morrer por isso, eu morro feliz da vida, porque sei que estou fazendo o melhor pelos moradores onde eu moro.
Bom, eu sou o Rafael, sou cria do morro desde menor, não nasci aqui e nem faço ideia de quem são os meus pais, para ser sincero, não faço nem questão... Eu sou vapor, meu vulgo é Cachorro, mas de Cachorro não tenho nada, sou muito na minha, não sei o porquê esse vulgo pegou, mas eu aprendi a gostar dele... Depois de ficarmos mais um tempo observando o céu, eu levantei e ajudei o Pit a levantar também... Cada um tomou o seu rumo, cheguei em casa e tomei banho, me joguei na cama.
Cachorro: Deus, eu só peço que às coisas melhorem aqui nesse morro, e que tudo entre em seu devido lugar. — peço antes de dormir...
Acordei na manhã seguinte e já fui direto para o banho, passei na casa da Tia Célia, e para a minha sorte, a Emily não estava lá, a mesma abriu a porta com um sorriso no rosto, ela me deu um beijo na bochecha e deu passagem para mim entrar.
Célia: Bom dia, meu menino, como está? — ela pergunta me puxando para a cozinha.
Cachorro: Bom dia minha rainha... Tô bem e a senhora? — sento na mesa e começo a tomar café.
Célia: Tudo ótimo, meu menino... Que bom, soube o que fez ontem pelo Sr Tobias, você e o Pit, peço todos os dias para Deus guardar vocês, não quero nem pensar se um dia o Ganso descobre. — ela fala e eu confirmo.
Cachorro: Eu sei, tia, mas é aquilo, eu amo essa comunidade, e ajudo da forma que eu posso.
Célia: Você seria um ótimo dono de morro, é uma pena que o nosso é comandado por aquele cara. — ela fala e eu apenas confirmo a cabeça...
Cachorro: Muito obrigado pelo café, tia, agora preciso ir lá. — digo dando um beijo na testa da mesma. Estava saindo da casa, quando cruzei com a Emily, a mesma é linda, mas é na dela, ela me olhou e apenas acenou com a cabeça e eu fiz o mesmo...
O nosso caso, bom, ele é bem complicado, já ficamos algumas vezes, mas ela nunca falou sobre relacionamento e nem eu, então seguimos assim, mas de uns dias para cá, ela anda me evitando, e quando perguntei o que era, ela disse que nada e que nunca tivemos nada sério, então não tínhamos o porquê ficar mil simpatias sempre... Confesso que fiquei meio em choque, mas fiquei na minha, se ela queria dessa forma, eu não poderia desrespeitar a mesma, só me restava dar o espaço que ela precisa!
Fui para a boca e o Dodô já veio chamando os vapores que estavam entrando no plantão, logo ele chamou por mim e o Pit e eu abri um sorriso em saber que vamos fazer mais um plantão juntos, ele me alcançou a minha bolsinha com às drogas e o dinheiro para dar de troco, agradeço ao mesmo e vou para a parte do beco que eu costumo ficar, normalmente ficamos de dois em dois, então o Pit logo veio comigo, ficamos sentados ali conversando, até que um noia chegou.
Xx: Aí Cachorro, da dois pinos de 15,00. Ele fala e eu confirmo, o mesmo me dá uma nota de 50 e eu devolvo 20 de troco, ele sai dali e o Pit está atendendo uma mina, a mesma está oferecendo sexo em troca da droga.
Pit: Aí namoral, Amanda, tu sabe como funciona às coisas, aqui não rola essa troca não, quer droga e t*****r, procura em outro ponto. — ele fala sério e a mesma sai dali, logo a Samara chega e pega um pedaço de mac.onha e um pino, ela paga o mesmo e mete marcha dali.
Cachorro: É triste ver a que ponto o pessoal chega pelo vício, né? — digo me referindo a Samara e ele confirma.
Pit: É louco esse mundo, ela era toda pra frente, sempre correndo atrás do dela e simplesmente caiu nesse mundo.
Cachorro: Dizem que é por causa dos pais dela, né... — falo e ele confirma.
Pit: Sim, a falta de condição no morro, é fo.da, soube que ela veio na boca atrás de uma casa para alugar, mas o Ganso disse que não tinha, o que manteve ela com os pais e ela acabou entrando para essa vida torta.
Cachorro: E o que mais tem é casa para alugar aqui no morro. — digo desacreditado e ele confirma.
Ficamos ali, o dia até que foi tranquilo, às vendas foram boas, entregamos o plantão e metemos marcha para às nossas casas, elas são perto uma da outra, no caminho, cruzamos a Sofia que assim que viu o Pit já revirou os olhos, o que fez o mesmo rir.
Cachorro: O que foi que pegou entre vocês? — pergunto e ele dá de ombros.
Pit: Sofia é louca, ela mudou comigo do nada, se afastou, todas às vezes que fui atrás, meteu o louco, dizendo que a gente não rolava mais, então segui o baile, se ela não quer, tem quem queira, né não?
Cachorro: É, essa que é as ideia. — digo e ele confirma sorrindo, entramos no nosso beco e fizemos o toque, ele meteu marcha para a casa dele e eu entrei na minha, a casa dele é quatro casas depois da minha. Procurei algo para comer e não tinha nada, então tomei banho rapidinho e meti marcha para o restaurante da Sr Augusto, pedi uma marmita e não demorou muito para ficar pronta, desci indo em direção ao meu beco, e quando passei por um beco, escutei o Ganso falando com um vapor.
Ganso: Não seja i****a, se outros vapores verem você estrupando uma dessas meninas, o bagulho vai ficar louco, vão querer linxar você e eu não vou poder fazer nada, eu passo pano fingindo que não vi, mas se isso chegar até mim, eu não tenho muito o que fazer. — ele diz e o vapor confirma saindo dali, ele sai do beco e me vê.
Cachorro: Boa noite, patrão. — digo e aceno com a cabeça para o mesmo e ele me olha acenando de volta, eu vou em direção a minha casa, fingindo que não vi nada, mas o ódio que eu tô é fora do normal, o Ganso não vale merda nenhuma e agora está passando pano para estrupo, ele só pode ter perdido a noção mesmo, e o pior é que eu não sei nem como resolver uma p.orra dessas, passo a mão no rosto nervoso e acabo perdendo até a fome.