O dia amanheceu limpo, como se o céu tivesse esquecido da guerra. Mas o céu não esquece. Só observa, à espera do próximo trovão. Sofia acordou com o som de passos no apartamento. Por um segundo, achou que ainda sonhava, até ouvir a voz dele — suave, grave, conhecida. — Café pronto. E sem açúcar, do jeito que você gosta quando precisa pensar. Lorenzo estava ali, com uma camisa simples, o olhar cansado e o sorriso que ela jurou guardar pra sempre. Era o primeiro amanhecer em paz desde o caos. — Você devia estar descansando — ela disse, sentando-se. — E você devia parar de anotar ideias às cinco da manhã — ele devolveu, com ternura. Sofia olhou o caderno aberto na mesa: “A liberdade é o amor que sobreviveu à guerra.” Ele se aproximou, tocando o cabelo dela com cuidado. — A gente v

