A manhã amanheceu cinza. O tipo de cinza que engana — parece paz, mas anuncia tormenta. Sofia acordou antes do despertador. Não dormira direito. O envelope sobre a mesa continuava lá, como um visitante indesejado. O nome “Álvaro Mendes” não estava escrito em lugar algum, mas ela sentia, no fundo, que aquele silêncio burocrático tinha dono. Colocou café na xícara e observou a fumaça subir. Desde que tudo começou, aquele aroma era sua única constante. Quando o celular vibrou, o nome de Lorenzo acendeu na tela. — Bom dia. — disse ele, a voz rouca de sono. — Mais ou menos. Recebi o relatório ontem. Procedimento aberto. Denúncia anônima. Lorenzo suspirou, mas o tom dele foi calmo. — Eu já sei. Helena confirmou que veio de dentro do conselho. Sofia ficou em silêncio por um momento. — Ent

