A manhã nasceu luminosa sobre o campus da Faculdade de Arquitetura.
O prédio principal parecia ainda mais imponente naquele dia, refletindo o céu azul em suas fachadas de vidro. Pelos corredores, grupos de alunos carregavam maquetes, tablets e tubos de plantas, comentando ansiosos sobre as apresentações finais.
Para muitos, aquele era apenas mais um dia importante.
Para Nathan Cristian, era o dia de provar mais uma vez por que era considerado o melhor aluno da universidade.
Ao seu lado, como sempre, estavam Thiago Moreira e Yuri Vasconcelos, igualmente impecáveis em roupas elegantes e postura confiante.
— Me diz de novo por que eu aceitei apresentar depois de passar a madrugada revisando? — Thiago resmungou, segurando a maquete com cuidado.
Yuri ajeitou o blazer claro.
— Porque sem nós, o gênio aqui teria que fazer amizade com o resto da turma.
Nathan lançou um olhar frio.
— Não exageram. Vocês só estão aqui porque não estragam meu padrão.
Thiago sorriu.
— Isso foi a coisa mais gentil que você já disse.
Ao entrarem na sala de projetos, os olhares vieram instantaneamente.
As fileiras estavam cheias.
Entre os alunos, alguns rostos conhecidos observavam o trio com curiosidade e admiração.
Helena Duarte, a melhor aluna em urbanismo, cabelos cacheados e postura sempre impecável.
Caio Ferraz, talentoso em design estrutural, competitivo e conhecido por nunca aceitar perder.
Lívia Monteiro, apaixonada por interiores, dona de uma personalidade afiada e língua ainda mais rápida.
E Mateus Prado, brincalhão, herdeiro de uma construtora famosa e amigo ocasional do trio.
— Lá vêm as celebridades da arquitetura — provocou Lívia.
Thiago piscou para ela.
— Você sabe que nos ama.
Nathan ignorou todos e seguiu para a frente da sala.
O professor Augusto entrou logo em seguida.
Homem experiente, respeitado e extremamente exigente, era uma lenda no curso.
— Comecem — ordenou.
Nathan respirou fundo e a apresentação teve início.
A tela atrás deles exibiu o projeto da Biblioteca Sustentável Horizonte.
Nathan assumiu a fala com segurança absoluta.
— Nosso conceito foi criar um espaço onde a estrutura dialoga diretamente com a natureza e a experiência humana.
Thiago avançou a maquete.
— Jardins verticais integram a fachada, reduzindo a temperatura interna e proporcionando conforto térmico.
Yuri completou:
— Enquanto o sistema superior utiliza energia solar e reaproveitamento de água da chuva, garantindo eficiência e sustentabilidade.
A turma observava em silêncio.
As imagens renderizadas mostravam um edifício luxuoso, moderno e funcional.
Até o professor parecia impressionado.
— Excelente uso de luz natural — comentou Helena em voz baixa para Lívia.
Nathan continuou.
— A arquitetura não deve apenas existir. Ela precisa respirar junto com quem a utiliza.
Foi nesse instante que a porta da sala se abriu.
O som do trinco ecoou como se tivesse silenciado o mundo.
Todos olharam.
E congelaram.
Um garoto entrou com passos calmos.
Era absurdamente bonito.
Os cabelos claros e compridos caíam suavemente sobre os ombros, brilhando sob a luz da sala. O rosto angelical tinha traços delicados e perfeitamente harmónicos, enquanto os olhos azuis eram tão intensos que pareciam prender qualquer olhar.
Por um segundo, até Nathan perdeu a linha de raciocínio.
Os murmúrios começaram imediatamente.
— Meu Deus…
— Quem é ele?
— Ele parece um príncipe.
— Que olhos são esses?
Até Thiago piscou algumas vezes.
— Ok… isso foi inesperado.
O professor Augusto ergueu a mão, chamando atenção.
— Turma, este é Noah Robson, aluno transferido do curso de Arquitetura de Londres.
O silêncio foi substituído por aplausos instantâneos.
Noah sorriu com gentileza, um sorriso tão bonito que arrancou ainda mais suspiros.
Nathan observou em silêncio.
Pela primeira vez, havia alguém no campus capaz de rivalizar com a atenção que ele recebia.
E isso o incomodou.
Noah sentou-se em uma carteira vazia na primeira fileira, mantendo os olhos atentos na apresentação.
Nathan retomou a postura.
— Como eu dizia…
Mas algo havia mudado.
Sua concentração, antes impecável, agora era atravessada pela presença do novo aluno.
Ao final, aplausos preencheram a sala.
O professor assentiu.
— Excelente trabalho. Nota máxima.
Thiago levantou os braços discretamente.
— Eu sabia.
Antes que o trio voltasse aos lugares, o professor olhou para Noah.
— Senhor Robson, gostaria de ouvir sua análise.
Todos se viraram para ele .O Noah levantou-se com elegância a voz era suave, mas segura.
— O projeto é brilhante a relação entre funcionalidade e estética está muito bem resolvida.
Nathan cruzou os braços até ali, nada demais.mas Noah continuou.
— Porém, eu faria um ajuste no eixo de circulação do segundo pavimento. A passagem central pode criar um ponto de sombra excessivo no jardim interno em determinados horários do dia.
A sala inteira ficou em silêncio,caio arregalou os olhos.
— Ele percebeu isso só olhando?
Yuri virou-se lentamente para Nathan.
Porque Nathan também havia percebido aquele detalhe.
Era o único ponto que ele ainda pretendia refinar.
Noah aproximou-se da tela.
— Se movermos a circulação três metros para a lateral leste, a incidência solar permanece equilibrada sem comprometer o fluxo.
O professor sorriu, claramente impressionado.
— Excelente observação.
Helena começou a aplaudir.
Em segundos, a sala inteira acompanhou.
Nathan ficou imóvel.
Não era apenas beleza.
Noah era inteligente.
Muito inteligente.
Thiago aproximou-se do amigo e murmurou:
— Acho que você finalmente encontrou alguém à altura.
Nathan não respondeu.
Seus olhos estavam presos em Noah.
Noah voltou ao lugar, e por um breve segundo seus olhos azuis encontraram os de Nathan.
O choque silencioso daquele olhar pareceu atravessar a sala inteira.
Lívia sussurrou para Helena:
— Isso vai render.
Mateus riu.
— O rei do gelo acabou de encontrar um rival.
O professor começou a distribuir as próximas tarefas.
— Para o novo projeto, quero duplas.
Os murmúrios aumentaram.
Thiago lançou um olhar divertido para Nathan.
— O destino está sendo muito óbvio.
Nathan ignorou.
Mas no fundo, algo estranho crescia dentro dele.
Não era raiva,não era apenas competição era curiosidade uma curiosidade perigosa.
Porque pela primeira vez alguém não apenas roubou os olhares do campus
Como também conseguiu capturar os dele.
E Nathan Cristian odiava admitir, mas no instante em que Noah Robson entrou naquela sala, algo em sua vida perfeitamente organizada começou a mudar.