trabalho em dupla

1001 Palavras
A sala de projetos ainda estava tomada pelo burburinho da apresentação quando o professor Augusto fechou a pasta de avaliações e caminhou lentamente até a frente. O olhar experiente percorreu cada aluno. — Para o próximo desafio, quero algo ainda mais ousado os murmúrios cessaram. No telão surgiu o novo tema: Centro Cultural Multifuncional — luxo, inovação e identidade urbana. Thiago soltou um assobio. — Isso tem a cara do Nathan. O professor continuou: — E, para estimular novas perspectivas, as duplas serão escolhidas por mim. Nathan ergueu o rosto no mesmo instante. Aquilo nunca era bom. Ao lado dele, Yuri já sorria, como se previsse o caos. O professor começou a anunciar os nomes. — Helena com Caio. Lívia com Mateus. Thiago com Yuri. Thiago bateu na mesa satisfeito. — A dupla perfeita. Nathan permaneceu imóvel, esperando. O professor então sorriu levemente. — Nathan Cristian… com Noah Robson. A sala explodiu em reações. — Eu sabia! — Lívia praticamente cantou. — Isso vai ser lendário — Mateus completou. Thiago virou-se para Nathan, segurando a risada. — O destino realmente te odeia. Nathan fechou o notebook com calma controlada. — Professor, eu trabalho melhor sozinho. Augusto cruzou os braços. — Então considere isso um exercício de humildade. Alguns alunos riram. Nathan respirou fundo, claramente contrariado. Noah, por outro lado, levantou-se com tranquilidade e aproximou-se. — Parece que vamos sobreviver um ao outro — disse ele, com um sorriso gentil. Nathan sustentou o olhar azul intenso do outro. — Não conte com isso,Thiago e Yuri trocaram um olhar divertido. — Já estou amando essa dupla — Yuri murmurou. No corredor, após a aula, a movimentação parecia ainda maior do que o normal. Noah caminhava ao lado de Nathan, segurando o tablet com as anotações do projeto, e era impossível não notar o efeito que causava. Os cabelos claros e compridos atraíam olhares por onde passava, e o rosto angelical parecia hipnotizar todos ao redor. As meninas sussurravam. Até alguns rapazes desviavam o olhar tarde demais. — Ele é ainda mais bonito de perto… — Os olhos dele são irreais… — Como alguém pode ser tão perfeito? Nathan ouviu tudo. E por algum motivo, aquilo o irritou. — Você sempre chama tanta atenção assim? — perguntou, em tom seco. Noah virou-se para ele, surpreso. — Não faço por querer. — Claro. Noah soltou uma pequena risada. — Está incomodado, Nathan? Nathan manteve a expressão fria. — Eu só prefiro silêncio. Noah inclinou a cabeça, divertido. — Então vai ser difícil trabalhar comigo. Ao longe, Thiago apareceu ao lado de Yuri. — Ei, Nathan! Não esquece de pedir o número dele antes de discutir a planta. Yuri completou: — E tenta não se apaixonar no processo. Nathan lançou um olhar mortal para os amigos. — Sumam. Thiago gargalhou. — Ele já está sensível. Noah tentou esconder o sorriso. Na lanchonete, a presença da nova dupla virou imediatamente o assunto principal. Nathan e Noah sentaram-se perto da janela, com cafés e tablets sobre a mesa. Por alguns segundos, o silêncio pairou. Foi Noah quem o quebrou. — Então você sempre é assim? Nathan ergueu uma sobrancelha. — Assim como? — Frio, arrogante e levemente hostil. Nathan cruzou os braços. — E você sempre analisa as pessoas tão rápido? Noah sorriu. — Apenas as interessantes. A resposta arrancou um raro silêncio de Nathan. Noah abriu o tablet. — Vamos focar no projeto. Pensei em um centro cultural com espaços modulares, capazes de mudar conforme eventos. Nathan aproximou-se para observar. — Isso é bom. Noah continuou. — Fachada viva, com elementos que reflitam a identidade da cidade. Algo que conecte arte, tecnologia e convivência. Nathan apoiou o cotovelo na mesa. — Você pensa rápido. — Você também. Os olhos dos dois se encontraram por um instante. Uma tensão silenciosa surgiu, quase elétrica. Nathan desviou primeiro. — Vamos nos reunir hoje à noite na minha cobertura. Noah piscou. — Convite profissional? — Não se anime. Noah riu de verdade dessa vez. Mais tarde, em outro prédio próximo ao campus, Noah abriu a porta do apartamento que dividia com seu melhor amigo. O espaço era sofisticado, moderno e confortável, embora menos extravagante do que a cobertura de Nathan. Na sala, Zander Collins estava jogado no sofá. Alto, cabelos escuros, olhos verdes intensos e um sorriso de quem sempre sabia mais do que demonstrava. Ele também estudava arquitetura, embora em uma turma diferente. — Então? Primeiro dia oficial e você já virou a sensação do campus — Zander provocou. Noah jogou a mochila na poltrona. — Não exagera. Zander arqueou a sobrancelha. — O grupo da Helena já está comentando. Dizem que você fez o Nathan Cristian perder a pose. Noah parou por um segundo. — Ele não perdeu a pose. — Ainda. Noah riu e sentou-se ao lado do amigo. — Ele é exatamente como disseram. Frio, brilhante, arrogante… e estranhamente fascinante. Zander abriu um sorriso lento. — Ah, então é isso. Noah franziu a testa. — Isso o quê? — Você está interessado. Noah negou imediatamente. — Não. Estou curioso. — Curiosidade é sempre o primeiro passo. Noah pegou uma almofada e atirou no amigo. — Cala a boca. Zander riu alto. — Vocês foram colocados na mesma dupla. Isso é praticamente roteiro de romance universitário. Noah passou a mão pelos cabelos claros. — Ele é difícil. — Justamente por isso você gostou. Noah ficou em silêncio por um momento, lembrando do olhar intenso de Nathan. Da forma como ele parecia inabalável por fora, mas guardava algo muito mais profundo por dentro. — Talvez ele só nunca tenha encontrado alguém que o desafiasse de verdade — Noah murmurou. Zander observou o amigo com um sorriso conhecedor. — E você quer ser essa pessoa. Noah não respondeu. Mas o brilho diferente em seus olhos azuis disse tudo. Enquanto isso, do outro lado da cidade, Nathan estava em sua cobertura, olhando o projeto no tablet. E pela primeira vez, em vez de pensar apenas na estrutura estava pensando no Noah.
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