MAYA - O GESTO DELE

1815 Palavras

Maya Eles não me machucaram. Isso foi o que mais me assustou. Durante o caminho inteiro, desde a calçada em Copacabana até a subida do morro, eu esperei o tapa. Esperei o puxão de cabelo. Esperei o soco. Tava preparada pra dor, pra violência, pra humilhação. Era o que eu conhecia. Era o que eu esperava dele. Mas não veio nada disso. Os homens do Russo foram firmes, mas não violentos. Um deles segurou meu braço pra me guiar até o carro, mas sem apertar. Outro abriu a porta pra mim, quase educado. Quando eu tropecei no degrau do carro — as pernas bambas, o coração disparado, o medo me engolindo viva — ele segurou meu cotovelo com cuidado, me ajudou a subir. — Desculpa, dona — ele murmurou baixo, quase constrangido. — O chefe mandou não tocar em você. Dona. Eles me chamaram de dona.

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