Russo Eu quase não me reconheci no espelho antes de sair. Fiquei alguns segundos parado, encarando meu próprio reflexo como se fosse outro cara ali. Terno escuro, corte limpo, caindo certo no corpo. Camisa fechada até o segundo botão. Nada de corrente pesada brilhando no peito. Nada de relógio chamativo. Nada de exagero. Se não fosse a tatuagem sobre a sobrancelha escrito meu vulgo, nem mesmo eu me reconheceria. O cabelo alinhado. A barba feita. Perfume discreto. Simples. Arrumado. Controlado. Respirei fundo. — É… — murmurei pra mim mesmo. — Tu não é mais o mesmo. Não era frase de efeito. Era constatação. Se fosse antes, eu chegaria nesse restaurante como dono. Como quem entra pra ser visto, respeitado, temido. Hoje… Hoje eu tava indo como homem comum. E isso, p***a… isso pe

