Russo Quando a porta da minha casa se abriu e eles trouxaram a Maya, eu senti o chão sumir debaixo dos pés. Não é exagero. Não é poesia. É verdade. O chão sumiu. O mundo parou. O coração deu aquele tranco que parece que vai rasgar o peito. Eu tava sentado no braço do sofá há horas, esperando, fumando, bebendo, me destruindo por dentro. E aí a porta abriu. Ela tava lá. Pálida. Os olhos grandes cheios de medo. O cabelo bagunçado, a roupa amassada. Porém ainda mais linda. Sempre mais linda. Mesmo destruída, mesmo apavorada, mesmo me odiando, ela era a coisa mais bonita que eu já vi na minha vida inteira. Eu não gritei. Não xinguei. Não avancei. Apenas fiquei parado, olhando pra ela. Devorando ela com os olhos. Gravando cada detalhe. O jeito que a mão dela tava na barriga. O jeito que el

