Chanyeol não conseguia evitar o sorriso, foi a melhor tarde que estava tendo em muito tempo.
A primeira coisa que fez ao chegar em casa foi tirar suas roupas e colocar no cesto de roupa suja, colocando também algumas roupas de academia para lavar, para que Kris não desconfiasse de nada. Não queria ser alvo de nenhum questionamento que lhe pudesse deixar brevemente chateado depois de tudo que aconteceu.
Tomou um banho rápido e vestiu-se com uma calça e blusa de manga longa, afinal não tinha certeza se havia ficado ou não marcas em seu corpo depois de tudo que tinha acontecido, mas ele sabia que em Baekhyun havia várias deles. Pelo menos Baekhyun tinha sido cauteloso naquele ponto.
Continuou a sorrir bobo enquanto fazia o jantar, desejando que nem precisasse ter saído do apartamento do Byun, queria poder ficar com ele a noite toda, sentir mais dos seus beijos e seus carinhos. Talvez Chanyeol estivesse ficando um pouco dependente daquela “amizade”.
Engoliu o sorriso e tentou esquecer dos seus momentos felizes enquanto ouvia a chave na porta, sabia que se mentisse seria insultado e se falasse a verdade, seria insultado. Já dizia o ditado “quem não é visto, não é lembrado”, preferiu ficar na sua, em seu canto. Sem muito diálogo.
Aquele pensamento lhe gelou o estômago.
Em todos os anos em que estava com Kris, a sua baixa autoestima e sua falta de amor próprio lhe fizeram acreditar nas palavras do mais velho. Infelizmente, até há algumas semanas atrás sua ideia de felicidade era não estar sozinho, mas desde que viu Baekhyun na janela pela primeira vez, tudo isso começou a mudar. Aquela tarde fez tudo mudar.
A forma como Baekhyun tocava seu corpo, o beijava por inteiro e se preocupava com cada momento, onde dizia o quanto gostava de uma parte do seu corpo ou o quanto era bonito, isso havia mudado tudo. Nunca tinha sido tratado daquela forma, achava que o que Kris lhe dava era o máximo de afeto que poderia receber, e que não deveria reclamar.
Baekhyun o chamava para almoçar hambúrguer, não ligava para o seu suor, lhe fazia sorrir e… não saberia dizer se estava apaixonado pelo vizinho, mas estava mexido com as atitudes dele, estava afetado com tudo que estava acontecendo. Kris controlava cada coisa que fazia, implicava com o que comia, até com a academia que tanto gostava de ir.
Preparava a comida e tomou um susto quando notou a proximidade do companheiro.
— Chanyeol! — gritou Kris. — Em que mundo você está? É a terceira vez que estou te chamando. — Perguntou apertando o braço do namorado, fazendo o Park engolir em seco.
— Hm? Desculpe, não estou me sentindo muito bem hoje.
— É, estou vendo, seu pai me ligou para perguntar se você estava bem, já que não tinha voltado do almoço, mas veja a minha surpresa ao tirar uma folga e ver que meu marido ainda não estava em casa. Onde você estava?
— Fui dar uma volta, tomar um ar. - Sentiu-se tenso, não imaginava que ele teria ido em casa lhe procurar.
— Para dar um volta você estava bem, mas para trabalhar não? Foi dar uma volta onde? Com quem? — Perguntou irritado, apertando mais o braço do mais novo. Seu olhar parecia furioso, ainda que na cabeça de Chanyeol, se de fato estivesse falando a verdade sobre dar uma volta, aquilo não seria motivo para tanto.
— Sozinho. Quer saber, eu não tenho que te dar satisfações do meu trabalho como você não me dá do seu. — Disse soltando o braço com força. — Eu estava de saco cheio e fui sair, e daí? Tenho que ficar preso no meu trabalho como fico preso com você? Pelo amor de Deus. — Disse desligando o fogo e saindo de perto de Kris, indo para o quarto e fechando a porta com força.
Respirou fundo logo em seguida, estava fazendo uma loucura. Foi extremamente impulsivo e tinha medo das consequências de suas ações.
Procurou rápido suas chaves e seu celular, colocando tudo no bolso e abrindo a porta.
— Onde você pensa que vai? — Yifan estava parado em frente à porta, estava pronto para abrí-la, mas Chanyeol o fez primeiro.
— Dar outra volta. — Foi firme, mesmo que suas pernas estivessem tremendo um pouco.
— Se você for, vai se arrepender quando voltar. — Praticamente rosnou trincando os dentes, pronto para levantar a mão.
O Park olhou nos olhos dele e sentiu os seus enchendo de lágrimas, ao ponto de uma delas escorrer pela bochecha. Foi um segundo, mas ele pensou.
Pensou em ficar, pensou em todos aqueles anos juntos, na vida que tinham e o quanto de si havia sido destruído naquele caminho. Pensou que o amava, mas também pensou no momento em que começou a amar a si mesmo, a pensar no quanto aquele relacionamento não estava certo. Por isso, mesmo com as lágrimas escorrendo pelo rosto, apenas desviou de Yifan e saiu da casa, se recusando até mesmo a esperar o elevador, simplesmente correu dali.
Sentia dificuldade de respirar enquanto chorava e corria o mais rápido que podia, descendo as escadas do prédio até que tivesse saído dele e corresse um pouco pelo condomínio, dando uma volta a mais apenas para voltar ao prédio da frente e ir até o apartamento da única pessoa que o ajudaria naquele momento.
Bateu no apartamente de Baekhyun um tanto ofegante, engolindo em seco.
No momento que abriu a porta o Byun estava sorrindo de ver o Park ali, mas logo ele se fechou ao ver como o rosto do maior estava. Abraçou o corpo dele de imediato e logo o levou para dentro do apartamento, sentando com ele no sofá.
Chanyeol não queria incomodar, mas para onde iria? Precisava de um “colo” e a única pessoa que vinha a sua mente era Baekhyun, por mais que não quisesse incomodá-lo com seus problemas conjugais, pois achava injusto.
— Ele te machucou? Ele te bateu? Por favor, não fica em silêncio desse jeito. — Baekhyun disse, angustiado com aquela situação, até sentindo-se culpado por tê-lo, provavelmente, levado a isso. Beijou a testa de Chanyeol, preocupado enquanto o abraçava segurando-lhe o rosto contra o próprio peito.
— N-não me bateu…
— Mas machucou? — Perguntou, praticamente afirmando devido ao silêncio do outro.
Levou as mãos à camisa do Park e a puxou com delicadeza, tirando-a do corpo malhado.
— Ele deixou seus braços roxos de novo. — Suspirou, dando beijinhos nos braços de Chanyeol e depois nos ombros dele.
— E-eu… acho que surtei, Baekkie. Eu disse pra ele que me sentia preso naquela casa e eu sabia que ele ia me bater, então eu só saí correndo de lá, eu não sabia para onde ir. Me desculpe por ter vindo.
— Não tem porque se desculpar. Queria muito que você voltasse, não desse jeito, mas eu queria muito. — Sorriu e abraçou o corpo do mais novo. — Eu estava fazendo o jantar. Por que não comemos e deixamos para resolver essas coisas amanhã?
— Eu estou com medo. Amanhã é sábado, como eu vou voltar pra casa? O que eu vou fazer? Eu cometi um grande erro. Como vou voltar para casa depois de ficar aqui?
— Um erro em talvez ter salvo sua vida? Um erro em pensar em si mesmo e não deixar que um b****a machuque você? Ao perceber que aquilo não é um relacionamento saudável e sair fora? Não, Chanyeol. Você fez muito bem em ter saído de casa e, na minha opinião, deveria ter feito muito antes. Não quero que se preocupe com o amanhã, eu vou te ajudar a dar um jeito nisso e, se você realmente quiser dar um basta, eu estou aqui. Mas preciso que você pense, sendo bem sincero com você. Não vale a pena se arriscar agora para depois voltar com ele.
Baekhyun suspirou, não queria ser tão duro com Chanyeol, mas como advogado familiar, já havia visto muitos casos de pessoas que procuravam ajuda das autoridades para sair de um relacionamento abusivo porque sentiam suas vidas em perigo e na hora da audiência diziam que caíram da escada ou coisas do gênero. Não estava pronto para Chanyeol ser mais um desses. Na verdade, doeria muito se Chanyeol fizesse aquilo.
O Park ficou sentado um tempo, olhando para o nada e pensando no que Baekhyun havia dito. Era difícil de aceitar aquelas palavras, mas não podia fingir que não estava pensando naquilo. Seria uma decisão difícil de tomar, e o pior de tudo era que estava com medo do que poderia acontecer caso deixasse Yifan, o que só reforçava que aquilo não era um relacionamento saudável. Tinha medo de Yifan, receio dele o perseguir e fazer algo grave.
Por que só agora pensava naquilo? Antes não tinha imaginado que o companheiro seria capaz daquele tipo de coisa? Sentia-se culpado, por ter sido tão i****a a ponto de acreditar em Yifan, pensar que poderiam ser felizes juntos.
Suspirou e foi atrás de Baekhyun na cozinha. O mais velho estava cortando os temperos e Chanyeol não conseguiu conter o impulso de abraçar o corpo dele por trás, apoiando a cabeça em seu ombro.
— Eu sei que você tem razão em tudo que disse, mas antes de te conhecer… eu não tinha ideia de que poderia conhecer alguém como você. Eu sempre tive muito medo de ficar sozinho, de nunca achar ninguém e ele… era um bom homem quando o conheci.
— Eles sempre parecem bons homens. Eu não quero que pense que faço essas coisas por mim, eu me preocupo com você, gosto de você. Sei que vai ser uma decisão difícil, até mesmo dolorosa. Mas eu tenho medo de saber de você pela capa de um jornal, Chanyeol. — Disse baixinho e virou para o maior, beijando os lábios dele em seguida. — Quero que você seja feliz, não faço isso somente para que possamos ficar juntos sem empecilhos. Quero que você possa viver sozinho sem sentir medo, que você perceba que é suficiente!
— Não vai saber. Eu quero me separar. Você tem razão. Preciso ficar um tempo comigo mesmo, entende? Preciso me entender e saber como as coisas funcionam desse novo jeito. Sem ele, sabendo que ele estava mentindo, que outras pessoas podem gostar de mim.
— Isso é ótimo. Você deve mesmo. — Sorriu e voltou a beijar o Park. — Mas ainda podemos ser amigos, com algo mais.
— Em nenhum momento pensei em excluir você da minha vida nova.
— Que bom. — Sorriu e acariciou as bochechas de Chanyeol, lhe dando vários selinhos.
(...)
Chanyeol não teve coragem de ficar em frente à janela do Byun naquele fim de semana, tentou ao máximo se esconder de todos os vizinhos. A verdade é que tinha medo de que Kris descobrisse onde estava, que fosse atrás de si e o problema fosse ainda maior. Não queria envolver Baekhyun naquela situação mais do que já estava envolvido.
— Diz que não quer me mandar embora hoje. — Falou Chanyeol, olhando para o teto naquela manhã de domingo enquanto compartilhava a cama com o Byun.
— Não, eu não quero. — Baekhyun riu, beijando a bochecha dele. — Mas você já pensou no que fazer?
— Sim, eu quero me separar dele e arrumar um apartamento só pra mim, mas pra isso eu preciso que ele saia de casa. — Disse fazendo bico, o que fez Baekhyun rir
— Tudo bem, amanhã quando ele for trabalhar, a gente pega umas roupas suas e você pode ficar aqui o tempo que for necessário, até achar um apartamento. — Passou os braços ao redor da cintura de Chanyeol, beijando o peito desnudo dele.
Não tinham ido muito além nas carícias, não havia clima. Ainda mais quando Yifan perturbava toda hora. Sempre que ligava o telefone não demorava muito para o aparelho começar a vibrar.
— Hoje nós podemos aproveitar nosso tempo juntos, já que raramente temos essa sorte. — Fez aspas com os dedos ao dizer a última palavra. — E passar o dia todo na cama, o que acha?
Chanyeol riu, enquanto fazia um carinho de leve no rosto de Baekhyun.
— Eu acho uma excelente ideia. — O beijou com avidez, abraçando o corpo menor com força contra o seu.
Permitiria-se esquecer pelo menos por algumas horas o caos que estava a sua vida. E Baekhyun se esforçou para que isso acontecesse, o tratando com atenção e o distraindo de pensamentos que levassem a Yifan durante o resto do domingo.