Primeiro contato

1882 Palavras
 Aquela semana havia seguido sem grandes emoções. Chanyeol às vezes tinha a sensação de que todos os dias eram o mesmo dia. Era sempre monótono, sem graça e desgastante. No trabalho, ainda que fosse a empresa da sua família, era sempre sobrecarregado de tarefas e tinha o dobro de atribuições de um funcionário no mesmo cargo, porque era esperado dos demais que agisse como um chefe, quando na verdade não o era. Um dia assumiria como CEO, mas aquilo ainda estava longe de acontecer. Seu pai, no auge dos sessenta anos, não aparentava nem de longe ter aquela idade, continuava animado e disposto, sempre muito simpático e gentil com todos, inclusive com ele. A relação dele com a família tinha ficado um pouco abalada quando assumiu a todos que estava namorando um rapaz. Sua mãe não pareceu muito surpresa, sempre foi muito atenciosa e era esperado que soubesse e só estivesse esperando partir de Chanyeol a ideia de contar. Seu pai que pareceu um tanto desapontado, mas não lhe tratou m*l. Não partiu totalmente de Chanyeol se afastar das reuniões familiares logo assim que decidiu morar junto com Kris, mas queria evitar os olhares julgadores em sua direção e do namorado. Sentia que estava tudo bem daquela forma, um relacionamento familiar saudável, sem ninguém apontando o dedo para sua vida. Mas por vezes sentia falta de ter mais contato com o pai, com a irmã… m*l respondia às mensagens da mãe e aquilo o desanimava. Não queria arrumar um motivo para mais uma briga com Kris, que insistia em dizer que seus pais não aceitavam tão bem o relacionamento deles como o da irmã, Yoora, com o marido. O vizinho da frente havia lhe dado um ânimo na semana passada, mas talvez até ele estivesse passando por uma semana difícil, já que havia desaparecido como mágica. Não se encontraram mais na janela. Pensar daquela forma trouxe um sorriso aos lábios de Chanyeol. Desde quando ansiava por aquilo? Suspirou e continuou fazendo o jantar, tentando dissipar aqueles pensamentos de sua mente e não atrasar a refeição. Odiava os dias que Yifan lhe xingava e depois vinha pedir desculpas, dando sempre um jeito de parecer que a culpa dos problemas de ambos tinha sido totalmente dele, por ser descuidado com seus afazeres. Chanyeol ouviu o celular tocar, indicando que havia chegado uma mensagem nova, e até achou estranho, não era algo muito comum. Parou de cortar os legumes e foi pegar, vendo uma mensagem de um número desconhecido. “Oi” “Quem é?” “Me chamo Baekhyun. Espero que não se incomode." — leu aquela mensagem já imaginado quem era e sentiu seu corpo se arrepiar inteiro, era como se ele soubesse quem estava ocupando setenta por cento dos pensamentos de Chanyeol. "Eu peguei o número no grupo do condomínio.” “Tudo bem, você é o vizinho de cima? No que eu poderia ajudar?” — se fez de desentendido. “Não kkkk Eu sou o vizinho da frente… sabe… O que viu você na janela” — mandou a mensagem juntamente com um emoji de lua. “Meu Deus! Baekhyun me desculpe! Eu não sou um p********o!” “Tudo bem, eu acredito em você kkkk Já eu posso soar como um, mas… Essa semana foi complicada e tudo que eu  pensava era em que momento você ia aparecer daquele jeito de novo.” “Agora que você tem meu número, nunca mais. Você não tem ideia da minha vergonha. A propósito, me chamo Chanyeol.” “Não entendo porque ter tanta vergonha. Eu amei o que vi e… Você é muito bonito, Chanyeol” “Com certeza você viu o vizinho errado então kkkk” “Não, eu sei o corpo que vi… Você parecia bem à vontade em mostrá-lo. Não queira imaginar o que eu penso   quando te vejo lá.” “Estou imaginando mil coisas agora kkk” Eu quero que você me conte sobre isso. Mas, por favor, não me mande mensagens nesse horário. Amanhã eu te ligo.” Chanyeol não precisou dizer duas vezes, Baekhyun não mandou mais mensagens naquela noite, afinal já suspeitava que o homem que morava com o Park fosse o namorado ou marido dele, não tinha certeza de qual dos dois. Para a maioria dos demais vizinhos eles poderiam passar facilmente como primos ou irmãos, ambos altos, bonitos e fortes, mas para Baekhyun não… Ele conseguia captar os detalhes sutis que diferenciavam relações de amizade e namoro entre dois homens, sabia como era viver escondido da sociedade. Não que o companheiro de Chanyeol fizesse muita questão de esconder, já que nas poucas vezes em que os viu ele agia como um cão de guarda obsessivo. Já Chanyeol queria fingir que não, mas sentiu uma animação enorme com a mensagem. Era estranho sentir o corpo aquecer daquela forma, uma ansiedade boa que fazia o coração palpitar de forma que há muito tempo não experimentava. Sabia que com o tempo era normal algumas relações caírem no comodismo, na rotina, não esperava sentir as pernas tremerem e borboletas no estômago toda vez que visse Yifan, porém há muito tempo que se sentia exatamente daquela forma, mas de um modo r**m… As pernas tremiam ao imaginar que o namorado chegaria e faltava algo para arrumar, o estômago tremia ao pensar que ele poderia chegar de mau humor, o coração palpitava…. de medo. Tomou o cuidado para salvar o número do Byun em seus contatos profissionais, sabia que Yifan não implicaria com eles, e apagou as mensagens, logo voltando a preparar o jantar saudável de sempre. Aquele era um dos seus prazeres antes, sempre gostou de cozinhar comidas saudáveis, bem elaboradas e que fossem apetitosas. Yifan costumava elogiá-lo por isso no começo do relacionamento, sentia prazer em fazê-lo sempre que chegava antes do namorado, mas há tempos que havia deixado de ser um prazer para se tornar uma obrigação. Precisava estar em casa no tempo exato que Yifan havia calculado que demorava de seu trabalho até em casa e precisava fazer o jantar no tempo que ele deveria estar pronto quando o outro chegasse ou tudo isso se tornaria uma longa discussão. (...) — O que você aprontou hoje, Chanyeol? — Kris perguntou durante o jantar, olhando Chanyeol com os olhos semicerrados. — Nada, eu fiz tudo que faço todo dia, amor. — Você está estranho, eu cheguei e você estava sorrindo feito i****a. — Contaram uma piada no trabalho, eu só fui entender agora à noite, por isso estava rindo. — Não me admira. Você é bem lerdo mesmo. — Disse levantando da mesa, e deixando o prato na pia. — Eu espero você na cama. Chanyeol apenas concordou e levantou da mesa também, lavando os pratos e não demorando a ir deitar-se. Yifan não tardou a abraçar seu corpo, beijando-o de modo frio e colocando as mãos por dentro da roupa do Park, que normalmente correspondia de imediato os beijos do namorado, mas não naquela noite.     — O que deu em você hoje? — Eu só estou cansado, amanhã tenho tantos relatórios pra f********r. Também estou com os músculos doloridos. — Acho bom ser a academia que tem deixado seus músculos doloridos, Chanyeol. — Não sei o que está insinuando, mas amanhã, se chegar mais cedo, eu posso esperar você com algo especial. — Sorriu de leve, dando um selinho nos lábios do namorado. — Amanhã não dá, quem sabe outro dia. — Virou para o lado, fazendo o Park sentir aquela sensação r**m de que suas escolhas teriam consequências. Apenas respirou fundo e virou para o outro lado, procurando o sono. Pelo menos daquela vez ele não havia insistido. (...) Já era quase meio dia quando teve coragem de abrir os e-mails e procurar nos seus rascunhos o número do vizinho. Pensou em ligar para não deixar vestígios, mas era bem provável que sua voz acabasse falhando, por isso optou por enviar uma mensagem. “Oi, sinto muito por ter interrompido nossa conversa daquele jeito ontem.” “Espero que ainda tenha vontade de me contar o que anda imaginando quando me vê.” “Bom dia, Chanyeol! Eu me pergunto se deveria fazer esse tipo de coisas com um homem casado. Me sinto culpado.” “Ele é meu namorado. Pra dizer a verdade também me sinto, mas não tenho como fingir que não me fez sorrir ontem.” “Apesar disso, você está certo, me desculpe por isso” “Eu imagino que ele seja complicado, não quero que se desculpe, porque eu ainda não decidi parar com isso. Quero conhecer você, Chanyeol.” “Mesmo se sentindo culpado?” “Eu acho que vale a pena.” Sorriu de verdade com aquela mensagem, sentindo aquele frio na barriga, a ansiedade misturada à satisfação. Não queria ter que fazer coisas escondidas, não queria trocar aquele tipo de mensagens com o vizinho. Talvez se seu relacionamento não tivesse ficado tão frio, se não estivesse lhe machucando de algumas formas, aquilo nunca aconteceria. Jamais teria se atrevido a continuar na janela quando o visse, e se sentiria extremamente culpado, mas culpa era o último sentimento que lhe passava quando lembrava de Baekhyun. Não pretendia ir longe demais, não tinha intenção de realmente fazer algo com o rapaz, só queria se sentir um pouco mais… vivo. Não sabia se aquela era a definição certa. Mas queria sentir mais aquelas borboletas no estômago, aquela sensação de euforia. Sabia que não era certo a forma como aquilo estava se desenrolando, mas não conseguia se sentir culpado. Em dados momentos, quando esquecia de Baekhyun e pensava somente no namorado, aí sim sentia culpa… Misturada ao medo. Medo da reação dele, sabia que Yifan era muito ciumento, só de falar nos colegas de trabalho ele já fechava a cara e reclamava, imagina se soubesse o que estava fazendo. Por isso que salvou o número de Baekhyun seguido do nome da empresa de seu pai. Caso um dia Kris visse, não acharia r**m de imediato. (...) Depois de mais um dia de trabalho estressante, voltou para casa e foi para academia, como sempre fazia. Apesar de estar bem mais feliz com todas aquelas mensagens que havia trocado com o Byun, ainda assim precisava seguir com sua rotina. E naquele dia, novamente, parou em sua sacada ao voltar da academia, olhando o prédio em frente. Dessa vez estava devidamente vestido e olhava para a sacada oposta sem muitas expectativas, mas um leve fio de esperança ainda o mantinha ali, mesmo achando que seu vizinho favorito não apareceria. Felizmente esperou, levou somente alguns minutos para Baekhyun passar pela janela e parar logo ao perceber que era observado. Baekhyun era lindo demais, Chanyeol não conseguia nem acreditar em como ele era maravilhoso. Por isso não conseguiu esconder o grande sorriso quando o loirinho começou a tirar a roupa lentamente, passando a mão pelo próprio corpo e mordendo os lábios. Chanyeol chegou a engolir em seco com aquela cena, sentindo uma súbita vontade de tocar o corpo do outro e, como se Baekhyun estivesse lendo seus pensamentos, enviou a mensagem antes de sair da sacada. “Quem sabe você pode ver mais de perto qualquer dia desses.”
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