Manhã de Domingo

1533 Palavras
Chanyeol passou o dia inteiro pensando no que fez, não conseguia tirar de sua cabeça o que havia acontecido, não conseguia acreditar que havia exposto seu corpo para um completo estranho e muito menos que havia gostado de uma sensação como aquela, havia gostado de ver o olhar de desejo direcionado a si e a forma como ele mordeu os lábios. Sentia como se estivesse fora de si naquele momento. — Por que o jantar ainda não está pronto? — Foi a primeira coisa que Kris, apelido que Yifan tinha desde a infância por ter morado em outro país, disse ao entrar em casa, assustando Chanyeol de leve e o tirando de seus devaneios, fazendo o corpo tremer levemente. — Sinto muito, acabei me distraindo, mas eu já estou preparando. — pigarreou, voltando a dar total atenção a comida. — Se distraindo com o que, Chanyeol? Eu posso saber? — Perguntou enraivecido, segurando o braço do namorado com força. — Com o que você estava ocupando essa cabecinha de m***a para não fazer o mínimo? Sabe que eu odeio chegar em casa e o jantar não estar servido, eu venho cansado do trabalho, já chego tarde! Você poderia pelo menos fazer o jantar na hora. — E-eu sei… e-eu comecei um novo treino na academia e acabei não vendo o tempo passar. — disse como desculpa, mas logo não seria uma total mentira, iria começar aquele treino o quanto antes, claro, para sua forma física e não porque era um péssimo mentiroso e tinha medo de ser descoberto, — Que tipo de treino é esse? Um ainda mais relaxado? Porque eu nunca vejo p***a nenhuma mudar nesse seu corpo. — Disse soltando o braço do Park, que quase caiu com a brusquidão. — Espero que o jantar esteja pronto quando eu sair do banho — esbravejou, andando pesado em direção ao banheiro. Chanyeol concordou, cortando os legumes um pouco mais depressa para colocá-los na panela. As mãos tremiam, o que dificultava ainda mais o processo, enquanto se forçava a não derramar nenhuma lágrima. (...) Não lembrava de como aquilo começou a acontecer, de quando a cama ficou tão fria. O pior de tudo era estar ciente de que aquele não era um relacionamento saudável, que não era normal não poder sair com seus amigos, ter que ir do trabalho para casa correndo e dar a sorte da academia ser dentro do condomínio para que pudesse fazer algo, e ainda assim passar por situações como aquela, onde era cobrado. Por vezes, Yifan implicava até mesmo com a academia que tanto gostava de ir e que, para ser sincero, só começou por pressão do próprio namorado, ainda assim havia pegado gosto pelos exercícios.     Yifan havia sido perfeito no início do relacionamento. Era atencioso, romântico, mesmo que o s**o às vezes fosse bruto demais, ele sempre estava interessado em saber sobre o seu dia, sobre as coisas que gostava, os amigos que tinha… Até que, em dado momento, começou a usar tudo contra Chanyeol, obtendo vantagem de saber sobre as fraquezas e inseguranças do outro sem nunca ter dito nada sobre as suas. Ele não dizia que Chanyeol não poderia sair, que ele não poderia conversar com os amigos, tais palavras nunca saíram de sua boca, mas o Park sabia que havia uma consequência caso o fizesse, sabia que algo ele iria fazer. E poderia nem ser levantando a mão para si, poderia apenas trabalhar e voltar com marcas em casa, como um lembrete claro de que ele fazia o que quisesse caso “as regras” não fossem seguidas, além das reclamações constantes sobre como ele trabalhava demais em comparação a Chanyeol, e por isso as demais tarefas deveriam caber a ele. Chanyeol suspirou ao ver o namorado dormindo ao seu lado, tão tranquilo e inofensivo, suspirou porque não estava sentindo-se em paz com aquele relacionamento, não mais. Mas o medo de perdê-lo também doía. Acabou por sentir as lágrimas escorrerem silenciosas por seu rosto, sem deixar que fizesse barulho algum para que ele não ouvisse e não questionasse. Amava Yifan, ou pelo menos achava que sim, e não queria - não conseguia - pensar na possibilidade de dar um fim ao relacionamento, sentia-se incapaz e sem forças para sequer tentar. Já não imaginava a sua vida sem ele. (...) O domingo amanheceu ensolarado, estava uma temperatura agradável e Chanyeol até pensou em correr pelo condomínio. Era um lugar grande e fechado, apenas com prédios de apartamentos das famílias mais poderosas de Seul, como a de Chanyeol e Yifan. Poderia correr pelo lugar tranquilamente por uma hora sem que repetisse o caminho. Foi pensando nisso que, mesmo com Yifan ainda dormindo, tomou um banho e vestiu sua roupa de academia, deixando apenas um bilhete sobre a mesa informando onde estaria e o que faria. Alongou o corpo ainda no prédio, mas assim que atravessou a porta do saguão, sentiu sua barriga repuxar. Não acreditava que isso estava acontecendo. Viu o mesmo vizinho do dia anterior sair do prédio em frente, aparentemente com roupas de malhação, enquanto bebia água em uma garrafa do Rilakkuma, e parecia alheio à presença de Chanyeol. Ele era… Fofo. Foi o primeiro pensamento que veio a cabeça do Park, mas depois constatou que o vizinho possuía uma aura diferente, um ar de superioridade e imponência que Chanyeol admirava. Dava para perceber que, mesmo de longe, ele era menor que o Park, mas ao mesmo tempo parecia tão grande. Acabou por sorrir com a cena e, sem perceber, seguir o vizinho até a academia. Não era sua intenção, sentia-se impelido a fazer tal coisa, queria somente saber um pouco mais sobre ele, talvez descobrir seu nome. Sentou-se na estação de musculação, ficando de costas para o outro, mas podendo lhe ver pelo espelho da academia. Não sabia nem qual era o real propósito para estar fazendo tal coisa. Por que estava tão interessado? Sequer tinha certeza se ele o estava vendo mesmo no dia anterior, parecia um adolescente. Sorriu com o pensamento bobo, concentrando-se na musculação, olhando para o loirinho vez ou outra. Acabou se distraindo e fazendo mais sequências que o necessário, foi algo tão natural que nem reparou que passou mais de uma hora malhando pernas e braços. Assim que olhou o relógio, apenas saiu da academia e voltou para seu apartamento, antes que Kris viesse lhe procurar. Coisa como aquela já havia acontecido uma vez e foi humilhante. Entrou no apartamento e ficou surpreso com o namorado vestido para trabalhar, bonito como sempre, com os fios loiros perfeitamente alinhados, assim como o terno. — Vai trabalhar? Hoje é domingo. — Disse um tanto triste. — Estou resolvendo um caso de homicídio, é complicado, eu não quis trazer mais trabalho pra casa, então vou resolver na defensoria. — Mas é domingo. — disse um tanto triste, quase deixando um bico se formar em seus lábios. — A  justiça nunca dorme, nunca ouviu essa frase? — Pegou sua pasta e foi para a porta. — Toma um banho, você está fedendo. Não esquece o jantar dessa vez. — Tudo bem. — disse antes de Yifan sair batendo a porta. Chanyeol suspirou com aquela situação e foi para o quarto, tirando a roupa da academia e ficando apenas de cueca, com o corpo ainda suado, sem saber muito o que fazer. Yifan estava enganado, não estava fedendo; ainda que fraco, tinha um cheiro de perfume em suas roupas. Sempre se preocupava com aquilo. Na verdade, sempre se preocupava demais com a aparência. Acabou olhando pela janela e viu que o vizinho já estava em casa. Novamente sentiu aquele frio na barriga, caminhou lentamente até a porta de vidro que separava o quarto da pequena sacada, abriu um pouco, o suficiente para que fosse possível ver boa parte do quarto, inclusive ele. O outro demorou a perceber o que estava acontecendo no prédio em frente, mas não ficou alheio por muito tempo. Não sabia dizer se o vizinho estava em seu quarto, ou na sala, mas havia uma poltrona grande que permitia ao Park vê-lo de perfil dentro do cômodo, mas daquela vez… O rapaz não deixou subentendido se estava olhando ou não, virou totalmente o rosto enquanto permanecia sentado, apoiando o queixo na mão esquerda e encarando Chanyeol do outro lado com um sorrisinho de lado. Estava gostando daquela troca de olhares, Baekhyun não conhecia o vizinho da frente, mas havia o visto na academia algumas vezes, como naquela manhã. Tinha certeza que já o vira também com um outro homem, não sabia se era algo além de amigo, mas quando os viu não pareciam estar tendo a melhor conversa do mundo. Chegou a se perguntar o que ele realmente queria com as insinuações, se estava realmente se exibindo daquela forma com segundas intenções, e se ele levaria aquilo adiante se tivesse chance, porque o Byun certamente levaria. Foi por isso que se pôs de pé parado em frente à porta de sua sacada e também tirou a roupa. Diferente de Chanyeol, que ainda estava de cueca, se despiu por completo com um riso sapeca, sumindo das vistas do maior rapidamente, indo tomar um banho longo e relaxante.  
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR