19

646 Palavras
**Capítulo 19** *Raul narrando* — Por que diabos eu ainda tô aqui dentro, Pedro Alberto? — pergunto, sentindo meu sangue ferver. Pedro suspira do outro lado da grade, com aquele olhar de quem já cansou de repetir a mesma coisa. — Porque quem morreu foi o supervisor da segurança. E nem mesmo o juiz que é nosso parceiro quer se indispor mandando te soltar. Fecho as mãos em punho. — Filhos da puta... — murmuro entre os dentes. — E a Luana? Onde ela tá? Pedro balança a cabeça, a expressão fechada. — Sumiu. — Como assim sumiu? — meu tom sai mais alto do que eu pretendia. — O carro dela foi encontrado no meio do nada. O celular, jogado longe. Ela pegou um táxi, foi deixada em um hotel, mas depois disso... evaporou. Não há nenhum rastro dela. Minha raiva explode. Dou um soco na mesa de metal à minha frente. — Maldita! — Eu te avisei para não se envolver com esse tipo de mulher — a voz cortante da minha mãe ecoa pelo ambiente. Ela estava ali o tempo todo, em silêncio, mas agora decide se manifestar. — Por favor, mamãe... — Pedro tenta apaziguar. — Por favor, nada! — Ela se levanta, os olhos faiscando de indignação. — Eu sempre disse que essa Luana não prestava, que era uma v***a como qualquer outra. E você? Você me ignora e casa com ela. Me diz, Raul, o que ela tem de tão especial? O que fez você se amarrar nessa mulher? Cruzo os braços, sustentando o olhar dela. — Você nunca entenderia. — Pois então ache essa mulher e faça ela pagar pelo que fez — minha mãe ordena. — Você não pode deixar isso barato. — Eu não vou deixá-la na cadeia — declaro com firmeza. Ela estreita os olhos. — E por quê não? O que essa mulher tem que te fascina tanto? Minha mente viaja para o passado, para os verdadeiros motivos que me fizeram me aproximar de Luana. Ela pensa que eu não sei quem ela realmente é. Mas eu sei. Sei exatamente o que ela fez. — Mãe, sai daqui — digo, me recompondo. — Essa é uma conversa de gente equilibrada. — Você está me chamando de desequilibrada, Raul? — Ela aperta os punhos. — Sim. Ela me encara por alguns segundos, os lábios trêmulos de raiva, e então vira as costas. — Isso é o cúmulo! Ela sai batendo os pés, deixando um silêncio tenso para trás. — Você precisa ter mais paciência com ela — Pedro comenta. Reviro os olhos. — Ela quer se meter em tudo, o tempo todo. Isso me irrita profundamente. — Mas então... — Pedro insiste. — O que faz Luana ser tão especial para você? Não respondo de imediato. Minha mente já está trabalhando em outra coisa. — Me empresta seu celular. Preciso fazer uma ligação. — Você não respondeu à minha pergunta. — E não preciso responder — retruco, estendendo a mão. Pedro hesita, mas entrega o aparelho. — Olha o que você vai aprontar, Raul... Ele sai, me deixando sozinho. Assim que fico a sós, disco um número que conheço de cor. O telefone toca algumas vezes antes de Marcelo atender. — Já tá sabendo que a Luana sumiu? — Olha só quem tá me ligando... — ironizo. — Sei sim. Ela fugiu de mim. — Pois eu quero ela morta. Sorrio, já esperando essa resposta. — E se eu te oferecer um milhão para me entregar ela viva? Marcelo ri do outro lado. — E por que você quer ela viva? — Dois milhões. O silêncio dele dura alguns segundos antes de vir a resposta: — Sem negócio. Luana pode me destruir, e você sabe disso. Vamos ver quem encontra ela primeiro. A ligação cai. Aperto o telefone na mão, praguejando baixinho. Esse filho da p**a.
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