### **DESEJADA PELO DONO DO MORRO**
**Capítulo 20**
*Luana narrando*
Por quanto tempo eu estaria segura aqui dentro? Até quando Preto conseguiria me proteger? Essas perguntas não saíam da minha cabeça.
Peguei o celular que a irmã dele me emprestou e comecei a pesquisar sobre a prisão de Raul. A mídia estava em polvorosa, dezenas de notícias cobrindo o caso, o que me fazia pensar que ele não sairia tão cedo da cadeia. Mas isso não significava que ele não pudesse colocar um exército de gente atrás de mim.
Eu precisava de algo que me garantisse segurança total, e a única solução que me vinha à mente era engravidar de Preto. Se isso acontecesse, ele não teria escolha a não ser me proteger de verdade. Qualquer outro homem poderia servir para esse plano, mas a maioria tinha ligações diretas com Raul, e eu não podia correr o risco de ser entregue de bandeja antes que tudo desse certo. O problema era que um filho não se faz de um dia para o outro.
— Descansou? — A voz de Pamela, mãe de Preto, me tirou dos pensamentos.
— Sim, dona Pamela.
— Me chama só de Pamela.
— Ok — sorri de leve.
— Está com fome?
— Estou. Não como nada desde a festa.
— Tá brincando?
— Não.
— Então vem. Fiz janta, vamos comer.
— Obrigada, mas não quero dar trabalho. Posso cozinhar também.
— Você sabe? — Ela arqueou a sobrancelha, surpresa.
— Sei sim, sei muito bem cuidar de uma casa.
— Achei que Raul tivesse empregado pra tudo.
— Tem, mas eu não nasci casada com ele.
Pamela sorriu, satisfeita com a resposta.
— Espero que goste. Fiz uma macarronada simples.
— Eu amo — respondi animada. — Nossa, tem anos que não como macarronada com carne moída. Melhor comida do mundo!
— Pensei que estivesse acostumada com luxo.
— Luxo demais e comida sem graça — brinquei. — Se as pessoas dessem valor à comida simples e gostosa, o mundo seria melhor.
— Verdade — Pamela riu, mas a atmosfera tranquila durou pouco.
A porta se abriu com tudo e uma voz cortante preencheu o ambiente.
— O que essa mulher tá fazendo aqui?
Virei-me e dei de cara com Sara, me encarando como se quisesse me matar ali mesmo.
— Ela tá aqui com a gente, Sara — Pamela respondeu, tentando manter a calma. — Fiz janta, sua macarronada preferida. Quer comer?
— Eu perguntei o que essa mulher tá fazendo aqui! — A voz dela subiu de tom.
— Ei, quem você pensa que é pra entrar aqui e falar desse jeito com ela? — Retribuí no mesmo tom.
— Cala a boca que eu não tô falando com você! — Sara rosnou. — Tô falando com a Pamela. O que esse projeto de p*****a tá fazendo aqui?
Ri com deboche.
— Contei alguma piada?
— Não, mas a palhaça aqui é você — retruquei, sem paciência. — Primeiro, você não fala assim com ninguém, muito menos com quem deveria respeitar como sogra. Educação vem antes de tudo.
— Abaixa seu tom, sua ridícula. Você tá na minha favela.
Cruzei os braços.
— Sua favela? Interessante. Mas quer saber? Eu mesma respondo a sua pergunta ignorante. Eu tô aqui porque Preto quis que eu ficasse. Se tem algum problema, desce e resolve com seu namorado.
— Eu sou a fiel dele, mereço respeito de todo mundo aqui!
— Se fosse realmente fiel, saberia por que estou aqui. Não chegaria perguntando. Não é mesmo, Pamela?
O silêncio foi a única resposta.
— Arruma suas coisas e sai daqui — Sara ordenou.
— Se Preto me expulsar, eu saio. Mas ele manda aqui, não você.
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### **Capítulo 21**
*Preto narrando*
— Isso é arriscado — Marsala me disse, cruzando os braços. — Você tá completamente fora da casinha trazendo essa mulher pra cá.
— Não tô, não — rebati. — A gente não sabe como vai ser daqui pra frente. Até Tenente Bahia pode estar contra Raul agora.
— E as câmeras de segurança da casa?
— Foram removidas.
— Quem fez isso?
— Só Deus sabe.
Marsala me olhou sério.
— E se ela for realmente uma assassina?
— Vamos ter que pagar pra ver.
— Não tô entendendo. Você trouxe essa mulher pra dentro de casa por quê?
— Porque se todo mundo virar contra Raul, a gente precisa de munição pra se garantir.
— E como ela vai ajudar?
— Informações.
— Raul sempre deixou claro que ela não sabia nada sobre o tráfico de mulheres.
— Mas sobre outras coisas, ela com certeza sabe.
Antes que Marsala pudesse retrucar, Sara invadiu a boca como um furacão.
— Tira aquela mulher da sua casa, agora!
Marsala me olhou de canto, esperando minha reação.
— Aquele projeto de p*****a não vai ficar lá! Você entendeu? Vai lá e expulsa ela!
Soltei a fumaça do baseado devagar, arqueando a sobrancelha.
— Eu não vou expulsar ninguém.
Sara parou no mesmo instante, me encarando como se tivesse escutado errado.
— Como é que é?
— Luana é minha convidada.
— Morando na sua casa? Se ela é sua convidada, coloca ela pra ficar na minha!
— Não. Ela vai ficar onde eu quiser.
— Então eu vou pra sua casa também.
— Não vai, não. Você fica na sua e eu sigo a minha vida. Você sabe as condições do nosso relacionamento.
— Vai ficar sozinho com ela? Com aquela mulher?! — Ela riu sem humor. — Tá defendendo ela agora?
— Ninguém encosta um dedo na Luana. Ela tem a minha proteção.
Sara ficou vermelha de raiva.
— Preto, você não pode estar falando sério! Eu sou sua fiel! O que vão dizer?
— Nada. Porque aqui ninguém fala nada.
Ela apertou os punhos, respirando fundo antes de disparar:
— Isso não vai ficar assim.
Virou as costas e saiu batendo os pés.
Marsala soltou um assovio.
— Caramba, você tá defendendo essa mulher com unhas e dentes mesmo.
— Tô cansado da Sara.
— Então por que não dá um pé na b***a dela?
— Porque ela sabe demais. E eu não quero que ela rode.
Me levantei e peguei o cigarro.
— Onde você vai?
— Pra casa. A ronda é sua.
Marsala balançou a cabeça, rindo de leve.
— Boa sorte com a fera solta.
Dei de ombros e saí. Essa noite ainda ia render.