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634 Palavras
Capítulo 11 *Raul narrando* Por mais que minha cabeça estivesse fervendo com o prejuízo absurdo que tivemos com aquele avião que caiu, uma parte de mim não conseguia se desligar de Luana e suas mentiras. Já fazia tempo que eu percebia que ela andava aprontando, mas eu vinha empurrando com a barriga. Só que a paciência tem limite. — Raul — Preto me chamou, tirando-me dos meus pensamentos. — O prejuízo é enorme para nós dois. Soltei um suspiro pesado, esfregando a mão no rosto. — Não temos o que fazer agora. Só precisamos bolar um jeito de recuperar essa grana toda. — Por enquanto, temos que dar um tempo com o tráfico de pessoas — Preto disse, cruzando os braços. — Sim. Estamos na mira da polícia — concordei. — Mas não podemos parar. Vamos arrumar laranjas. — Laranjas? — ele perguntou, franzindo o cenho. — Vamos organizar um jantar na minha casa em dois dias. O supervisor da segurança vai estar lá, e é nesse jantar que a gente vai decidir como vamos seguir em frente. Preto assentiu, pensativo. — Ok. Eu vou organizar uma estratégia. Tenho muita droga parada, precisando mandar para fora. — Eu preciso ir para casa — avisei, já pegando as chaves do carro. — Tenho pendências a resolver com Luana. Preto ergueu uma sobrancelha. — Sua esposa? Ela tá envolvida nos esquemas? Soltei uma risada curta. — Luana? Não. Ela nem imagina nada. São outras coisas que ela anda aprontando. Preto me olhou de lado, mas não insistiu. — Boa noite, Raul. — Boa noite. Me despedi e entrei no carro. No caminho para casa, minha mente ficou dividida entre dois problemas: o financeiro e o pessoal. Eu sabia que Luana não era santa, mas até onde ela estava metida, eu ainda não sabia. Assim que entrei em casa, encontrei minha mãe sentada no sofá, de braços cruzados. — Precisamos conversar — ela disse, séria. Revirei os olhos. — Agora não. — Raul, eu sou sua mãe. — O que a senhora quer? Reclamar da Luana de novo? Ela bufou e me encarou. — Larga essa garota. Manda ela pra outro país. Você sabe que ela não é de confiança. Cruzei os braços, já cansado dessa conversa. — Luana é minha esposa. — E faz de você um corno pra toda sociedade! Cerrei o maxilar. — Boa noite, mamãe. Subi as escadas sem dar espaço para mais discussão. Todo santo dia era a mesma coisa, minha mãe e Luana trocando farpas, e eu no meio. Entrei no quarto e encontrei Luana dormindo, coberta apenas com um lençol fino. Sua camisola branca realçava ainda mais sua beleza. Por um momento, esqueci a raiva. Os hematomas em seu rosto estavam sumindo, o que me trouxe um misto de alívio e culpa. Me aproximei, puxei o lençol e a cobri melhor. Em seguida, peguei seu celular e desbloqueei com o rosto dela. Nenhuma mensagem suspeita. O rastreador do carro mostrava que ela ficou três horas no salão de beleza. Talvez, dessa vez, ela não estivesse mentindo. — Que horas são? — ela resmungou, me pegando desprevenido enquanto eu tirava o relógio. — É tarde, Luana — respondi. Ela se sentou na cama, piscando os olhos devagar. — Melhor você descansar. Vou tomar um banho e depois deito. — Achei que viria só de manhã… São três da madrugada. — Acabei meus compromissos antes. Ela me observou por um instante e então murmurou: — Eu vi uma reportagem… parecia um avião igual ao seu. Meu olhar se tornou afiado. — Eu vendi meu avião faz tempo. Não sou dono dele e não sei para o que estava sendo usado. Já mandei você dormir. Ela mordeu o lábio, pensativa. — Boa noite. Se deitou e, quando saí do banho, já dormia profundamente.
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