Capítulo 09

851 Palavras
Por Elliot Num impulso de me aproximar e tocá-la para certificar-me de que ela era real, saltei para mais perto e antes de tocar meus pés no chão, uma imensa águia com cerca de três metros de envergadura disparou contra mim, me arranhando e me lançando para trás. Eu estava tão focado na garota que me esqueci de prestar atenção no que acontecia ao redor e acabei sendo pego desprevenido. A águia continuou avançando em mim. A mulher misteriosa acordou no susto e rapidamente colocou-se de pé, dando um passo para trás. Ela olhou para mim por completo, como se quisesse identificar minhas intenções. Seus olhos azuis brilhavam como as águas de Naim, me deixando ainda mais sem reação. Sem dizer nada, ela virou-se e começou a fugir. Num rápido movimento, contornei a águia e comecei a segui-la. Jamais tinha conhecido ninguém mais rápido que eu, mas essa garota tinha um ritmo formidável. Amplificando a energia em meus pés, saltei velozmente ganhando aproximação. — Espere, por favor! Não quero te machucar. — Gritei-lhe na esperança de que ela me ouvisse. — Vá embora, este não é seu lugar! — ­A voz dela era linda... e imponente! — Nem você. De onde você é? Ela diminuiu o ritmo e parou. Imitei-a e parei a metros de distância. Eu não queria assustá-la, ainda mais agora que ela se abriu para um diálogo. — Não precisa ter medo! Eu não vou machucá-la. — Usei um tom sereno e amigável. Ela cerrou os punhos e lançou-me um olhar que era impossível explicar, carregado de um imenso vazio e de dor. O vento soprou em seus cabelos jogando-os um pouco na frente do rosto, aumentando o ar de mistério. — Meu nome é Elliot, da Cidade Real do Sul. — Da Cidade Real? — Sim, já esteve lá? — Ela acenou negativamente com o rosto. — E não tem medo de andar sozinha por aqui? Ouvi dizer sobre um guardião assassino que ataca a todos que passam por aqui. Posso te ajudar... te levar em segurança até seu lar. — Naim é meu lar! — A imensa águia voou perto de mim, mas estive atento dessa vez e me esquivei. A garota esticou o braço e a águia pousou nele. — Se sabe sobre o guardião, não devia ter vindo. — Não pode ser... — Era impossível não exprimir surpresa. — Uma sobrevivente de Naim. Achei que todos estavam mortos. — Este é o meu território. Se sabe o que é bom para você, vá embora! — Não precisa ser tão agressiva. Estou apenas de passagem, e não me demorarei por aqui. Me diga, qual o seu nome? — Por que eu deveria dizer isso a você? Meu nome já era conhecido por todos os povos e vilas, seja do Norte ou Sul e, mesmo depois de eu dizê-lo, ela não fazia ideia ainda de quem eu era. O quanto ela se isolava do mundo? — Não precisa me dizer se não quiser. — Tentei dizer isso calmamente. Em nenhum momento levantei uma arma ou mesmo cerrei os punhos. Eu era demasiadamente forte e ela não merecia ser machucada. — Acredito que sou aquela que todos chamam de Guardião Escarlate. Se já ouviu falar de mim e preza por sua vida, é melhor ir embora. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo, não conseguia processar que uma garota tão linda pudesse ser o assassino de que todos falam. Ela não era má e eu podia ver isso na singeleza de sua alma. Olhar para ela era como olhar para esse lugar e tudo o que ele representa. — A quem você protege? A essa selva? Seus animais? Há outros sobreviventes? Ela virou-se de costas para mim, lançou-me um olhar agressivo e começou a caminhar, me ignorando. Ela era completamente diferente de todas as mulheres que eu já havia conhecido. Era insolente, mandona e não fazia o menor esforço para me agradar. Eu não poderia deixar ela ir sem que me dissesse o que eu queria saber, então, comecei a segui-la. Não tinha como ela ser mais forte do que eu. — Eu não tenho medo de você e nem do Guardião Escarlate. O Guardião Escarlate protege a essa selva, não é? Não há nada de errado nisso! Quero ser seu amigo, pois sei que é boa e que o que defende é nobre. Mas preciso saber se há mais zafisianos como você. Quero protegê-los! — Ela parou e deu um meio sorriso. — Nos proteger? Não me faça rir. — E tornou a ficar calada. — Não irei embora até que converse comigo direito. Estarei acampado sozinho, próximo ao lago de Naim. Quando quiser, dê uma passada lá. Agora fui eu que me retirei. Ela não precisava ser tão m*l-educada. Era uma selvagem, mas eu não desistiria dela. Era extraordinário que isso pudesse estar acontecendo e jamais imaginaria que o guardião dessa área fosse uma bela moça, e muito menos uma sobrevivente de uma tribo considerada extinta. Minha vontade de protegê-la era muito grande e assim eu poderia me redimir pelos erros de meus pais.
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