Narrado por Lorena
As mensagens do Raví eram o que salvavam os meus dias, sei que pode parecer i****a da minha parte dizer isso, mas é aquilo né, eu tô apaixonada posso fazer o que ? Sinto saudades dele, dos seus beijos, das nossas conversas, do seu corpo...
Mesmo com a distância, mesmo com os shows, a agenda maluca dele e aquela vida de estrada que parecia não ter fim, ele dava um jeito de manter contato comigo. Às vezes era só uma foto dele no camarim suado depois de algum show, com aquele sorriso safado que me desmontava inteira ou um nudes que ele me mandava e eu mandava um pra ele. Outras vezes, um áudio rapidinho com a voz rouca de quem tinha acabado de acordar:
— E aí, mocinha… acordou pensando em mim hoje? —
A resposta sempre era sim, pois eu sempre pensava, era impossível não pensar. Mesmo quando ele postava fotos e vídeos com a Clara.
“ Não sei o que seria de mim sem a minha mulher gente. “
“ Clara você é a mulher da minha vida. “
Cada fala dele nos vídeos, cada legenda nas fotos, era uma facada profunda no meu peito, mas eu engolia em silêncio. Eu sabia no que estava me metendo desde o início. Sabia que ele não ia largar tudo por mim, pelo menos não agora, eu não podia pagar de inocente quando sabia exatamente o que eu estava fazendo. Então, o que me restava era aproveitar o que ele podia me dar, o seu amor escondido, mesmo que fosse só nos bastidores. Ainda assim, aquilo me corroía por dentro.
Foi numa dessas que anunciaram que ele seria uma das atrações no Festival do Forró de Fortaleza. Um evento enorme, cheio de artistas estourados e sendo bem sincera, acho que ele era o mais esperado pelo público. Via as postagens no i********:, as pessoas comentando, a cidade postando vários vídeos para fazer o marketing do evento, eu tava doida pra ver ele no palco de novo e matar a saudade então resolvi perguntar se eu poderia ir com ele, mesmo já sabendo qual seria a resposta. Era um festival muito grande, claro que ela ia levar a Clara e não eu.
Lorena:
Tu acha que rola de eu ir pra Fortaleza? — mandei, tentando parecer casual.
A resposta veio rápida e seca.
Raví Rocha:
Não, mocinha. Dessa vez não vai dar.
Lorena:
— Por quê? — insisti, digitando rápido, às vezes mesmo sabendo que dói a gente quer cutucar a ferida, quer sentir.
Dessa vez ele demorou pra responder.
Raví Rocha:
Já vou levar a Clara, vai tá cheio de patrocinador no festival e muita gente.
Doeu ler aquilo, mesmo eu já sabendo, era óbvio.
Mas ver a mensagem escrita, a confirmação, foi como levar um tapa sem aviso.
Lorena:
Parece que eu só sirvo pra tapar buraco né ? Achei que a gente tava bem.
Mandei a mensagem antes mesmo de pensar direito, ele demorou de novo pra responder.
Raví Rocha ( áudio de 10 segundos ):
Deixa de graça Lorena, tu sabia onde tu tava se metendo. Tá achando o quê? Que eu vou largar a Clara de uma hora pra outra, levar hatter, perder patrocínio à toa, tudo isso por birra tua ?!
Senti o estômago virar, dava pra ver que ele estava estressado mas não mais do que eu.
Lorena ( áudio de 8 segundos ):
Então o problema é só sobre manter a tua fama?!
Tu prefere ela porque é a que te mantém bonito pra mídia num é?! Enquanto a i****a aqui fica atrás das tuas migalhas.
Raví Rocha ( áudio de 5 segundos ):
Tu tá criando problema atoa Lorena, tu quer eu ou a p***a da minha fama, Lorena?
Foi a última mensagem que ele mandou, depois disso ele sumiu. Nenhuma mensagem no dia seguinte, nem no outro e nem no outro.
Os dias passaram e o vazio crescia em mim feito uma praga. Revisei todas as mensagens, todas as conversas, tentando entender onde errei. Talvez eu tivesse sido egoísta, Raví tinha a carreira dele e eu precisava entender isso. Talvez ele estivesse certo, talvez eu só devesse aceitar e ficar calada, afinal eu escolhi estar com ele mesmo sabendo que ele era comprometido.
Mas o que eu podia fazer ? Eu sentia. Infelizmente, eu sentia e eu queria conversar, precisava desabafar, pensava que talvez, sei lá, ele pudesse entender o meu lado.
Na sexta-feira, quem percebeu meu estado foi o Matheus, aquele meu amigo da faculdade. O tipo de cara que ninguém desconfia que é gay: alto, corpo trincado, cabelo bem cortado e um jeito de se vestir igual playboy, mas só bastava falar com ele que você já percebia o jeito açucarado. Ele me conhecia desde o primeiro semestre e sempre me tratou muito bem, éramos amigos. Não do tipo confidente mas do tipo que a companhia faz muito bem.
— Vamo sair hoje? — perguntou no meio da aula. — Tá com uma cara de quem precisa encher a cara e beijar na boca. —
— Sei não… — hesitei.
— Você tá m*l há dias e eu sei que não é TPM como você diz que é. Vamo, mulher. Te prometo que não vou fazer você dançar calypso e nem dar pra nenhum macho gostoso que te der bola. Vai ser só uma cachaça e umas fotinhas pra causar. Tu num tá morta, tem que viver. —
Acabei aceitando, acho que precisava disso mesmo. Me arrumei sem muita empolgação, mas quando me vi pronta, com o vestido preto justo, batom vermelho e os cachos soltos, senti algo diferente. Uma fagulha de vida reacendendo, eu tava gostosa pra car4lho.
Saímos pra um barzinho com música ao vivo, luz baixa e aquele clima de sexta-feira quente que só o meu Pernambuco sabe ter. Rafael me fazia rir tanto que a minha barriga doía. Ele era escandaloso, debochado e do tipo que elogiava todas as mulheres da festa, menos os homens, que ele olhava discretamente.
Na segunda dose de caipirinha, ele fez um boomerang com a gente brindando e depois tirou uma selfie colado em mim.
— Isso aqui vai quebrar a internet — disse, digitando a legenda com um sorriso malicioso, cara de quem tava aprontando.
— O que tu escreveu, hein? — ri achando graça da situação.
— “ Já podemos oficializar ?😈 — ele gargalhou e o sorriso que estava nos meus lábios logo de desfez, Matheus só pode ser louco.
— Matheus! ---
— Ah, mulher, deixa de drama. Tu tá linda e eu tô um gostoso. Ninguém precisa saber que sou viado. É só pra dar um susto no ego de quem anda te fazendo de gato e sapato. — realmente ele estava certo.
Dei risada e repostei nos meus stories, se Raví pode exibir a namorada no insta eu também posso me divertir um pouquinho.
Legendei com um “ vai que é tua, mozão 💖 “
Nosso rolê foi super leve e muito divertido, eu estava de verdade precisando daquele momento.
Uma pena que não durou muito, no Uber, já voltando pra casa, o celular começou a vibrar, quando olhei era ele. Raví Rocha.
Primeiro, uma ligação perdida, não atendi, quis deixar ele sentir na pele o que eu estava sentindo sendo ignorada. Depois, mensagens em sequência:
“ Tá se oferecendo agora é Lorena ? “
“ Que p***a é essa que tu postou ? “
“ Tá me fazendo de o****o ? “
“ Tá querendo brincar de solteira é ? Posso começar a brincar também se é isso que tu quer. “
" É só eu virar as costas que tu age igual uma rapariga. "
Meu coração disparou.
— Mas que merda… —