Capítulo 14 - Controle e Ciúmes

1699 Palavras
Narrado por Lorena Respirei fundo e abri o chat já sem paciência. Lorena: Raví tu tá surtando por nada, Matheus é gay! Ele demorou um pouco pra responder mas sua mensagem chegou. Raví Rocha ( áudio 10 segundos ): Ele é gay é? Mas que porr@ Lorena, como que ia saber? O cara todo colado em tu. Tu sabe que eu tô com a cabeça cheia e fica postando essas coisas pro cara ver. Lorena: Tu não posta direto foto com a Clara fazendo juras de amor e eu tenho que aceitar calada ? Então pronto, só fiz uma brincadeira com o meu amigo. Relaxa Raví, não é o fim do mundo não. Raví Rocha: Lorena só apaga isso, tá? Não gostei da foto e muito menos da legenda, mesmo que seja só brincadeira, apaga aí. Lorena: Tá com ciúmes amor ? Raví Rocha: Tu sabe que eu tô, tu é minha porr@, sabe que me deixa doido e fica de graça pra cima do cara. Sorri me sentindo vitoriosa, ele tinha ciúmes de mim, ele gostava de mim. Lorena: Vou apagar ciumento. Meu peito desacelerou vendo que ele se importava. Ainda doía, mas doía menos. Talvez porque, no fim, mesmo com toda confusão, toda bagunça e todas as incertezas… Ele ainda era meu, assim como eu era dele. Assim que cheguei em casa apaguei os stories e fui tomar um banho. Vesti meu pijaminha de lei e fui pra cama. Meu celular começou a tocar, Raví estava me ligando por chamada de vídeo. Respirei e atendi. — Apagou mesmo? — ele perguntou direto, com a voz mais mansa agora, mas ainda com o olhar firme. Tava sem camisa, cabelo bagunçado, encostado na cabeceira da cama. A luz amarela do abajur deixava a pele dele ainda mais bonita, acho que ele tava em algum hotel ou então a Clara deve ter saído pra ele tá me ligando por chamada de vídeo. — Apaguei, ciumento. — disse sorrindo achando graça da situação. — Hum. A foto não tava boa e a legenda pior ainda. Muito m*l gosto. — ele disse fingindo indiferença. — Tava engraçada, isso sim. — Ele deu uma risada e depois me olhou sério. — Tu sabe que eu sou doido por tu Lorena. Não posta essas coisas, não. — — Tu posta coisa pior, Raví. E nem é zoeira, mesmo assim eu aceito calada. — Ele não respondeu de imediato. Só ficou me olhando por alguns segundos, como se estivesse me analisando. — Tu ficou sentida quando eu sumi, não foi? — ele deu um meio sorriso de lado quando perguntou. Minha garganta travou um pouco, mas eu não ia fingir, eu senti e senti muito. — Fiquei. Achei que… sei lá, que tu tinha desistido da gente, não queria mais nada comigo e tinha acabado tudo. — — E tu se doeu mesmo com a parada do festival? --- Assenti devagar sem entender onde ele queria chegar com essas perguntas. — Não era nem por eu ir, Raví. Era só… sei lá, eu queria me sentir importante pra você. Saber que cê queria me ter por perto, mesmo que ninguém soubesse, tô com saudades de você, faz tempo que a gente não se vê. — Ele passou a mão pelos cabelos, como sempre fazia quando estava pensando. — Não é que eu não queria tu lá, mocinha. É que… com a Clara, é o pacote completo, né? Público, mídia, imprensa. Tu sabe, querendo ou não eu ainda tô com ela, tu sabe bem o que eu quero dizer. — Ele queria dizer que ela era a oficial e eu a amante. — Eu sei. Mas saber não impede de doer. — Ele me olhou por mais um tempo e, com um sorrisinho de canto, soltou algo que me deixou em choque. — Mas era isso mesmo que eu queria que tu sentisse. — — O quê? — — A falta. O incômodo. O apertozinho no peito, a saudades. — — Raví… — não sabia se eu ficava triste com aquilo ou irritada, ele tava brincando com os meus sentimentos e se divertia com isso. — Eu gosto de tá no controle, Lorena. Gosto de saber que tu sente, de saber que tu realmente gosta de mim e não quer só o meu dinheiro e ganhar fama em cima de mim. — — Então tu some pra me punir e me testar? — estava incrédula com tamanha babaquice dele. — Não. Eu sumo… pra tu lembrar que quem manda no teu coração sou eu e que tu é minha. — Revirei os olhos, mas como não queria mais brigar, apenas dei um sorriso. — i****a. — — Tua cara de irritada é linda, sabia? — Fiquei em silêncio. Do outro lado, ele mordeu o lábio, depois deixou o olhar escorregar pra região do meu tórax, onde dava pra ver minha blusa do pijama marcando meus s***s sem sutiã. — Tá vestida assim por mim? — ele perguntou, com a voz mais baixa, rouca. — Não sabia nem que tu ia ligar. — ri mostrando indiferença. — Mas e se soubesse? — ele perguntou safado e sorrindo. Inclinei a cabeça e provoquei. — Talvez não tivesse vestido nada. — Ele deu uma gargalhada gostosa de ouvir, depois que comecei a me envolver com Raví me soltei bastante. — Tu me deixa maluco mulher. — Ficamos nos encarando por alguns segundos. A tensão voltou a crescer, o silêncio entre a gente nunca era vazio… era cheio de vontade, de promessas, não precisava dizer nada para saber o que se passava na cabeça do outro. Até que ele falou, com aquela voz quente e rouca. — Tu é minha, viu? — — Tô sabendo, acho que alguém já me falou sobre isso. — respondi fazendo graça. — Então não me faz passar raiva, não. Nem de brincadeira, se comporta, tá certo ? Já basta a gente morar longe. — — Tá bom, Raví. — Gosto de ver ele sentir ciúmes por mim, sentir o que eu sinto quando vejo ele com a Clara. Ele sorriu. Um sorrisinho sacana, safado, daquele tipo que me desmontava toda. — Agora vira a câmera. Quero ver tu por inteiro, tô com saudades do teu corpo. — vi ele deitando na cama como se tivesse se preparando pra assistir um espetáculo — Raví… — — Mostra, vai. Tô com saudade amor. — Amor, gosto de como a palavra soava na boca dele quando era direcionada a mim. Mordi o lábio e fiz o que ele pediu, virei a câmera mostrando minhas pernas cruzadas na cama, o short curtinho, a regata folgada sem sutiã por baixo. Fingi que não percebi o olhar dele descendo devagar, mas meu corpo inteiro respondeu ao jeito que ele me olhava, meus s***s ficaram durinhos. — Eita… — ele soltou, com a voz mais baixa. — Olha só pra isso… — O quê? — perguntei, tentando disfarçar o calor subindo pro meu rosto. — Tu fica se fazendo de boba, mas se arruma toda assim só pra me deixar doido, né? — Revirei os olhos, rindo. — Tu que pediu pra ver, não vem colocar culpa em mim, não. — — Mulher… tu tem noção do que me causa? — O sotaque dele arranhava bonito, especialmente quando ele ficava assim… mais solto, mais entregue, mais safado. — Tu me deixa de p*u duro só com essa tua cara de safada de quem tá doida pra dar. Juro por Deus. — Me encolhi na cama, rindo sem graça. — Raví! Não fala isso, eu fico… — hesitei — fico meio… sei lá. — — Meio o quê? — — Cê sabe, você me deixa excitada e eu fico com vergonha. Tô com saudades de tu Raví. — Ele riu. Um riso quente, que parecia esquentar o próprio ar da chamada. — Fica com vergonha por quê, hein? Se a coisa mais linda que tem é tu ficando toda tímida e se mordendo de vontade ao mesmo tempo. — Fiquei em silêncio, mordendo o lábio. Ele sabia, ele sempre sabia como me deixar entregue. — Tu queria que eu tivesse aí ? — — Queria — confessei, baixinho. — Faz falta, né? — Ele se divertia em me ver com vergonha. — Muita. — — Eu fico pensando como seria se tu tivesse aqui, deitada nessa cama comigo… usando esse shortinho aí… ou melhor, sem ele, ia te fud3r tão gostoso. — — Raví… — reclamei, com a voz já tremendo. — Fala, mocinha. Fala que tu queria tá aqui agora enquanto eu metia gostoso nessa tua bucet@. — Arregalei os olhos, meu sorriso já era de nervoso. — Tu não presta, Raví. — — E tu gosta — ele disse, sem nem piscar. A respiração tava pesada dos dois lados da tela. O clima tava tenso, carregado daquele tipo de desejo que uma ligação não apagava. Ele ajeitou o celular no peito e me encarou, como se tivesse me lendo. — Só quero que tu saiba… que tu é minha. Mesmo longe, mesmo quando a gente tem que se manter escondido, mesmo quando eu sumo. Agora tu sabe né ? — Assenti, sem conseguir responder. Ele sorriu, satisfeito. — Então para de duvidar tá bom ? E para de postar gracinha também, que eu fico doido. Doido de ciúme, doido de t***o, doido de saudade e o caralh4 todo. — Sorri, vencida mas feliz. — Tá bom, Raví. Prometo que vou me comportar direitinho. — — Só quando eu tiver longe, porque quando tu tiver na minha cama, eu não quero comportamento, não. — A chamada ficou em silêncio, mas o desejo ainda gritava. Ele levou a mão ao peito, suspirando. — Eu te queria aqui, mocinha. Só hoje, só pra matar a saudade. — — Só hoje? — perguntei sorrindo. — Mentira. Eu te queria sempre, só não sei ainda como fazer isso acontecer, mas eu vou fazer, só tu ter paciência. — Me encolhi de novo, segurando a vontade de chorar, de rir, de gritar, segurando tudo que eu tava sentindo. Mas no fim, só disse: — Eu vou ter. — Nos despedimos e eu fui dormir pensando nele.
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