◇Violeta◇
Seja nas férias ou durante o período escolar, os meus dias geralmente começavam da mesma maneira: eu levantava, vestia o meu roupão e saía para tomar o meu café da manhã, preparado pela Srta. Thompson. Embora eu também a ajudasse nos fins de semana, nos divertíamos muito ouvindo música. No entanto, o que encontrei quando desci até a cozinha me deixou atordoada.
— Bom dia, Violeta. Adrien me cumprimentou, enquanto preparava ovos mexidos com bacon.
A imagem dele de terno e avental não combinava nem um pouco e eu tive que segurar o riso.
— Bom dia. Respondi, tentando não deixar a minha voz me entregar, mas não consegui, e estava claro que eu queria rir.
— Estou horrível, certo?
— Não, é só estranho. Onde está a Nana? Perguntei enquanto me aproximava.
— Ela foi às compras e já volta. Ele respondeu enquanto desligava o fogão.
Ignorando o meu nervosismo, sentei-me em um dos bancos e olhei para ele. Adrien sorriu de volta, mas, os seus olhos vagaram para o meu decote, que eu cobri quando percebi que estava muito aberto.
— Ah, desculpe. Pedi desculpas, com as bochechas coradas e sentindo uma pulsação constante no meu se*xo.
Meu Deus, por favor, me dê um cérebro normal. Implorei em pensamento.
— Eles são... Adrien balançou a cabeça e reorientou a sua visão. — O café da manhã está quase pronto. Precisamos nos apressar hoje, vou levá-la até a empresa.
— Tão rápido? Perguntei, perplexa.
— Sim.
— Você está prestes a morrer? Brinquei e ele sorriu.
— Não, eu vou me casar. Ele respondeu brincando, mas parou de sorrir quando viu a minha seriedade. — Isso é quase como morrer.
— Você tem uma opinião muito alta sobre casamento. Murmurei enquanto me servia um pouco de suco de laranja da jarra.
— E a sua é muito boa?
— Não sei, não sou casada nem vou me casar. Respondi sem olhar para ele. Se eu me virasse para olhá-lo, o meu coração aceleraria ainda mais. — Pelo menos não agora.
— Você é muito jovem. Ele respondeu sombriamente, tirando o avental.
— Sim, talvez você esteja certo. Devo ter experiências. Eu disse inocentemente, mas ver um dos seus punhos cerrados me fez perceber que eu parecia estar me referindo a outras coisas.
Para minha sorte, a Srta. Thompson apareceu naquele momento e me salvou de uma conversa constrangedora com Adrien.
— Isso cheira delicioso, Sr. Leblanc. Ela o parabenizei e ele deu de ombros.
— Não foi nada. Espero que Violeta goste.
— Sou alérgica a bacon. Brinquei sério. Ele levantou as duas sobrancelhas e a sua boca se abriu ligeiramente.
— Que?
Eu ri e a Srta. Thompson fez o mesmo, só que mais discretamente.
— Não estou falando sério. Confessei e Adrien suspirou.
— Trabalhar juntos vai ajudar vocês a se conhecerem melhor. Interrompeu a minha babá, o que me deixou extremamente desconfortável, sem saber o porquê.
Ele é meu pai, faz sentido que eu o conheça melhor. Pensei comigo mesmo, tentando controlar as minhas imagens mentais inapropriadas.
Eu odiava pensamentos intrusivos. Eu tinha lido sobre eles, embora não me dessem nenhum alívio. Prefiro me imaginar cometendo um m******e do que ser pega pelo Adrien na sua mesa mil vezes.
— Acredito que sim. Respondeu Adrien.
Não precisei olhar para cima para saber que ele estava olhando para mim. Talvez ele estivesse apenas preocupado com o relacionamento entre pai e filha, mas isso não me deixou menos nervosa em trabalhar com ele e tê-lo como meu mentor. Passar muito tempo, juntos pode me levar a vê-lo como um pai, ou as minhas fantasias doentias podem me levar a fazer algo estúp*ido. Eu costumava ser boa em me controlar quando precisava, mas não quando se tratava dele. Adrien era um ponto fraco na minha vida e eu sabia que precisava lidar com ele e curar isso em algum momento.
Aparentemente, não seria tão cedo. Ele era conhecido por ser rigoroso, e eu duvidava que teria tempo de fazer terapia sem que ele descobrisse.
Adrien sentou-se ao meu lado no café da manhã, perguntando constantemente se eu gostava do que ele tinha preparado para mim. Receber aquela atenção repentina foi impressionante, mas não disse nada enquanto a Srta. Thompson nos observava com satisfação.
Havia muitas coisas que eu queria gritar para Adrien, mas nós dois concordamos que tentaríamos ser uma "família". Pelo menos eu estava disposta a me comportar até ele se casar e eu finalmente ter que parar de vê-lo.
A Srta. Thompson percebeu que o seu olhar estava pesado e decidiu ir embora. Por um momento, quis pedir que ela ficasse, mas não ousei e fiquei sozinha com Adrien, que m*al havia tocado na comida. Eu, por outro lado, terminei tudo por causa do nervosismo.
— Você quer o meu? Ele ofereceu, empurrando o prato um pouco na minha direção.
— Não, obrigado. Respondi antes de tentar me levantar, mas ele agarrou o meu braço.
— Violeta, espere. Ele me pediu.
Respirei fundo em silêncio e assenti. Ele me soltou e começou a falar.
— Eu realmente quero que a gente se dê bem. Ele começou. — Ontem percebi muitas coisas e acho que nos fará bem passar um tempo juntos como somos.
— Pai e filha. Completei para ele.
Adrien cerrou o maxilar e assentiu.
— Sim, é isso que somos, é assim que devemos nos ver.
Franzi a testa ao ouvir o tom estranho da sua voz. Talvez fosse só eu, mas parecia que ele estava tentando se convencer, como se sentisse o mesmo que eu, ou estava realmente lutando para não me ver como apenas uma garota que ele pegou nas ruas.
— É assim que eu vejo você. Menti para ele.
— Não, você não vê. Ele respondeu. — Você me vê como...
— Como um pai ausente, é claro. Eu estreitei os meus olhos.
— Não, você me vê como o seu inimigo.
— Você está exagerando, pai, você não é meu inimigo. Rosnei. — Se eu te chamo de pai é porque...
— Certo, filha. Ele sorriu, embora parecesse um tanto forçado.
— Vou me vestir.
Levantei-me rapidamente antes que ele pudesse me parar novamente e corri para o meu quarto. O meu coração batia loucamente, não só por correr, mas por estar tão perto dele, por aquela tensão estranha que eu queria acreditar que era causada somente por mim, pela doença mental que eu tinha certeza que tinha.
Fui ao banheiro e usei a água fria para lavar todos aqueles sentimentos e organizar os meus pensamentos. Me consolava um pouco pensar que, com o passar dos dias, eu o veria do jeito que ele me pediu e que logo eu esqueceria toda aquela estup*idez de adolescente pervertida. Eu não era adolescente, mas estava apenas começando a viver a vida e ainda precisava amadurecer.
Assim que saí do banho, fui até meu armário e peguei uma calça social, uma camisa de botão e um blazer. Complementei tudo isso com tênis fechados de salto baixo e maquiagem leve.
Eu estava pronta para ir para o meu primeiro dia de trabalho. Eu só esperava controlar as minhas emoções.
Enquanto descia as escadas, esperava encontrar Adrien me olhando com orgulho, mas em vez disso o encontrei beijando Bianca apaixonadamente na sala de estar.
O meu estômago embrulhou e o meu coração começou a bater mais devagar, como se estivesse lutando para continuar bombeando sangue. Depois disso, uma sensação fria se espalhou pelo meu corpo.
— Bom dia. Cumprimentei, e ambos se viraram para me olhar. Adrien permaneceu sério, mas Bianca sorriu para mim de um jeito tão lindo e maternal que eu a odiei.
— Bom dia, querida. Ela respondeu. — Você está pronta para o seu primeiro dia de trabalho?
— Sim, Bianca. Eu assenti. — Estou mais do que pronta.