◇Violeta◇
Manter a calma nesses momentos não era minha especialidade, mas, pelo Mario, eu ia tentar.
Bianca ficou feliz por eu ter voltado e tentou me animar, mas não conseguiu. Adrien e eu ainda estávamos bravos um com o outro e não nos olhamos mais pelo resto do jantar.
Eu só queria pegar as minhas coisas e ir embora, no entanto, isso causaria muita dor à Srta. Thompson, e eu não iria perder a minha boa vida só por causa daquele homem estúp*ido. Se ele tivesse me adotado como a sua herdeira, seria isso, e eu aprenderia muito bem para não precisar dele. Quando ele ficasse velho, eu o deixaria numa casa de repouso e aproveitaria a minha vida.
No fundo, eu sabia que não seria capaz de fazer uma coisa dessas, mas ri desse pensamento no caminho para casa.
— Algo errado, querida? Perguntou-me a Srta. Thompson. — Você está melhor?
— Sim, Nana, lembrei-me de uma coisa.
— Fico feliz que você tenha reconsiderado e voltado para a mesa. Não aplaudo o que o Sr. Leblanc disse, mas duvido muito que ele quisesse dizer isso.
— Acho que ele quis dizer isso. Dei de ombros. — Ele não me considera família, nunca veio me ver até hoje e só veio me informar sobre o seu casamento.
— Não é assim, Violeta, ele...
— É a realidade. Suspirei. — Não tente defender o indefensável.
A Srta. Thompson ficou em silêncio e olhou para baixo. Ela não pode dizer mais nada sobre isso, porque sabia que era verdade: Adrien não me amava.
Quando voltamos para casa, fui para o meu quarto e tirei os meus sapatos. Eu não gostava de jogar as minhas coisas pelo chão, mas dessa vez me dei ao luxo de fazer isso e os deixei em qualquer lugar.
Eu não sentia mais vontade de chorar, embora o meu coração ainda tivesse aquele vazio que eu havia demorado tanto para ignorar. Adrien só apareceu para me lembrar de tudo que eu lhe devia e de tudo que ele me ne*gou. Embora eu estivesse cercado de luxos e de uma mulher amorosa que me amava, não era a mesma coisa que me sentir em casa.
Os meus sonhos de ter algo com Mario e talvez formar uma linda família com ele no futuro também foram destruídos. Não pude deixar de me sentir magoada porque ele nunca me mencionou que a irmã dele, estava namorando com Adrien.
— Ela sem dúvidas vê ele mais do que eu. Eu disse com uma risada irônica enquanto removia a maquiagem.
Naquele momento meu celular tocou em algum lugar do meu quarto. Eu sabia muito bem que era o Mário, porém, decidi ignorar a ligação. Tudo o que eu queria era vestir o meu pijama e ir para a cama. A coisa mais inteligente a fazer seria me vestir e ir a algum lugar, mas eu não tinha energia.
— Amanhã é outro dia. Sussurrei, depois de terminar de remover a maquiagem.
Eu me livrei do meu vestido e joguei pelo chão também. O meu pijama estava na cama e eu o vesti antes de ir para a cama. O celular continuou tocando várias vezes e eu não atendi. Quem quer que fosse não poderia precisar tanto de mim.
Aos poucos fui adormecendo e Adrien invadiu os meus sonhos, mas dessa vez não de forma erót*ica. Desta vez ele me rejeitou de uma forma terrível e riu na minha cara.
Quando acordei, não acordei gritando, mas acordei chorando. Doeu muito em mim que as coisas fossem assim, não saber o que era ter pais que te amam, não receber um abraço sincero de parabéns.
Enxuguei as minhas lágrimas e decidi sair e tocar piano. Esse instrumento era meu consolo e o meu melhor amigo. Ele não teve que se submeter às ordens do meu pai e também não mentiu para mim. Nada poderia ser mais perfeito.
Entrei e caminhei ansiosamente até ele. A Srta. Thompson dormia profundamente e não se importava que eu tocasse à noite. Eu poderia tocar músicas alegres para me animar.
No entanto, o que a minha mente e os meus dedos tocaram foi uma canção um tanto melancólica que me fez chorar ainda mais. Eu sabia que tinha que parar, mas não conseguia. Eu precisava desabafar a minha frustração e a minha dor.
— Muito bonito. Disse Adrien de algum lugar do outro lado da sala quando terminei.
Com medo, pulei e apertei várias teclas, o que fez um som desafinado. Virei o meu rosto em direção à porta e ele saiu da escuridão.
A luz fraca que entrava pela janela o iluminou quando ele veio sentar-se ao meu lado. Fiquei parada, sentindo a minha pele queimar por tê-lo a poucos centímetros de distância.
— O que você está fazendo aqui? Perguntei nervosamente.
— É minha casa, Violeta. Ele respondeu calmamente. — E a sua.
— Não, não é minha. Argumentei e olhei para as teclas. — Eu não suportava olhar nos olhos dele.
— Sinto muito pelo que eu disse. Ele se desculpou. — Eu não estava falando sério.
— Por favor, não minta para mim. Eu disse com raiva. — Eles são sua família, eu...
— Se eu não considerasse você da família, não estaria preparando você para ser a minha sucessora, não acha? Ele rosnou e eu me afastei um pouco mais dele.
— Vamos concordar que você está me dizendo a verdade, por que me disse isso? Por que o fato de Mario e eu estarmos namorando afeta você?
Adrien ficou em silêncio por alguns minutos, embora eu pudesse sentir o seu corpo tenso.
— Você quer?
— Sim, Adrien, eu quero. Respondi sem hesitar.
— Você se apaixonou?
Agora era a minha vez de permanecer em silêncio. Eu sabia que amava Mario de todo o coração e estava animada com a ideia de me tornar algo mais, mas dizer que eu estava apaixonada e o amava com uma paixão sem limites era algo muito poderoso, algo que eu ainda não havia sentido.
— Violeta. Ele insistiu, e o meu coração disparou. — Você está apaixonada por ele?
— E-eu acho que sim. Gaguejei. — Assim como você da Bianca.
— Tudo bem. Ele suspirou, o que partiu o meu coração. — Então acho que não consigo impedir isso.
— Você não deveria. Murmurei. — Essa é a minha vida.
— OK.
Adrien se levantou do banco e se preparou para sair. Quando ele chegou à porta, ele se virou para mim.
— Você não pode negligenciar o trabalho, Violeta. É tudo o que peço a você.
— Não vou. Respondi confiante. — Embora, para ser sincera, eu não vou aceitar mais o seu pedido, ele mentiu para mim. Ele morava com Bianca e não me contou.
— Queríamos que fosse uma surpresa.
— Talvez não seja justo. Por quê, pai? Por que você nunca veio? Eu o repreendi com a voz embargada. — Por que me adotar se você não iria me amar?
— Eu te amei, do meu jeito, mas...
— Abandono não é amor. Respondi. — Compensar a sua ausência com luxos não é amor.
O silêncio caiu novamente na sala. Nenhum de nos dois conseguiu dizer uma palavra diante de tão grande verdade.
— Sinto muito por ter deixado você. Ele respondeu.
— Não importa mais, vou viver a minha vida a partir deste momento e não preciso de você nela.
— Violeta...
— Vou ganhar o meu salário e alugar algo o mais rápido possível. Chega de guarda-costas e todas essas coisas que você usa para compensar a sua ausência. Respondi. — Se você não quer ser meu pai, não seja.
— Eu quero ser. Ele disse fracamente.
— Não, você não quer.
— Você não vai parar de ser vigiada, principalmente agora. Ele respondeu asperamente e se aproximou de mim novamente.
Comecei a respirar com dificuldade quando ele pegou o meu braço e me ajudou a ficar de pé. O banco nos separava, mas eu podia sentir a sua respiração no meu pescoço.
— Por quê?
— Porque eu não vou deixar nenhum aproveitador bastardo chegar perto de você. Você é... minha filha.
Sem que ele percebesse, apertei um pouco as pernas e notei a umidade entre elas. Tê-lo tão perto alterou todos os meus sentidos.
— Não quero guarda-costas. Protestei.
— Não está em discussão, nem a sua saída. Ele sussurrou. — De agora em diante, viveremos juntos como a família que somos.