Episódio 3

988 Palavras
◇Adrien◇ — Você foi longe demais. Bianca me disse com raiva. Mário olhou para mim com a mesma fúria e foi atrás de Violeta, que corria em direção à saída. A menina muito ingênua acreditava que poderia desistir de tudo se quisesse, mas as coisas não seriam tão fáceis para ela, para não dizer impossíveis. Ela não pode ir a lugar nenhum, os guarda-costas vão impedir. Pensei sem tirar os olhos da silhueta de Violeta. Eu sabia que encontraria uma mulher adulta quando voltasse, que era impossível para uma mulher de 22 anos se parecer com aquela garota acima do peso e pouco graciosa que vi da última vez, mas nunca imaginei a beleza que ela se tornaria. Ela era a filha que eu havia deixado para trás? A cirurgia foi realizada sem o meu consentimento? Não havia nada que indicasse que algo assim tivesse acontecido, mas eu ainda sentia aquela m*aldita pulsação na virilha, causada pelo cheiro feminino dela. Ela é sua filha. Sua filha. Sua filha. Lembrei a mim mesma. — Você tem que ir procurá-la. Bianca me incentivou, preocupada. — Por favor, o que você disse a ele foi horrível. Você tem que se desculpar com ela, eu não quero que ela... nos odeie. Não me peça isso, não vou chegar perto dela. Respondi a ela internamente. — Fui eu quem falou, não você. Respondi com falsa calma. — Além disso, ela vai voltar, eles vão segura-lá e ela vai perceber que o que disse foi estúp*ido. — O senhor não a conhece, Sr. Leblanc. Interrompeu a Srta. Thompson, com a voz embargada pelas lágrimas nos olhos. — Ela é orgulhosa e não suporta ser insultada desse jeito. Ela tentou se levantar, mas eu acenei, pois eu ia fazer isso. Eu tive que suportar o que quer que acontecesse comigo e ir impedi-la. Como eu suspeitava, Violeta foi contida por seus guarda-costas na saída, mas também pelo meu futuro cunhado, que estava segurando o seu rosto. — Calma, Violet. Ele pediu a ela. — Eu quero ir embora. Ela murmurou. — Não, você não vai embora. Intervim, sentindo meu sangue ferver. — Mário, deixe-me sozinho com a Violeta. — Não, Mário, não vá. Ela respondeu, olhando para mim com ódio. — Não quero mais falar com esse homem. — Vá embora, Mário. Ordenei, mas ele balançou a cabeça. — Não, Adrien, eu não vou embora. Não me importa se você não aceita isso, Violeta é uma mulher adulta e você não pode nos proibir de ficarmos juntos. A determinação nos olhos daquele garoto me irritou muito. Aquele projeto de homem estava disposto a me confrontar para ficar ao lado da minha filha, que parecia bastante acostumada com a sua presença. Eu deveria ter limitado as interações dela com homens. Lamentei. — Conversamos mais tarde, preciso falar com a Violeta, a menos que você queira que eu te expulse daqui. — Quero ver você tentar. Ele me desafiou. Sem pensar, dei um passo na sua direção para cumprir a minha missão. Eu sabia exatamente o que tinha que fazer para imobilizá-lo e jogá-lo para longe dali. — Não, não, não faça nada. Implorou Violeta, colocando-se entre nos dois. As suas mãos pequenas e delicadas pousaram no meu peito, e aquela m*aldita pulsação retornou. Ela mordeu o lábio e olhou para mim suplicante. A minha mente correu por todos os cenários possíveis em que ela poderia me olhar daquele jeito, e nenhum deles era adequado para o nosso relacionamento, então agarrei os seus braços para tentar tirá-la do meu peito. — Volte para a mesa, Violeta. Eu disse, irritado. — Não faça alarde. — Eu não sou sua... — Você é minha filha. Interrompi. — Desculpe pelo que eu disse, não queria te machucar. — Você não me vê como a sua filha, essa é a realidade. Não, não vejo. Eu adoraria te encostar na parede agora mesmo. Meus pensamentos mais insanos me lembraram. — É claro que vejo. Menti para ela, e ela cerrou o maxilar. — Pare com esse comportamento indigno. — Eu não tenho o seu sangue, você me pegou na rua. Ela disse ironicamente e virou-se completamente para longe de mim. — Você está esperando muito de mim. — Não teste a minha paciência. — Não aja como o pai abnegado que você não é. ElA respondeu, com os olhos cheios de lágrimas. Vê-la daquele jeito me deixou terrivelmente desconfortável, e eu não sabia o que fazer para consertar a situação. A única coisa que eu sabia era que Mario era desnecessário aqui. Seu idio*ta, suma daqui. Pensei, olhando para Mário, que franziu a testa, mas não se moveu. Voltei a minha atenção para Violeta, que conteve as lágrimas e conseguiu controlá-las. Os seus olhos pareciam castanhos o tempo todo, mas agora eles estavam com uma cor verde marcante e cativante. — Altruísta ou não, eu sou seu pai. Lembrei ela asperamente. — E você tem muito trabalho a fazer para ser digna de ser minha herdeira. — Eu não quero... — Não me importa se você não quer, Interrompi. — Você vai ser um e ponto final. — Espero que você nunca mais apareça na minha vida. Ela retrucou com raiva. — Te odeio. Vá embora de novo. — Desculpe, querida. Eu disse com um sorriso e caminhei de volta até ela para levantar o seu queixo. Fazer isso foi uma má ideia, pois a sua respiração parou após um suspiro suave. Naquele momento eu queria esquecer tudo e sucumbir ao calor infe*rnal que se espalhava pelas minhas veias. Como seria estar dentro daqueles lábios carnudos e pintados de vermelho? Fiquei pensando. — Vim para ficar. Acrescentei, e os seus olhos se arregalaram. — Agora você está pronta para começar a trabalhar comigo. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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