Episódio 17

1126 Palavras
No dia seguinte, Nathan não conseguia tirar a imagem de Elizabeth da cabeça. Conhecendo a frieza de Sebastian e a sua obsessão por controle, ele sabia que algo estava apodrecendo por trás das portas fechadas daquele casamento. Nathan tinha certeza do que estava acontecendo, e ele tinha um nome e sobrenome. Victoria era uma loba, uma predadora que conseguia o que queria. Foi por causa dela que o negócio começou, e embora eles tivessem dormido juntos algumas vezes, nada mais aconteceu, e a diferença era que Nathan não era casado. Impulsionado por um instinto de proteção e desejo, Nathan pegou o telefone ao meio-dia e discou o número particular de Elizabeth. O silêncio na casa foi quebrado pela vibração persistente do telefone de Elizabeth sobre a mesa de mármore. Quando ela viu o nome de Nathaniel na tela, hesitou por um segundo, mas um calor estranho se espalhou por seu peito. Quando ela atendeu, a voz dele soou com uma gentileza que parecia feita para acalmar os seus nervos. — Oi, Eli. Espero não estar interrompendo um momento de inspiração arquitetônica, ou pior, um cochilo revigorante. Disse Nathan num tom leve e brincalhão. — Estou te incomodando? Elizabeth soltou uma risadinha, os seus ombros relaxando sem que ela percebesse. Ela não sabia como, mas quando falava com Nathan, era como se aquele peso nos seus ombros desaparecesse. — Oi, Nathan. Ela respondeu com um sorriso que não conseguiu conter. — Não, de jeito nenhum. Eu só estava lidando com o silêncio nesta casa. A que devo a honra da sua ligação a esta hora? — Ao fato de eu ter uma memória visual impecável e não conseguir tirar da cabeça a sua cara de tédio de ontem à noite. Ele respondeu, baixando um pouco a voz, tornando-a mais ínti*ma, como se estivesse esperando que ela se abrisse com ele. — Eu sei que é repentino, Eli, mas eu te vi naquele restaurante ontem e senti que você precisava de um pouco de ar fresco, longe das luzes douradas e dos jantares tensos. Além disso, tenho um problema, e só você pode resolvê-lo. Elizabeth umedeceu os lábios e roeu a unha. Além do problema com o marido, ela precisava desesperadamente de uma distração. — Um problema? Você? Não acredito. Brincou ela, intrigada. — Um problema muito sério. Preciso que você se concentre no que faz de melhor e me livre da minha própria indecisão. Continuou ele, recuperando aquela confiança magnética que sempre conseguia desarmá-la. — Tenho dois terrenos no litoral com os quais sonho para construir a minha casa de férias. Gostaria que você viesse comigo esta tarde para vê-los. Você é a arquiteta do projeto, e ninguém melhor do que você para decidir onde vamos colocar a primeira pedra. Preciso dos seus olhos, Eli. Da sua expertise técnica e, bem, da sua companhia. Elizabeth, que se sentia sufocada no silêncio da própria sala de estar, sentiu que a proposta era uma tábua de salvação. — Nathan… eu adoraria, de verdade. Disse ela, soltando um suspiro que nem sabia que estava segurando. — Preciso sair da cidade. Sinto que as paredes desta casa estão se fechando sobre mim. Pode contar comigo. Depois de desligar com um sorriso, Elizabeth arrumou-se com energia renovada. Os três combinaram de se encontrar em algum lugar perto da costa. No entanto, antes de sair, ela decidiu ligar para Sebastián no escritório para avisá-lo, querendo ser transparente e garantir que o que estavam construindo na terapia não desmoronasse por causa dela. — Oi, querido. Estou ligando para avisar que não estarei em casa. Vou para a costa com o Nathan para ver o terreno para a casa nova dele. Do outro lado da linha, o silêncio de Sebastián era gélido. Ao ouvir o nome do sócio associado a uma viagem a sós com a esposa, a caneta que ele segurava quase quebrou. — Para a costa? Com ​​o Nathaniel? A esta hora? A voz de Sebastián estava tensa, vibrando com uma raiva m*al contida. O tom era tão áspero que ela teve que afastar o telefone. — Sim, Sebastián. É trabalho, eu já te disse outro dia. Ela tentou explicar. — Ele quer que eu o ajude com um imóvel… — Você não vai com ele sozinha. Ele a interrompeu bruscamente. Sebastián se levantou com um movimento tão repentino que a sua cadeira bateu na parede, o baque chamando a atenção da secretária. — Cancele o que precisar cancelar ou espere por mim. Eu vou te buscar agora mesmo e te acompanho para ver esses imóveis. Elizabeth ficou sem palavras por um segundo, surpresa com o tom autoritário e visceralmente possessivo do marido. Sebastián nunca se comportava assim. Ela não tinha motivos para desconfiar dela. Ele nunca lhe deu motivos para suspeitar dela ou de que ela pudesse ser infiel. Ela nunca o traiu. — Mas Sebastian, você tem mil reuniões, você me disse que estaria atolado em papelada. Disse ela, tentando ser mais clara. — Você não precisa se ausentar do trabalho para uma visita técnica. — O trabalho pode esperar, Elizabeth. Ele declarou. — Não vou deixar você ir fazer trilha na praia com o Nathan sem que eu esteja lá. Chego em casa em vinte minutos. Não saia daí. A ligação terminou com um clique seco. Na solidão do seu escritório, Sebastian encarou o telefone, a respiração ofegante e a cabeça latejando como se fosse um novo coração. Ele estava consumido pelo ciúme só de pensar em Nathan se aproveitando da vulnerabilidade da sua esposa. A mera ideia de que seu sócio pudesse tocar Elizabeth, beijá-la ou fazer com ela na areia exatamente o que fizera com Victoria na escuridão do escritório, revirava o seu estômago. Aquele beijo nos nós dos dedos… Ela não podia ir à praia sozinha com ele! Impulsionado por uma paranoia sufocante, ele não conseguia tolerar que outro homem profanasse o que considerava o seu por direito de posse. Vestiu o paletó com movimentos bruscos e saiu do escritório furioso. Seus funcionários o observaram passar, perplexos com a urgência animalesca que emanava de seu chefe. Enquanto descia no elevador, sentiu-se consumido pelo terror de que a sua própria traição se repetisse contra ele. Temia que o destino o retribuísse na mesma moeda, assim como fizera para enganar a sua esposa. A sua única obsessão era interceptar Elizabeth antes que Nathaniel a levasse para muito além do seu alcance. ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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