Episódio 27

928 Palavras
Elizabeth soltou um suspiro trêmulo, sentindo a luz da razão retornar ao seu rosto. Ela estava certa. Não podia enlouquecer e mudar a sua própria essência por alguém que não a valia. — Você não se arrependerá de ter amado. Declarou a médica com um sorriso esperançoso e a nobreza que aprendera com ela. — Se isso terminar m*al, você se machucará, mas sairá inteira. Você superará isso porque o seu valor não depende da fidelidade de Sebastian, mas do tipo de mulher que você escolheu ser em meio à tempestade. Não se diminua tentando alcançar alguém que está escapando. Seja forte, Elizabeth. Seja fiel a si mesma. Elizabeth saiu da sessão com essas palavras ecoando na sua mente como sinos de liberdade. O peso do mundo ainda estava lá, mas a vergonha havia evaporado. Ela não procuraria mais por trás de portas fechadas. Deixaria a verdade, com seu próprio peso, finalmente derrubar as mentiras de Sebastian, mas sofreria ao longo do caminho. A dor irrompeu. Elizabeth desabou no chão da sala, irrompendo em soluços dilacerantes, um choro que parecia brotar das profundezas da sua alma. Ela se sentia estú*pida, descartável. O pensamento de que Sebastian estava, naquele exato momento, compartilhando com outra pessoa o que lhe negava queimava por dentro. — Eu não aguento mais... Ela soluçou, cobrindo o rosto com as mãos e cravando as unhas no couro cabeludo. — Não consigo viver nesta escuridão. Não vou esperar que a verdade me mate. Enxugando as lágrimas com raiva, um rastro de rímel borrado nas suas bochechas, ela pegou o celular de dentro da pequena bolsa. Os seus dedos tremiam, mas sua vontade era de aço. Ela procurou o número da única pessoa que conseguira enxergar a sua luz quando ela se sentia invisível. Discou Nathaniel. — Eli! Que milagre para iluminar a minha tarde. Nathan atendeu ao segundo toque, sua voz alegre e enérgica, com aquele carisma natural que sempre a fazia sorrir. Mas desta vez, não havia sorriso no seu rosto. — A que devo a honra desta ligação? — Preciso saber, Nathan. Disse ela, com a voz trêmula. O silêncio do outro lado da linha foi imediato. O tom jovial de Nathan desapareceu, substituído por uma cautela sombria. — Sabe o quê, Elizabeth? Você está chorando. O que aconteceu? — Não se faça de desentendido. Preciso saber o que Sebastian está escondendo… o que você sabe e vem tentando me dizer há semanas com as suas piadas e indiretas. Eu sei que você sabe. — Eli, me escuta, eu não sei do que você está falando… Ele tentou dizer, mas ela o interrompeu com um grito que lhe rasgou a garganta. — Não minta mais para mim, droga! Chega de mentiras! Ela gritou, e as lágrimas voltaram a brotar com fúria. — Você também não! Venho analisando tudo isso há semanas. Repassei cada olhar no restaurante, cada palavra na praia, cada silêncio de Sebastian. Estou enlouquecendo há semanas, pensando que sou eu quem está errada, que sou tóxica, que não sou suficiente. Não aguento mais, Nathan! Preciso saber a verdade ou vou perder a cabeça. — Elizabeth, por favor, se acalme... — Me ajude! Ela implorou, a voz um apelo desesperado seguido por um dilúvio de lágrimas. — Eu imploro, me tire deste infe*rno em que estou vivendo. Diga que não estou imaginando coisas. Se você realmente se importa comigo, se me considera uma amig... me diga. Não me deixe morrer nesta mentira. Um silêncio eterno instalou-se. Elizabeth conseguia ouvir a respiração ofegante de Nathan do outro lado da linha. Ela sabia que o estava colocando numa situação impossível, mas não se importava mais com a lealdade entre parceiros. Só se importava com a própria sanidade. Nathan suspirou profundamente, e ela o ouviu passar a mão pelos cabelos, um gesto que ela havia perfeitamente imaginado. — Não é minha obrigação, Elizabeth... não me cabe destruir o seu mundo. Disse ele, com a voz carregada de tristeza. — Se você me considera uma amiga, se o respeito e a admiração que diz ter por mim algum dia significaram algo... então é sua obrigação. Ela respondeu. Não me deixe continuar sendo motivo de chacota para todos. Nathan permaneceu em silêncio por mais alguns segundos. O peso da decisão pairava no ar. Finalmente, ele soltou um suspiro de rendição. — Tudo bem. Eu vou te ajudar, mas Elizabeth... o que você está prestes a ver não será agradável. Vai partir o seu coração em pedaços que você talvez nunca consiga juntar. Tem certeza de que quer fazer isso hoje? Elizabeth fechou os olhos e deixou as lágrimas caírem, banhando o seu rosto. Ela sentiu um frio gélido, o frio de quem sabe que está prestes a se lançar no vazio. Ela ficou assim por alguns minutos, respirando o ar pesado da sua casa vazia. Então ela abriu os olhos, enxugou as bochechas com a palma da mão e o seu olhar tornou-se pétreo. — Estou pronta. Respondeu com uma calma gélida e ergueu-se do chão como uma deusa. — Leve-me até ele agora mesmo. Elizabeth desligou o telefone e permaneceu em silêncio por alguns segundos, com o coração batendo forte no peito. A decisão estava tomada. Não havia como voltar à ignorância. Lavou o rosto com água gelada, tentando apagar os vestígios da humilhação, e vestiu um traje de seda escura, preparando-se para a guerra que sabia que iria perder. Estava pronta, ou assim pensava. Acreditava ter forças para enfrentar o que quer que acontecesse, mas a verdade era que estava tão apavorada que não conseguia respirar.
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