Ela viu a placa dos banheiros no final do corredor, sob uma luz fraca e intermitente. Caminhou com passos firmes, mas ao chegar à porta do banheiro feminino, encontrou-o fechado para manutenção, com um carrinho de limpeza bloqueando a passagem. Suspirou frustrada, sentindo como se o universo conspirasse para exauri-la. O banheiro masculino ficava ao lado, mas um pouco mais adiante, ela viu um banheiro familiar, um daqueles boxes individuais e espaçosos que geralmente oferecem privacidade em prédios públicos. Elizabeth aproximou-se da porta do banheiro familiar, buscando um momento de paz, sem saber que estava prestes a vislumbrar o inf*erno.
Do outro lado da divisória de madeira, a poucos centímetros dela, Sebastian pressionava Victoria contra a parede de azulejos, com as mãos emaranhadas nos seus cabelos escuros, enquanto o tempo parecia ter parado. Naquele exato momento, o celular de Sebastian, caído no chão dentro da sua mochila descartada, vibrou com a chamada perdida de Elizabeth. O zumbido era um rugido abafado, abafado pelo tapete no canto, mas no silêncio do banheiro, ainda era audível.
Sebastian parou abruptamente, o coração batendo forte contra as costelas como o de um animal enjaulado. Victoria olhou para ele com um brilho de escárnio e desejo, levando um dedo aos lábios num gesto silencioso que pareceu excitá-la mais do que o próprio ato.
Do lado de fora, Elizabeth colocou a mão na maçaneta de latão. Tentou girá-la, mas estava emperrada.
— Tem alguém aí? Perguntou Elizabeth em voz alta, a voz clara e vulnerável no corredor vazio.
O som da própria esposa atingiu Sebastian como um balde de água gelada. Ele congelou, prendendo a respiração, reconhecendo o timbre doce, agora cansado, da mulher a quem jurara lealdade. O pânico o percorreu como um choque elétrico, paralisando-o. Ele estava a apenas uma porta de madeira de ter a sua vida, a sua reputação e o seu casamento destruídos para sempre.
Elizabeth esperou alguns segundos, com o ouvido praticamente colado na porta, a voz carregada de expectativa, buscando qualquer sinal de vida. Ela achou ter ouvido um farfalhar, o leve farfalhar do tecido contra o azulejo frio, mas o som de uma máquina de limpeza industrial ligando no corredor adjacente preencheu o cômodo com um ruído mecânico constante, obliterando qualquer vestígio.
— Senhora! Chamou o segurança de trás do balcão, gritando para ser ouvido acima do rugido da máquina. — Se a senhora está procurando o Sr. Whitaker, acabei de ver o sócio dele, o Sr. Nathan, indo em direção ao estacionamento. Ele pode saber se seu marido já saiu pela porta dos fundos.
Elizabeth soltou a maçaneta. Ela olhou para a porta do banheiro uma última vez, uma sensação estranha subindo no seu estômago, como uma intuição ardente. Ela achou ter detectado um leve traço daquele perfume forte que Nathan havia mencionado... mas balançou a cabeça bruscamente. — É a paranoia que Nathan plantou em mim. Disse ela, tentando recuperar a compostura.
— Obrigada. Ela respondeu, virando-se e caminhando em direção à saída principal, com os ombros caídos.
Dentro do banheiro, Sebastian encostou-se à parede, fechando os olhos enquanto gotas de suor frio se formavam na sua testa. O terror de ser descoberto o deixara fraco, drenando toda a paixão do momento. Victoria, com uma calma assustadora, começou a ajeitar a blusa e retocar o batom em frente ao espelho, olhando para si mesma com um sorriso triunfante, saboreando o caos que quase haviam causado.
— Essa foi por pouco. Ela sussurrou, lambendo os lábios m*aliciosamente.
— Saia daqui, Victoria, agora mesmo. Ele ordenou, com a voz embargada, incapaz de encará-la.
Sebastian sabia que não podia sair pela porta principal; o risco de encontrar Elizabeth no estacionamento era muito alto. Olhou para cima e viu uma pequena janela de ventilação, uma daquelas antigas que davam para um beco lateral do prédio. Com um esforço desesperado, ele subiu no vaso sanitário, abriu a estrutura de metal enferrujada e deslizou para fora, aterrissando no asfalto molhado e sujo do beco. Doeu demais.
Ele sacudiu a poeira das calças, recuperando a sua postura impecável e ajeitando a gravata, alheio ao fato de que o rastro do perfume de Victoria ainda impregnava a sua pele como uma marca invisível. Eles estiveram a um passo do desastre, e aquele encontro próximo com o abismo só pareceu alimentar a escuridão que, como hera, começava a sufocar tudo o que Sebastián dizia amar.