69 - Hariel

1801 Palavras

O segundo quarto da casa tinha cheiro de madeira antiga misturado com desinfetante barato. O chão estava recém-varrido e a janela aberta deixava o ar do morro circular. Hariel abriu a caixa de ferramentas e estendeu as peças do berço sobre o lençol que cobria o piso. Guilherme já estava de cócoras, olhando as tábuas com olhos atentos, como quem reconhece um pedaço da própria vida ali. — Isso aqui sobreviveu bem. A madeira é boa, firme. — disse, passando a mão nas laterais do berço como quem acaricia memória. — E o senhor guardou esse tempo todo, mesmo? — Hariel perguntou, enquanto começava a organizar os parafusos numa tampa de caixa. Guilherme assentiu com um leve sorriso. — E como foi descobrir que tu ia ser pai de novo? — Na época, eu não tinha muita escolha. Tua mãe apareceu com a

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