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1756 Palavras
Eu chego no morro e encaro tudo e todos, abro um sorriso e vou até o encontro de Maisa com Pedro. — Onde você estava? – Maisa pergunta – anda saindo bastante edo morro. — Organizando um pouco a minha vida, parece que tirei um peso das minhas costas – Pedro em encara — Conversamos lá – Maisa fala — Ah para Maisa, eu sei que Pedro sabe, ele é seu marido – Maisa encara Pedro e Pedro a encara – você esconde as coisas dele? — Não sei do que está falando – Pedro fala — Ué você não conta tudo ao seu marido Maisa? – eu questiono – eu contava tudo a Antonio, eu sinto tanta falta dele, a gente era cumplice em tudo sabe, a gente nunca escondeu nada de ninguém. — Serena, conversamos mais tarde, eu e Pedro a gente tem alguns compromissos – ela fala — Ok – eu respondo. Maisa sai com Pedro e vejo que ela ficou desconfortável quando questionei Pedro, ela tinha mais um amante além de Antonio, aquelas fugidas dela sem que Pedro sabe onde ela está, as mentiras, significava que ela tinha mais alguém e essa pessoa era dentro do morro, mas quem? Maisa também estava indiferente comigo , nãos ei porque, mas ela não me olhava mais nos olhos e estava bem seca em suas palavras, mas isso era problema dela ou não. Vejo Yan e eu já tinha certeza do que eu queria fazer, chega de noite, eu saio do morro e vou para minha casa, chego lá guardo tudo as coisas que tinha com Antonio, observo a casa da minha irmã e vejo as câmera smas estava tudo igual, tudo da mesma forma, ela fazendo sua rotina como sempre, após ver que estava tudo certo, eu mando uma mensagem para Yan. — Está ocupado? — Estou de ronda – ele manda — Eu não estou no morro mas queira te ver. — Onde você está? – ele pergunta — Estou na minah casa, quer vir aqui? Eu acho que preciso ficar com você mora do morro, ai é tudo tão tenso. — Estou indo para ai. Eu abro um sorriso, um sorriso satisfeito sabendo que ele estava vindo para cá. Eu deixo a porta encosta e logo ele chega e me encara. — O que aconteceu? – ele pergunta — Você sabe o que eu quero – eu falo me aproximando dele e a gente se beija. – vamso lá para o quarto – ele vem beijando meu pescoço. sugada que o Matheus Augusto dava, parecia que era enfiado em meu seio uma agulha e ficava doendo por horas. Ela sugeriu que eu ligasse para o médico, assim fiz. Ele pediu fotos do seio e da boca do neném, logo disse que eu estava com cândida mamária e o meu neném com o conhecido “sapinho”. Foram trinta dias de tratamento para ambos melhorarmos. As coisas em casa não iam bem. Meu marido quase não falava comigo e nem com nossa filha mais velha, nem ajudava com o bebê. Parecia estar vivendo em outro mundo. Começou a reclamar que não podia dormir direito porque o bebê chorava à noite, o deixando acordado e ele querendo descansar... toda aquela história. O que eu achava engraçado é que nunca perguntava se eu estava bem, como havia sido meu dia, ou se eu precisava de ajuda com os afazeres domésticos ou com o bebê. Uma noite, tivemos uma discussão porque nossa filha mais velha não queria mais continuar estudando na escola de Sarandi. Ela queria estudar aqui, pois as aulas online estavam muito difíceis e as provas deveriam ser realizadas na escola presencialmente, ela tinha medo de contrair o vírus. Ele se mostrou insensível e disse que iria passar a dormir no outro quarto, assim não seria acordado com o choro do filho. Notei várias mudanças a partir daquele momento; não jantava mais conosco à mesa, não dava atenção ao bebê e tampouco à Milena, nossa primogênita. Nos fins de semana, nunca ficava em casa, enquanto eu, Milena e Matheus Augusto não podíamos sair, nem conversar com os vizinhos. CAPÍTULO 7 Um dia, ele chegou em casa tarde, quando as crianças estavam dormindo, eu disse a ele que gostaria de conversar sobre nós. Ele respondeu que não tinha nada para falar. Então, perguntei se ele estava me traindo ou se havia outra mulher. Foi a gota d'água! Ele afirmou que eu estava louca, uma professora fracassada sem emprego, uma tranqueira de mulher, entre outras grosserias que prefiro não reproduzir. Para quem está lendo estas palavras e se identifica, isso caracteriza um relacionamento abusivo, mostrando o quanto uma pessoa pode ser tóxica, influenciar a psique e causar sofrimento emocional. As palavras ditas podem ser mais dolorosas do que a própria violência física. Pode ser que você pergunte, por que não terminei esse relacionamento antes? Eu já estava acostumada com as grosserias. Ele sempre foi reservado, mas agora era diferente; parecia um cofre. Eu não reconhecia mais a pessoa por quem me apaixonei e me anulei quase por completo, para agradar a alguém que já estava comigo há 19 anos. Muitas vezes, implorei por carinho e atenção. Estávamos em fevereiro de 2021, nosso filho Matheus Augusto logo completaria seu primeiro ano de vida. Ainda vivíamos a pandemia do coronavírus, o que proibia festas e reuniões entre amigos. Mesmo assim, eu queria celebrar o aniversário do nosso caçula. Convidamos os padrinhos e familiares para uma comemoração em um domingo ensolarado. Na véspera, meu marido chegou tarde e disse que os familiares dele não viriam no domingo à tarde, pois suspeitavam de alguém com COVID-19. Alertei sobre o risco, mas ele desconversou e foi para a sala como de costume. No dia seguinte, pela manhã, organizamos tudo para a celebração. Os convidados chegaram, todos usando máscaras e após algumas fotos, cantamos os parabéns. No entanto, meu marido ignorou completamente minha família e não conversou com eles. Após a saída dos familiares, questionei o comportamento dele. Fui insultada com palavras de baixo escalão e ele pediu à nossa filha mais velha para preparar um prato de salgados para levar à mãe dele. Ele partiu de moto. Comecei a chorar, minha filha e eu nos abraçamos, enquanto Matheus dormia. Eu me perguntava: o que fiz de errado? O que está acontecendo? Na manhã seguinte, meu marido saiu para trabalhar como se nada tivesse acontecido. Durante toda aquela semana, não dirigiu uma palavra a mim ou aos filhos. Chegava apenas no horário do almoço e logo saía, retornando tarde da noite. Tomava banho e ia dormir. Na manhã do dia três de março, nossa filha completou seus 17 anos. Lembrei-o de felicitá-la e pedi que comprasse um presente para ela, já que ele não me permitia sair de casa. Então, na hora do almoço, ele lhe deu cem reais, disse que era o presente de aniversário. Milena ficou feliz e agradeceu. Eu disse a ela que não podia comprar nada no momento, mas desejava tudo de melhor em sua vida. Ela respondeu: — Você, mãe, é o melhor presente que eu poderia ganhar. — E me abraçou longamente. Durante o almoço na quarta-feira da semana seguinte, nossa filha pediu se podia ir com o irmão ao porão da casa, pois gostava de brincar com ele. Respondi que sim, que lavaria a louça e limparia a cozinha, depois iria lá para dar de mamar. Foi aí que tive uma surpresa. Meu marido terminou de almoçar, olhou para mim e perguntou: — Posso pegar a mala que está no armário? Cheguei a me espantar, pois havia dias que não falava comigo. — Porquê? Vai viajar a negócios? Ele respondeu: — Não, vou pegar minhas roupas e sair dessa casa. Não quero mais continuar aqui. Fiquei tão chocada, que lembro de ter dito que as coisas dele não caberiam na mala e que precisávamos conversar. Não podia sair assim de casa sem motivo, mas ele tinha um motivo: a amante. Assim, do nada, nosso relacionamento de casal chegava ao fim, e eu sem entender o motivo. Fiquei na cozinha, parada, enquanto ele carregava no carro a televisão da sala e todas as roupas e calçados. Vi-o sair sem olhar para trás, sem se despedir dos filhos. Fiquei ali tentando processar o que acabara de acontecer. Notei que alguém me chamava e saí do transe. Era a Milena, pedindo se eu ia dar de mamar, pois o Matheus Augusto estava chorando. — Sim, estou indo. Enquanto amamentava, as lágrimas rolavam dos meus olhos e eu disse: — Milena, teu pai saiu de casa, levou tudo o que era dele, até a televisão. Ela respondeu: — Sério, mãe? Mas o que ele disse? — Nada, que não queria mais morar aqui e ia para a chácara. Eu insisti para uma conversa, mas ele não quis, disse que já tinha tomado a decisão dele e não voltaria atrás por nada. Eu não sabia o que fazer, liguei para meus pais e dei a notícia sem enrolação. Meu irmão disse: — Que bom! Agora tu vais começar a viver de verdade. Poderemos nos visitar e conversar, pois faz cinco anos que não nos falamos por causa dele. — Eu chorei, chorei, chorei. Passou a quinta-feira e a sexta-feira. Veio o sábado, como de costume pedimos uma pizza, jantamos e Milena foi mexer no celular. Matheus Augusto já estava dormindo e eu fui ler um livro que tinha iniciado há tempos. Quando minha filha me chamou: — Mãe, vem aqui agora! — O que foi? — Você conhece essa mulher? Olhei e respondi: — Sim, conheço. Por quê? — Ela está na chácara com o pai. Foi por isso que ele foi morar lá. Olha só quantas fotos deles juntos. Ainda postou que está em um relacionamento sério desde o dia 01 de março e hoje é dia 13. Eles já estavam juntos quando ele saiu daqui de casa, mãe. Você tem que procurar um advogado. Isso é adultério! Eu olhava e não acreditava. Demorou para cair a ficha. Então, comecei a montar as peças do quebra-cabeça e tudo se encaixava perfeitamente bem. As mudanças de humor, as grosserias, o descaso comigo e com os filhos pouco menos, a indiferença, a frieza, o silêncio. Tudo se encaixava. Só eu não sabia ou fechei os olhos diante de todas essas atitudes por medo, insegurança, comodismo. Me permiti ser tratada como alguém insignificante, uma simples empregada da casa. Onde eu estava? Em que mundo eu me escondia? Meus olhos estavam vendados?
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