A pessoa com quem dividi grande parte da minha vida, entre altos e baixos, alegrias e tristezas, sucesso e fracasso, sonhos e ideias para um futuro distante, simplesmente tinha me deixado. Saído do meu lado, abandonando o lar e os filhos por um motivo devastador: sua amante.
A vida não se importou se eu ia sofrer, me entristecer, me calar, me autodestruir emocionalmente. Não, o mundo não ia parar de me jogar pedras. Era eu quem tinha que ficar mais forte e levantar para mostrar ao mundo a força que eu tinha e não sabia. Dentro de mim, há dores que ninguém conhece, cicatrizes que ninguém cuidou, sacrifícios que ninguém viu, sentimentos e emoções que ninguém pode julgar. Pois somos todos humanos imperfeitos e não podemos nos dar ao luxo de julgar a vida alheia.
As pessoas querem uma plateia, dar sua opinião sobre o que ouvem falar, tirar suas próprias conclusões, buscar um culpado para então sentir alívio de certa forma. “Ela mereceu, não soube cuidar do marido. Bem feito, coitada. Só sabia trabalhar, cuidar da casa e dos filhos, e levou um chute no traseiro.” E por aí vão os comentários maldosos. O ser humano já nasce c***l; por isso, precisa aprender a amar, a respeitar, dar valor... não às coisas materiais, mas a quem está do seu lado. Dialogar, expressar seus sentimentos. A comunicação é essencial para um bom relacionamento em qualquer área.
O Litígio, um desgaste emocional na linha do tempo.
Era abril de 2021, mais especificamente no dia 09. Eu já havia entrado com o divórcio litigioso na comarca da minha cidade, mas ainda não havia concluído minha CNH. Nesse dia, eu deveria levar meu filho para vacinar na rede particular, previamente agendadas. Lembrei que também não tinha o dinheiro suficiente para pagar e decidi ligar para o meu ex-marido, pedindo que levasse nosso filho para fazer as vacinas e que usasse o meu carro. Ele aceitou, e na hora marcada, estava lá na nossa casa. Fomos calados até Sarandi, município vizinho, a cerca de trinta minutos de Constantina, para que Matheus Augusto fizesse as vacinas pré-agendadas. Ele pagou, pediu um recibo e fomos embora.
Na volta para casa, já chegando, meu ex-marido me ameaçou, dizendo que eu tinha que sair da casa com os filhos até sexta-feira à tarde, porque a casa era dele.
Respondi: — Não vou sair, pois não tenho para onde ir. Além disso, foi você que saiu de casa e nos abandonou por causa de outra mulher. Não foi homem o suficiente para sentar e conversar sobre nosso relacionamento, me traiu e ainda diz que não fez nada?!
Ele parou o carro e repetiu novamente para eu deixar a casa até sexta-feira. Guardei meu carro na garagem e liguei para meu advogado, explicando o que havia acontecido. Ele disse para eu me acalmar e permanecer na casa onde estava, pois ele não podia me tirar dali com os filhos.
Foi aí que as coisas começaram a piorar. Minha filha ainda continuava com o ensino remoto em casa. Ela havia reclamado comigo durante os dias que a internet estava “caindo” e eu não havia recebido o boleto para pagar. Foi então que descobri que o pai dela havia feito um pedido para a empresa não debitar da conta dele a internet. Na mesma semana, ele me mandou mensagem pedindo para ir ver os filhos. Eu disse que poderia vêlos quando quisesse.
Naquela tarde, por volta das 15 horas, ele apareceu. Milena se escondeu no quarto, pois não desejava vê-lo. Matheus Augusto, com quatorze meses, não sabia quem era aquele homem e só queria ficar no meu colo.
Então, disse diretamente a ele: — Por que você não avisou para mandarem os boletos da internet para esse endereço? Tive que pedir emprestado para a vizinha para que nossa filha acompanhasse as aulas.
Ele, com aquela cara de cínico, falou com voz de deboche: — Eu não estou sabendo de nada. — Me subiu o sangue na hora, mas mantive a calma por causa do pequeno. Ele continuou ali mais uns minutos e foi embora.
Me deu uma crise de choro onde não me controlei; abracei meu filho e chorei. Milena saiu do quarto e disse, para mim, parar de chorar que agora nós já sabíamos que foi ele quem mandou cortar a internet. Assim que me acalmei, liguei para a empresa responsável para corrigir aquela situação e pedir que, a partir do mês seguinte, enviassem os boletos para meu endereço. Pude confirmar que ele, meu ex-marido, havia pedido para cancelar o débito em conta da nossa internet no mês anterior.
Mas não parou por aí. Passados mais dois meses, em um domingo à noite, minha filha e eu estávamos no quarto quando olhei para o monitor de TV e falei para ela: — Será que as câmeras da nossa casa ainda funcionam?
— Vamos testar, mãe. — Ela disse.
Liguei o monitor e pediu para colocar uma senha; coloquei a que eu me lembrava, mas dizia que a senha era inválida. Foi aí que Milena teve a ideia de conectar o cabo do celular e a imagem apareceu no canto esquerdo da tela, era a chácara onde o pai dela estava morando com a nova companheira. Eu surtei, fui lá fora e arranquei tudo, desconectando assim as câmeras; o monitor agora estava sem imagem alguma. Por isso, ele sabia de todos os nossos passos, quando meus pais e irmãos vinham nos visitar ou quando saíamos, pois monitorava nossa casa através do celular dele, ligado às nossas câmeras de segurança. Passados exatamente dois meses, o excelentíssimo deu o ar da graça, apareceu para visitar os filhos. A mais velha se trancou no quarto, e o pequeno estava comigo no pátio brincando.
Ele chegou e logo me perguntou se as câmeras estavam funcionando. Eu disse que não sabia e fui logo dizendo: — Você veio ver os seus filhos? A Milena não quer conversar contigo, está trancada no quarto e o pequeno está aqui. Pare de me ameaçar, senão vou registrar um boletim de ocorrência contra você na delegacia.
Eu passo a noite toda em claro pensando que Serena estava ligando as peças muito antes do tempo, eu precisava acelerar o meu plano, caso ao contrário, ela poderia colocar tudo água baixo.
— Ainda acordado? – Fabiene pergunta
— Pensando no que você disse que ela foi até a confeitaria.
— Eu liguei a Maisa – ela fala – falei a ela que Yan precisava ajeitar o plano.
— Eu não sei se posso confiar em Yan – eu falo para ela – confiar que ele está querendo o que diz.
— Porque? – ela pergunta – ele não sabe que você está vivo, ele tem interesse na mesma coisa que você tem.
— Yan sempre foi esperto – eu falo para ela – liga as coisas muito rápido, Serena foi para o morro do nada.
— Você sabe que Maisa disse – ela fala e eu a interrompo
— Eu também não confio em Maisa – eu falo
— Você se envolveu com ela, achei que confiasse nela.
— Maisa é muito levada – eu falo para ela – maria vai com as outras.
— Yan quer a mesma coisa que a gente e somente Serena pode nos dar – ela fala – você sabe disso, Yan também tem esse mesmo interesse, mas ele não conta que você esteja vivo
— Eu quero Yan morto assim que a gente entrar no morro – eu falo para Fabiene – eu não quero meu irmão vivo.
— Nesse momento ele é essencial para o nosso plano – ela fala – ele está com sangue nos olhos contra Serena , ele além de tudo quer vingança, relaxa, Yan a odeia, a odeia com todas as forças do mundo e você sabe por qual motivo, ele jamais vai querer deixar Serena viva, a gente vai vencer isso, vamos pegar o que é nosso e vamos embora meu amor para bem longe – eu abro um sorriso para ela. – mas na hora certa, precisamos agir em algumas semanas ainda, está muito cedo para colocar os pés pela cabeça
— Você tem razão – eu falo – precisamos agir com a razão e não com o coração.
— É isso que eu falo – ela fala – vamos deitar, precisamos descansar
— Eu já vou.
Eu recebo uma mensagem no meu celular e era de um número desconhecido, eu pego o meu celular e era um vídeo.
‘’ Sim, eu escolhi o irmão errado quando me casei com você. Ainda bem que você morreu e me fez conhecer o irmão certo e confesso, que nunca fui tão feliz nessa casa como estou sendo. ‘’
Eu dou um soco na mesa de raiva.
Eu saio de casa bem cedo para ir na padaria e as pessoas estão conversando horrores e cochichando para mim, eu olho para todos estranhando, eu entro na padaria.
— Eu quero cinco paes – eu falo
— Desculpa mas não vendemos pão para x9 – ela fala
— O que você disse?
— É isso mesmo, não vendemos pão para x9 – ela fala – acredito que nunca mais nem vamos ver você nessa padaria.
Eu olho para todos sem entender o que estava acontecendo, saio da padaria e vejo todos comentando.
— Maisa – Anjinho fala se aproximando de mim
— O que está acontecendo? Cadê Pedro? – eu vejo alguns vapores se aproximando
— Você ainda não viu os vídeos que estão rolando por aí – ele fala
— Que vídeos? – eu pergunto e ele abre um sorriso
— Amante do meu pai? – ele pergunta e eu encaro ele – do maior filho da p**a que poderia existir no morro Maisa e realmente você acha que esconderia esse segredo até quando?
— O que você está falando? Eu sempre fui amiga dele, nunca amante.
— Aé mesmo? – ele pergunta e eu o encaro
— Cadê Pedro? Onde ele está? – vejo mais vapores armados se aproximando
— Levem ela – ele fala
— Para onde? – eu pergunto e os homens começam a se aproximar de mim
— Levem ela – ele dar a ordem.
Eu começo aos gritos mas logo sou agarrada e amordaçada, as pessoas todas ficam me olhando, enquanto começam a gritar que eu era uma x9 , eu tentava me debater mas era segurada, não conseguia falar nem nada.
Eles me jogam em um buraco dentro de um casebre, me jogam dentro do buraco e depois fecham a porta, eu fico ali encolhida, amordaçada e com falta de ar.
Eu chego no morro junto com Yan, ele desce da moto e me encara e eu o encaro, ele sai andando com a arma no punho, troca algumas palavras com Caio e depois sobe com ele para cima, vejo Anjinho falando com Pedro e Pedro me encara de longe mas sai andando também.
Eu me aproximo de Anjinho e ele me encara.
— O que está acontecendo aqui?
— Você estava com Yan e não sabe? – ele pergunta
— Como assim eu estava com Yan? – eu questiono ele
— Todo mundo aqui sabe que estão de rolo – ele fala – mas o engocio é sobre sua amiga
— Minha amiga? – eu pergunto para ele – Maisa, ela está bem?
— Não vai estar aqui com a gente por muito tempo – ele fala me olhando
— Porque está falando isso, o que aconteceu? – eu pergunto para ele eele começa a rir – Me diz, oq eu aconteceu com Maisa?
— Isso – ele fala me olhando e pegnado o celular – sua amiga era amante do maior filho da p**a do mundo
— Não pode ser – falo olhando para ele.
— Cujo meu pai, inimigo desse morro.
— Porque? – eu pergunto para ele
— Porque o que?
— Porque Antonio é inimigo do morro? Se ele é irmão de Yan e ambos são filhos e automaticamente herdeiros juntos?
— Não – ele fala – Antonio é inimigo porque abusou da minha mãe.
— Ele fez o que? – eu pergunto para ele.
— Ele abusou dela, a estuprou, ela era noiva do Yan – ele fala e eu encaro – depois a matou da pior forma possível.
— Ele matou ela?
— Sim – ele fala – com a ajuda de – eu o encaro e ele me encara – tem coisas que o passado não deveria vir a tona.
— Com ajuda da Maisa?
— Não – ele fala – não foi a Maisa.
— Mas Maisa sempre foi amante dele?
— Bem escondida – ele fala – mas agora, duvido que fique viva. A pessoa que jogou isso , sabia que Maisa seria morta da pior forma possível -e le acende um baseado - vou assistir de camarote. – ele sai andando mas para – sabe porque? Porque eu odeio a todos que se envolveram com meu pai um dia, aquele homem e todos ao seu redor, merecem a pior morte do mundo.
— Mas ele está morto, não? – eu pergunto para ele.
— Ele está vivo mas eu vou m***r ele com as minhas próprias mãos – ele fala.
— Você sabe onde ele está?
— Ainda não – Anjinho fala – mas eu vou descobrir e quando isso acontecer
— E se eu te disser que eu sei onde ele está – ele me encara – e sei como trazer ele até você – eu me aproximo dele – você diria o que?
— Professora – ele fala me encarando
— E se eu te disser que eu fui casada com ele durante anos, e que ele tem uma esposa, que ele me traiu com a Maisa com a Ana Julia, se bobear até com a minha irmã, que eu fui fantoche em sua mão, sofri a sua morte falsa, chorei por ele, subi o morro para tentar descobrir se ele ti nha sido morto pelo irmão. E no final descobri que eu era uma i****a, uma corna, uma boba, um fantoche na mão dele. O que você diria Anjinho?
Quando chego perto de Pedro e Caio eles me encaram.
— Isos não fazia parte do plano – Pedro fala – não era agora que isso deveria ter vido a tona.
— Pelo jeito tem mais pessoas com raiva da Maisa – eu falo
— Serena? – Caio pergunta – será que ela não descobriu sobre a traição do marido?
— Serena é esperta – Pedro fala
— Mas nem tanto – eu falo – olha, aquela professora, está aqui brincando de investigação mas não sabe nada do que está fazendo.
— E agora? – Pedro pergunta – vamos ter que m***r ela antes do tempo.
— Isso não te deixa triste?
— Me deixa triste ainda estar casado com essa v*******a e agora ter fama de corno – ele fala rindo – deveria ter matado ela quando descobri, mas cai no teu papo.
— Você sabe porque estamos fazendo isso, a gente te uma promessa para cumprir por uma pessoa que foi muito importante para nós.
— Uma promessa que está saindo cara de mais – Caio fala
— Mas não esqueça que estamos vivo por causa dessa pessoa – eu falo para eles – e agora não é nada mais justo que a gente cumprir com a nossa palavra.
— Serena – Caio fala nos encarando – se a mãe dela soubesse que um dia ela estaria aqui no morro, nesse exato momento deve estar se revirando no caixão.
— Quase se ressuscitando na verdade – eu falo rindo – o mundo dar voltas
— E a Maisa? – Caio pergunta
— Vamos deixar ali – Pedro fala – se a gente tirar, pode ser que acaba atrapalhando nossos planos, a pessoa que espalhou os vídeos quer ela viva também, até porque deve estar insatisfeito com ela por algum motivo
— Mas qual? – eu pergunto olhando para eles.
— É isso que precisamos descobrir – Caio fala
— De qualquer forma a pessoa que a gente quer vai acabar vindo até aqui, porque se for homem de verdade vai querer terminar o serviço que começou – Pedro flaa – vamos aguardar, a gente dar o fim nela depois.
—
Observo anjinho andando e eu vou para casa, no caminho encontro Teresa e ela me encara, eu encaro ela.
— Estou horrorizada com tudo que está acontecendo hoje no morro – eu falo para ela.
— Eu também estou – Teresa fala
— Ana Julia está onde?
— Ela está lá em cima – ela fla a
— Ela também era amante do Antonio, não era?
— Como você sabe disso?
— Yan me contou – eu falo para ela
— Vocês estão próximos de mais, não?
— Infelizmente sim – eu falo para ela – mas está sendo mais forte do que eu.
— Você realmente está preocuopada com Maisa? Você sabe que nesse momento eles podem estar matando ela?
— Ela é uma traidora, não é mesmo? – Eu pergunto e ela me encara. – traidores precisam pagar pelos seus erros, ela traiu os amigos de infância, o marido, o morro, os moradores, os vizinhos.
— Mas ela era sua amiga. – Teresa fala
— Eu também achava que ela era minha amiga Teresa – eu falo para ela – até ela me trair , trair a minha amizade ficando com meu marido.
— Ela também ficou com seu marido? – ela pergunta – quantas mulheres ela tinha como amante?
— Antonio era meu marido – eu falo para ela e Teresa me encara
— O que você disse? - ela pergunta
— É isso mesmo que a senhroa está escutando – eu falo para ela – Eu fui casada com Antonio, eu chorei a morte dele para descobrir que ele está vivo, que ele é casado com outra e que na verdade ele somente me usou para ter uma vida perfeita por algum motivo, para fugir de algo ou se aproximar de algo.
— Como assim ele é seu marido e ele está vivo? – ela pergunta – porque está dizendo isso?
— Podemos tomar um café? – eu pergunto para ela e ela me encara
— É claro que sim, devemos tomar esse café.
— Vamos até a casa que era de Antonio e que agora estou morando por algum motivo – ela me encara.
Eu vejo que Teresa está bem nervosa assim como eu, mas eu precisava cercar Antonio, ele sempre manteve contato com a mãe enquanto a gente era casado, e isso era porque Teresa era um dos seus pontos fracos e eu usaria isso ao meu favor.