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Broken- Basta um verdadeiro amor para unir o que antes foi quebrado

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Sinopse

Verônica Sinckler é uma garota comum, por causa de um trauma do passado, não consegue mais se relacionar com garotos e sendo assim, sempre se afasta de quem tenta se aproximar.

Luke Mcdoneel é o típico bad boy com um passado dolorido que ainda deixa marcas; duas pessoas diferentes, mas que compartilham muito em comum. Um encontrará no outro, forças para continuar seguindo em frente e perceberão, que mesmo estando quebrados, eles ainda conseguem amar.

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Capítulo 1
Cheguei ao estacionamento da escola faltando pouco mais de dez minutos para a batida do sinal anunciando a primeira aula do dia, os alunos que ainda restavam por ali andavam apressados para chagarem à suas salas. Ajeitei a mochila no ombro e continuei andando em direção à minha classe. Arielle que estava ao meu lado resmungava algumas coisas incompreensíveis enquanto tentava não tropeçar. Arielle é minha melhor e única amiga. Nós nos conhecemos desde a infância e, desde então, nossa amizade só evoluiu, não há praticamente uma coisa que uma não saiba sobre a outra. A questão é que estávamos sempre juntas, sempre que eu precisava, ela estava ali, e sempre que ela precisava, eu estava lá. Ela é bem diferente de mim em aparência, a não ser pela altura, que é praticamente a mesma: 1,68m. Ela tem os cabelos escuros e grandes, olhos castanhos e um corpo cheio de atributos. Eu, por outro lado, sou completamente diferente, acredito que grande parte do que há em mim herdei da minha mãe, apenas a cor dos olhos que devia ser do meu pai. Tenho o cabelo cumprido com leves cachos e ruivo, natural. Assim como a minha mãe não nasci com tantas sardas, é algo pouco visível, meus olhos são acinzentados, assim como os do meu pai. Minha mãe morreu em um acidente quando eu tinha seis anos de idade. Ela estava em uma casa em chamas; disseram que foi para salvar alguém, mas até hoje não descobri quem. Alguma coisa lá dentro caiu em cima dela e a prendeu. Ninguém conseguiu salvá-la, já que a casa estava tomada pelo fogo. Tenho algumas lembranças dela; mínimas, mas não deixam de ser importantes. Era algo trágico, mas saber que ela tinha morrido para salvar alguém me deixava mais tranquila. Para mim ela sempre iria ser minha h*****a. Tinha retratos dela, e por isso sabia que éramos parecidas, tanto no cabelo e tanto na personalidade. Bom... na personalidade um pouco já que ela era bem mais divertida que eu. Eu e meu pai decidimos conservar um túmulo para ela no cemitério mais próximo, meu pai achou que seria melhor assim, seria uma forma de nos sentirmos mais perto dela. Eu não fui contra, gostava de visitar o túmulo dela; levar flores e ficar lá conversando como se ela pudesse me ouvir. Isso me fazia sentir que ela estava por perto olhando por mim e meu pai, e também não poderia deixar o lugar abandonado, porque apesar de a ideia ter sido do meu pai, ele só visitava o túmulo no aniversário dela. Era doloroso demais pra ele. Após aquele incidente, meu pai decidiu se tornar bombeiro. Na época, tinha um emprego bom e ganhava bem, mas a morte dela teve tanto efeito nele quanto em mim; ele se culpava por não ter estado lá quando ela precisou e também se sentiu melhor ao saber sobre o heroísmo dela. Com o tempo ele viu que queria ser como ela: queria salvar pessoas. Era uma forma de recompensar o que aconteceu no passado. Até hoje ele continua nessa carreira, e acredito que por causa dele muitas famílias estão vivendo felizes e agradecidas. Ele se tornou chefe dos bombeiros e o melhor amigo dele, Nicolas é chefe de polícia. — Ei, Verônica, está me escutando? — chamou Ariel, me cutucando com o braço. — Estou falando com você há uma hora e acho que nem escutou o que eu te disse. — Desculpe! Estava concentrada em chegar à sala de aula logo. Sabe muito bem que o Senhor Hubermann odeia atrasos. — E por acaso sou culpada pelo nosso atraso? — perguntou ela. Fiz que sim com a cabeça, porque era verdade. De cem por cento dos nossos atrasos poderia dizer que noventa e nove por cento era culpa dela. Algumas vezes porque acordava atrasada, outras porque ainda estava se arrumando, e assim por diante. Chegamos à sala de aula do senhor Hubermann em cima da hora. Assim que nós entramos, ele já apareceu e lançou aquele olhar ameaçador que dizia “eu-sei-que-se-atrasaram-e-não-gostei-nada-disso”. Ele era professor de biologia. O bom dele é que ele não era tão chato, ele pegava no pé para que os alunos se concentrassem na aula dele, mas não era aquela coisa que fazia as pessoas detestarem um professor. Havia alunos que não gostavam dele, óbvio, mas é praticamente impossível agradar todo mundo. — Bom dia, classe! Espero que estejam animados porque tenho trabalho de biologia para vocês — dizia o professor enquanto deixava alguns livros sobre a mesa. Todos da classe começaram a resmungar. Não que eu gostasse de fazer trabalhos escolares, mas não era uma escolha, teria que fazer ou teria que ficar sem nota. Então, como não sou burra, prefiro a primeira opção. Já estávamos na segunda semana do mês de julho, há pouco tempo voltamos das férias. Então não estava tão desanimada como esperava estar. — Trabalho e mais trabalho! Nunca vi um professor gostar de passar tantos trabalhos assim. Já não fizemos um na semana passada? — disse Ariel ao meu lado enquanto fuçava sua mochila. — Na verdade, foi antes das férias. — Continua sendo trabalho. O Senhor Hubermann começou a aula distribuindo alguns livros de biologia e entregando uma folha com algumas questões. Ele disse que teríamos que procurar as respostas no livro e terminar o trabalho antes de a aula acabar. Até aí estava tudo muito fácil, mas quando trabalhos escolares têm relação com esse professor, já podia desconfiar. Às vezes ele fazia com que lêssemos textos de duas, três páginas para encontrar apenas uma simples resposta. É, ele gosta de complicar. — Espero que faça muito bom uso desses trabalhos. Odeio gastar minha inteligência com coisas desse tipo — resmungou Raquel do fundo da sala. Estava demorando Raquel é uma das patricinhas que existe na escola, sim, uma das, porque não existe só ela aqui, a amiga dela se chama Lucianna, é exatamente um fantoche de Raquel. Contanto que uma ficasse fora do caminho da outra, não tínhamos tantos problemas, mas de vez em quando ela sempre fazia provocações me chamando de cabelo de fogo, laranjinha, ferrugem ou outras coisas que, na cabeça dela deveria parecer ofensivo. Não me importo muito com isso, não está muito longe de ser verdade – pelo menos a parte do cabelo. — Que inteligência? Acho que não tem que se preocupar com isso porque não tem muita coisa aí dentro para você gastar, não. — provocou Ariel. — Fala isso porque morre de inveja, garota. Sabe que sou inteligentíssima. Com essa, a classe começou a rir. Éramos sempre obrigados a ficar ouvindo-a falar o quanto era linda, maravilhosa, inteligente, rica e blábláblá. Acreditava que se ela não fosse tão ignorante e arrogante ela poderia ser uma garota bastante esperta. Ela não era burra como aparentava ser, talvez fizesse isso só para aparecer mais… Ou não. Ainda não sei a resposta. Sempre que Raquel abria a boca era risada garantida da sala. O pessoal devia achar que ela dizia aquilo só como brincadeira, mas não era bem isso. Não que Raquel não fosse bonita – ela era linda, tinha um cabelo platinado e cacheado, os olhos turquesa, era alta, com o corpo escultural, frequentava sempre a academia e cuidava da pele e cabelo. Era o tipo de garota, que qualquer pessoa naquela escola desejaria, o problema é que ela era muito egoísta, ignorante e arrogante, queria tudo do jeito e da forma dela. Ouvi as amigas dela falando uma vez (quando ela não estava por perto, obviamente) que ela era assim porque os pais dela brigavam frequentemente, então era uma forma de chamar a atenção. Mas, eu não sabia se era exatamente isso. — No dia que eu tiver inveja de uma cobra venenosa como você, quero sinceramente que alguém arranque meus olhos. Esse seu ego é maior que essa espinha na sua cara. — Espinha? O quê? M-mentirosa. — disse Raquel, enfiando a mão na bolsa dela e tirando de lá um espelho. — Chega, Arielle. Não precisa discutir com ela. — Disse, puxando o braço dela. — Chega uma ova, essa garota me irrita. — Acho que deveria dar um remédio contra raiva para essa sua amiga doida. Cabelo de fogo.  Será que algum dia ela iria perceber que me chamar de cabelo de fogo não era uma ofensa? — Classe! Vamos parar? — interrompeu o professor, e Raquel sentou-se como se fosse uma criança levada pega fazendo bagunça. — Vocês têm pouco tempo para terminar o trabalho, se não me entregarem não irão sair. — Até parece que o senhor pode fazer isso — indagou Ariel de cara fechada, e o professor lançou um sorriso diabólico pra ela — Eu posso e farei. Eu sou o professor aqui, quem manda nessa sala sou eu. Vi que Ariel estava prestes a responder quando se contraiu na mesa, concentrando-se no trabalho. Raquel deu uma risadinha disfarçada, ambas sabiam que o que o senhor Hubermann falava não era da boca para fora, ele realmente cumpria com a palavra. No ano passado tivemos aula com esse mesmo professor, como de costume. Ele havia passado trabalho em grupo para a classe e, como sempre, Ariel o contrariou e ficou resmungando. Ele disse que se não terminássemos o trabalho ele impediria que o nosso grupo saísse para o intervalo, e foi justamente isso o que aconteceu; as outras pessoas do grupo ficaram furiosas com ela por semanas. Se alguém perguntasse sobre Arielle na escola toda, a maioria das respostas seria algo como: encrenqueira, mimada, filhinha do papai, e isso era o mínimo, sem contar outras coisas pela qual ela é chamada. A questão é que eles não a conhecem realmente. Ela pode ser exagerada às vezes e não saber a hora de parar de falar, mas por detrás de tudo isso existe uma garota legal e com um enorme coração. Ela é bastante extrovertida e animada, só não sabe a hora certa para calar a boca.                                   Na saída, me encontrei com Arielle para ir embora. Moramos perto, então não tínhamos que nos preocupar em pegar ônibus ou carona. Todo o caminho para casa íamos conversando sobre a escola e qualquer assunto que surgia. — O aniversário da sua mãe está chegando. Sei que esse assunto te deixa meio triste, mas gostaria de ir com você visitá-la. — Falou ela, enquanto caminhava ao meu lado. Eu não fiquei muito surpresa, ela sempre se oferecia para ir comigo e eu sempre aceitava. Ela achava que essa época do ano me deixava mais fraca, mais emotiva, mas na verdade não era assim. É lógico que eu ficava triste, até mais que em qualquer outra época do ano, mas eu sabia que ela gostaria que eu continuasse a minha vida, e por isso não me dava o direito de usar a morte dela como desculpa para me isolar do mundo e da minha amiga. Ela morreu uma semana antes do seu aniversário, no dia 02 de agosto. Dia 10 era o aniversário. O problema é que agora eu queria ir sozinha. Eu precisava ficar um pouco por lá, sentar e “conversar” com ela. Isso me dava um pouco de conforto, eu não costumo visitá-la somente em seu aniversário, faço isso sempre que a vontade bate, mas não costumo ir frequentemente porque isso seria exatamente o que iria me fazer ficar triste. — Você se importa se dessa vez eu for sozinha? — disse. — Eu sei que está fazendo isso para me ajudar, mas acredite, vou ficar bem. Talvez um pouco triste, mas vou ficar bem. Como em todos os anos. Ela lançou um sorriso meio forçado, e concordou com a cabeça. .É o que ela sempre fazia quando ficava frustrada. Eu sentia muito por Ariel, ela estava tentando ser legal, mas nesse ano precisava ficar um pouco só no tumulo dela. No dia dez de Agosto faria exatamente onze anos de sua morte. — Menos no ano passado, você estava um trapo! — disse ela e logo em seguida colocou a mão na boca. Ela deu de ombros de repente e começou a tentar corrigir o que havia dito: — Desculpe, eu não tive a intenção de falar sobre isso. Quer dizer, de lembrar sobre ele… Ai, que raiva! É melhor eu calar a boca. — Ah! Não tem problema. Eu já não o vejo desde o ano passado, não vivo a minha vida pensando sobre isso — disse eu. Mas na verdade era mentira, e ela também sabia disso. Nada que tivesse relação com ele me fazia sentir bem. Eu queria ser o tipo de pessoa que consegue deixar o passado para trás, esquecer o que aconteceu, e seguir em frente, mas eu não era assim, nenhuma parte de mim. Confiava nele da mesma forma em que confiava em Ariel, e não conseguia nem mesmo por uma fração de segundo imaginá-la traindo minha confiança. — Estava pensando em ir ao cinema amanhã, o que você acha? Vai estrear um filme super legal e eu não posso perder. Além disso, não perco a chance de ver um filme que tenha gatinhos. — Acredite, quando ela diz gatinhos, ela não está se referindo a animais e sim a homens sarados super sexy que, sempre, em alguma parte do filme, decidem tirar a camisa e mostrar toda a sua beleza. — Como tem tanta certeza que o filme é legal? Ele nem estreou, sem contar que você não é muito fã de filmes. — Não sou fã de filmes que não tenham gatinhos — corrigiu ela com um enorme sorriso no rosto. — Eu vi o trailer e, acredite, é cheio de gatinhos. Qualquer uma pode adorar um bad-boy sexy tirando a camisa no cinema. Eu preciso me contentar com o filme, querida. — Por quê? Não teria coragem de namorar um assim? — Eu até pegaria, sim, o problema é que eu sou muito temperamental, duas pessoas temperamentais juntas não combinam, minha filha, imagina se começássemos a brigar? Iríamos parar só quando um vencesse ou se cansasse de falar. Não que eu seja chata, mas esse tipo de cara bonitão não é para mim. Comecei a rir. Era legal poder conversar com ela assim, por mais que ela tenha esse jeitão que até aparenta ser o tipo de garota que sai pegando qualquer um, ela não é assim. Nunca a vi de pegação com um cara que ela não conhecesse. Ela, assim como eu, é bem reservada, e isso é muito melhor do que sair se envolvendo com quem não conhecesse. Mas, como no meu caso, mesmo que você conheça a pessoa a fundo, não é uma garantia que tudo ficará bem no final. Mas, voltando ao assunto, brincar sobre coisas desse tipo entre amigas não era um problema. — Então nada da sessão de supernatural? — Fala sério! Não perderia nem morrendo a chance de ver meus amados Sam e Dean. Mas eu preciso sair um pouco do meu quarto, tomar um pouco de ar fresco à noite, meus amados vão ter que me esperar um pouco. — Seus amados Jensen Ackles e Jared Padalecki, nem sabem que você existe. — Que seja, querida. É por isso que ler me deixa inquieta, eu leio e fico imaginando aqueles caras lindos de morrer entrando na minha vida e me levando para longe. — Longe? Quer dizer que minha companhia te incomoda? — perguntei fingindo-me de ofendida e ela sorriu — Não se preocupe. Eu te levo comigo. Você já viu uma pessoa sem sombra? — O quê? Não! — comecei a rir — Exatamente! Somos uma a sombra da outra. Não posso ir embora dessa cidade se você não for. — Que fofo, amiga! — disse, e ela me abraçou. — Tá, chega! Eu odeio esse negócio de melação, argh. — Para começar, foi você que me abraçou — falei na defensiva — E não me arrependo. Mas, e se um gatinho passar aqui agora? Como eu fico? — Oh! Não se preocupe, eles não vão achar que você tem interesses amorosos por mim — disse, e ela bateu no meu ombro fazendo cara de indignada. — Aquilo foi um m*l-entendido, Verônica. Quando vocês vão entender? Eu estava ajudando a garota a pegar as coisas dela do chão, daí passou o i****a do Drake e esbarrou em mim, e cai em cima dela. — Estava brincando, boba! Eu sei exatamente qual o seu tipo de interesse. — Exatamente! Meu interesse é alto, lindo de morrer e não estuda naquela escola. — Seu interesse tem nome? — perguntei. — Ainda não. Quem sabe um dia. — respondeu ela Raquel costuma provocar Ariel por esse incidente. A escola já devia ter esquecido, porque o acontecimento foi na oitava série, e agora já estávamos no segundo ano colegial. Raquel lembrava porque, desde então, ela sempre caiu na mesma sala que a gente, e também porque ela gostava de provocar. — Tá! Encontro você amanhã na minha casa para irmos ao cinema. Na próxima semana continuamos com a nossa sessão de Supernatural — disse Arielle. — Bom, por agora, vejo você amanhã! — Tchau! — falei e continuei a caminhada para casa, algumas quadras dali. A sessão Supernatural é uma coisa que somos acostumadas a fazer há pouco mais de dois anos. Eu sempre encontrava com ela em sua casa, colocávamos nossos pijamas, fazíamos pipoca, pegávamos refrigerante e passávamos o resto da noite no quarto dela assistindo ao seriado Supernatural e comentando sobre o mesmo. Não gostávamos de assistir às séries quando lançavam, porque odiávamos ter que ficar esperando o próximo episódio, sendo assim, esperávamos alguns episódios sair, ou a temporada toda, e depois assistíamos tudo de uma só vez. Não tínhamos mais seis anos ou coisa parecida, nós duas tínhamos dezessete, não éramos mais crianças, mas era exatamente assim que me sentia quando conseguia me divertir com ela. E isso, de alguma forma, é bom. Na manhã seguinte depois de acordar, fazer a higiene matinal e arrumar os materiais da escola, desci para tomar café da manhã com o meu pai. Muitas vezes quando acordava ele já tinha saído para ir trabalhar, mas sempre deixava um bilhete de bom dia pra mim; quando acordava mais cedo e tinha a chance de vê-lo antes de sair aproveitava para conversar com ele. Ele sempre foi protetor e cuidadoso, por mais que a morte da minha mãe o tivesse afetado muito. Ele nunca deixou de cuidar de mim ou se preocupar. Agora fazia papel de pai e mãe, e eu achava meio perigoso o fato de ele trabalhar como bombeiro, sempre arriscando a vida, mas de alguma maneira era bom porque todo dia ele voltava para casa com um sorriso no rosto de satisfação por ter conseguido salvar alguém. Ele gostava de seu trabalho dele, e eu, tirando a parte do perigo, também gosto. Ele não é muito o tipo de pai ausente. Ele me ensinou muitas coisas e sempre me ajudou nos deveres de casa quando era menor. Ele acompanhou a minha formatura na oitava série e, com toda certeza, também acompanhará quando eu terminar o terceiro ano, mas, por causa do trabalho – é claro que sempre havia algumas exceções – ele, várias vezes, chegava e chega tarde, e não tínhamos a chance de jantar juntos e conversar sobre os acontecimentos do dia-a-dia, geralmente a jornada de trabalho dele é de 24 horas trabalhadas por 48 horas de descanso, hoje, por exemplo, ele descansa. — Que bom que acordou mais cedo hoje! — disse meu pai com um sorriso quando me viu — Preparei torradas que você adora. — Obrigada, pai. — disse sentando-me à mesa frente a ele — Como foi o seu dia ontem? Não tivemos a oportunidade de conversar. — O dia no trabalho foi corrido. Teve muitos acidentes pela cidade. Esse povo anda cada vez mais animado... — E descuidado — completei, e ele acenou um sim com a cabeça enquanto mordia um pedaço de torrada com geleia e bebia um pouco de café. O jornal estava aberto em alguma manchete. — Combinei com Arielle de irmos ao cinema amanhã! — Anunciei e ele levantou a cabeça para me olhar desconfiado. Como disse ele é muito protetor e tem medo que eu saía por ai com algum garoto e acabasse me machucando de novo, então completei a frase: — Só nós duas, então não precisa se preocupar. Na próxima semana vou ficar na casa dela para outra sessão de Sobrenatural. — Vocês nunca se cansam desses caras? Acho que ninguém mais viu essa série o tanto que vocês viram. — Pai! — repreendi e sorri. — Não tem como cansar de Sobrenatural. — Tá! Que seja. Mas não esqueça e se... — Cuide. — completei novamente.    Eu também conhecia muito bem o meu pai. Ele não mudou muito nos últimos anos desde a morte da minha mãe, Diana. Ele envelheceu alguns anos, mas ainda continua bonito e cheio de energia em plenos 41 anos. Na época da morte da minha mãe ele tinha 30 e ela, 29 anos. Se ainda estivesse viva teria 40 anos. O aniversário do meu pai é dia 05 de março, já o meu é em 12 de abril. Ele nunca mais namorou alguém depois de tudo aquilo. Mesmo amando muito a minha mãe, eu achava que estava na hora de ele seguir em frente; com toda certeza havia teria mulheres interessadas nele. Ele é alto, se comparado a mim ou minha mãe. Os olhos cinzas são o que mais chamam a atenção, e ele tem um olhar frio que, às vezes, poderia dar medo em qualquer um, mas no fundo é bem legal. Seu cabelo está sempre bagunçado – não por que ele não arruma, mas pelo fato de ele ter que ficar tirando e pondo o capacete de p******o toda hora, ele desistiu de tentar. Depois do café da manhã segui para a escola com Arielle. Por sorte, dessa vez ela decidiu não exagerar e nem demorar, então conseguimos chegar mais cedo pela primeira vez. — O que deu em você? — perguntei, fingindo estar assustada e colocando a mão dramaticamente no coração. — Caiu da cama? Algum espírito ou demônio te visitou na noite passada? — Credo, vira essa boca pra lá! — respondeu ela fazendo o sinal da cruz. — Dessa vez meu despertador decidiu colaborar e despertar na hora. Estou cem por cento na hora certa agora Ela fez cara de quem estava satisfeita consigo mesmo. Enquanto entravamos na escola, avistamos um grupo de homens sentados em suas motos, conversando. Eram (como todo o pessoal da cidade dizia) os típicos bad-boys que ficavam rondando a cidade e fazendo a sua bagunça onde quer que passem. Os típicos arruaceiros que todos da escola preferiam evitar. É estranho vê-los por aqui – não que eles não frequentassem a escola, mas geralmente só um ou outro deles aparece; alguns do grupo tinham cara de dezessete, dezoito ou dezenove, outros pareciam ter mais de vinte, enquanto outros pareciam ainda mais velhos. Todos conversavam como se fossem amigos há mais de anos. — É estranho ver esses caras por aqui — comentou Arielle fazendo uma cara estranha. — Geralmente estão andando pela cidade fazendo suas corridas e apostando. Meus pais odiariam me ver saindo com alguém assim, por mais que eu gostasse dele — continuou ela enquanto íamos para o pátio da escola. — Não acho que seja justo julgar alguém pela aparência. É como julgar um livro pela capa — disse eu, apesar de não estar convencida disso, e Ariel me parou entrando em minha frente. Não que eu fosse mais uma que os julgassem, nunca liguei para nada do que a cidade comentasse ou não e não era pelo que eles aparentavam ser, era o que eles demonstravam ser; varias ocorrências na policia sobre corridas clandestinas, marginais quebrando alguma coisa ou brigando, tudo nesse meio. Eu olhava para eles e os via como pessoas comuns, as outras pessoas olhavam como se fossem o próprio demônio, claro tirando a parte do vandalismo e claro, no meu caso tirando o fato de serem homens ao qual (falando no geral) eu preferia manter distância. — Eles são bad boys e encrenqueiros, na maioria do tempo. A qualquer hora da noite, se você andar pela cidade, vai encontrá-los fazendo corridas clandestinas ou fazendo apostas em jogos. É o que eles são, e fazem questão de demonstrar isso — falou ela, apontando o dedo para o grupo. Bati na mão dela, fazendo que abaixasse. — Isso não é julgar alguém pela aparência. É o que eles são. — Que seja. Não me importo com isso. — Tá. Vamos ir logo para dentro porque quero passar no banheiro. — Sério? Já?— perguntei, arqueando uma sobrancelha. Ela me olhou torto, como se eu tivesse dito algo ofensivo. — Já o quê? Eu preciso passar um gloss, minha boca está ressecada. — Porque só acontece com você? — perguntei e ela sorriu segurando a mochila — Porque sou mais sensível que você.  Dei de ombros encarando-a — Até parece. Viramos na intenção de sair do estacionamento e entrar na escola quando vi uma moto que parecia estar — bom, parecia não, estava — vindo em nossa direção. Puxei Arielle da frente da moto ao mesmo tempo em que o piloto freou bruscamente, parando a exatamente um centímetro de nós – mais especificamente de mim. Arielle encarou o motorista, furiosa. Eu estava com a mão no coração e concentrada na minha respiração, tentando decidir se estava respirando ou se estava prendendo a respiração. Meu coração estava disparado, achei que iríamos morrer. Fiquei com a cabeça abaixada olhando para os meus joelhos enquanto checava meus batimentos. Pela visão periférica podia ver o pneu da moto. — Você é doido ou o quê? Você quase que nos mata! — gritou Arielle Levantei a cabeça para olhar para a pessoa da moto quando o vi. Os olhos dele eram castanhos, tão claros que reluzia à luz do sol. O cabelo preto era curto e desgrenhado, a pele morena clara e, mesmo estando sentado naquela moto Harley Davidson, parecia ser alto. Ele estava usando uma jaqueta preta de couro, juntamente com uma camiseta branca, calça jeans rasgada e botas. Apesar de toda aquela roupa deu para perceber que ele malhava frequentemente por causa de sua bela forma física. Tive um segundo de reconhecimento, mas podia jurar que não o conhecia de lugar nenhum. — Calma! Eu não pretendia passar em cima de vocês — disse ele enquanto mantinha seu olhar preso ao meu, ele estava com um meio sorriso de deboche no rosto e quando falou sua voz soou calma e com tom de escárnio. Ele ainda estampava um meio sorriso no rosto, além disso, a voz também era familiar. Apesar da estranha sensação de já o conhecer, eu me intrometi na conversa. — Você quase atropelou a gente. Quase matou a minha amiga — disse, e ele sorriu de forma cínica. — Acredite, se tivesse essa intenção com toda certeza seria isso o que iria acontecer. — disse ele descendo da moto. Ele estava segurando um capacete e estava com uma folha branca na mão. Era uma matricula da escola. — Você não vai pedir desculpas? Isso foi um atentado contra a minha vida! E se eu tivesse problemas no coração? E se eu tivesse um infarto? — falou Arielle com raiva e de forma muito dramática, e eu a puxei dali. — Me solta. Ele é que está errado. — Tecnicamente somos nós. — Eu disse, apontando para o lugar onde estávamos antes – era o lugar onde os alunos costumavam estacionar suas motos, bicicletas, ou sei lá mais o quê. — Nós uma ova. Eu estava no lugar errado, mas o que ele fez foi imperdoável. Não tem explicação. Apesar de ela dizer todas aquelas palavras, sabia que nenhuma parte de Arielle queria voltar e pedir para que ele se desculpasse formalmente. Ela estava com raiva e, sinceramente, não sabia até quando duraria.

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