Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Loba Narrando
Ser filha de traficante nunca foi um problema pra mim, minha vida foi boa, boa pra c*****o, cresci sem mãe, no começo doeu, doeu muito, até os dezesseis eu senti falta, depois disso, apaguei, pra mim, ela morreu, enterrada, sem velório, sem saudade.
Quem me criou foi ele, Meu príncipe, Meu coroa, o amor da minha vida, meu pai foi pai e mãe, foi tudo, passei dezoito anos sendo o centro do mundo dele e ele, do meu, estudei, terminei a escola, faculdade? Não fiz porque não quis, meu sonho era ser advogada, usar a lei como arma, mas sonho muda, o sonho do meu pai sempre foi outro.
Todo traficante quer um filho homem pra passar o legado, o meu nunca teve, nunca casou, nunca me pressionou, mas eu sempre soube, o morro era meu.
Ele pega umas mulheres por ai, putas doidas pra serem assumidas, já deixei o papo reto "Isso não vai acontecer"
ele nunca insistiu, nunca me colocou à frente do morro à força, mas eu vou, não vou me arrepender de deixar meu sonho pra trás, agora o sonho é outro.
Sou conhecida como a "Princesa da p***a toda" desde criança sou doida, sei atirar, sei negociar, sei mandar matar e sei mandar calar, conheço cada negócio do morro, com dezoito anos, já fiz coisa que homem velho não tem estômago pra fazer.
Matei um, tinha dezessete, meu namoradinho, me traiu com uma p**a, aceitei bem isso? Não aceitei, eu não amava ele, mais não ia aceitar ser chifruda, a gente ficava, quase virou algo sério, mais não deu tempo, desde então, relacionamento morreu pra mim, homem nenhum presta, tirando meu pai e meus melhores amigos, Luan, Victor, Guilherme, Rafael.
Eles praticamente ajudaram a me criar, quando meu pai precisava resolver coisa na boca, me levava junto, os meninos moravam do lado e ele chamava eles pra ficar comigo, brincando virou costume, costume virou família, Guilherme e Rafael são gêmeos, não idênticos, Luan é o irmão mais novo, Victor é primo, a mãe deles só pariu e largou, quem criou foi a avó, ela morreu há dois anos, meu pai deu uma casa pros quatro morarem juntos, desde então, são meus anjos da guarda.
Acordei com a luz do quarto acendendo de repente.
— Parabéns pra você… — Abri os olhos ainda grogue, os meninos cantando, meu pai segurando um bolo.
Lá fora, ele é o Barão, aqui dentro, ele é só o Samuel, meu pai.
Apaguei a vela com um sorriso preso na garganta.
Barão : Minha filha, feliz aniversário, meu amor, dezoito anos… mas pra mim você ainda é um bebê, te amo demais, princesa — Ele me beijou a testa, segurei o choro.
Luan : Gatinha da minha vida, feliz aniversário, o mano te ama muito — Ele me entregou uma caixinha e beijou meu rosto.
Victor : Meu bebê fazendo dezoito… já tá velha, parceira, mas o mano te ama demais — Me deu um buquê de rosas e um beijo na testa.
Guilherme: Não acredito não, pô, cadê a bebê de fralda que vivia brincado com nós? Cresceu rápido demais, feliz dezoito anos, amor da minha vida — Me deu um buquê de maquiagem e um beijo no rosto.
Rafael : Feliz aniversário, princesinha, promete que não vai crescer mais? Que não vai abandonar teus maninhos? — Me entregou um saquinho e beijou meu rosto, suspirei, já chorando.
Loba : Isso e injustos, eu tinha que ser fria, pô, mas eu amo vocês demais — Eles me abraçaram juntos, apertado, protetor, dentro de casa eu posso ser assim, meu pai sempre deixou claro, "Aqui você é a Larissa, lá fora, você é o Loba.
[...]
Na cozinha, durante o café, o clima pesou de um jeito bom.
Barão : E então, princesa… tem certeza disso? — Sorri pra ele.
Loba : Tenho, pai, vou levar seu legado pra frente, vou te dar orgulho.
Guilherme : O senhor sabe, tio, quando ela decide, ninguém muda, a gente vai tá com ela, o senhor precisa descansar — Fechei a cara.
Luan : Ele tá certo, a gente cuida da nova princesa do morro — Olhei pro meu pai.
Loba : Viaja, pai, mas nada de casar, nada de outro filho — Ele riu.
Barão : Fica tranquila, só você já me deu trabalho suficiente — Me abraçou forte.
E o café foi assim, risada, conversa sobre o morro e o baile de mais tarde, o tempo passou e eles tinha que volta por trabalho e eu subir, tomei um banho, me arrumei e sair, hoje era meu dia de princesa.
Tava no carro, descendo o morro, mais um vapor me chamou na barreira.
Vapor : Desculpa incomodar, patroa, tem duas meninas aí querendo ajuda, procurando uma kitnet simples — Olhei pras meninas, duas malas, olhar cansado, uma delas com o olho roxo.
Loba : Cadê os meninos pra levar?
Vapor : Tão ocupados com o baile — Respirei fundo.
Loba : Manda entrar no carro — Ele concordou e foi até elas, uns minutos depois elas vieram até o carro — Entra, aí — Elas hesitaram.
X : A gente não quer sujar seu carro, moça… — Sorri.
Loba : Entra logo, para com isso — Elas entraram depois de um tempinho, falando que tava tudo bem, no caminho, elas não falaram nada, mais olhei pra elas, e vi o quanto cansada elas tava e senti uma necessidade de ajuda.
No caminho, mudei a rota, não ia pra parte do kitnet, lá só tem homem e duas mulheres, num lugar desse, não era certo, parei na casa de cima, desocupada e recém reformada.
X : A gente não vai ter dinheiro pra pagar isso aqui… — Falou assim que saiu do carro e viu a casa.
Loba : Quanto vocês têm?
X : Trezentos e cinquenta… — Dei de ombros.
Loba : Então é isso, a casa é de vocês.
Elas começaram a chorar.
E ali, no dia em que eu ia virar dona do morro…
eu senti que talvez eu fosse mais do que só a princesa da p***a toda.