Depois da linha de chegada
O casamento não aconteceu em um grande salão.
Jacob recusou qualquer coisa que parecesse espetáculo.
Clara entendeu imediatamente.
Foi no mesmo autódromo onde tudo quase terminou.
O asfalto estava silencioso naquela manhã. Sem arquibancadas lotadas, sem motores rugindo. Apenas o vento, o cheiro distante de combustível e o céu aberto — enorme, como o futuro que eles quase não tiveram.
Clara caminhou até ele sem pressa.
O vestido era simples, fluido, nada exagerado. Jacob a observava como se ainda estivesse naquela ambulância, com medo de fechar os olhos e perdê-la de novo.
— Você demorou. — ele murmurou quando ela chegou perto.
— Você sempre gostou de me esperar. — ela respondeu, sorrindo.
O juiz falou pouco. Não havia plateia para discursos longos.
Jacob segurou as mãos dela com firmeza — não possessiva, mas segura. Madura.
— Eu prometo não correr quando o medo aparecer. — ele disse. — Prometo ficar. Mesmo quando for difícil.
Clara respirou fundo.
— E eu prometo não fugir quando amar exigir coragem. — respondeu. — Prometo escolher você todos os dias… não como sacrifício, mas como casa.
Eles se beijaram ali mesmo, no meio da pista.
Não houve aplausos.
Mas houve paz.