Pré-visualização gratuita Capítulo 1 — O homem que nunca deixou de ser meu
Quatro anos longe não foram suficientes para apagar Jacob da memória de Clara.
Ela acreditava que o tempo fosse um remédio. Descobriu tarde demais que, no máximo, ele apenas anestesia — nunca cura.
O barulho do autódromo ainda ecoava quando Clara percebeu que não estava mais ouvindo nada. O mundo tinha se estreitado àquela imagem específica: Jacob tirando o capacete, o suor escorrendo pela têmpora, os olhos escuros varrendo a multidão… até encontrarem os dela.
O impacto foi físico.
O peito apertou. O estômago revirou. As pernas quase falharam.
— Clara. — ele disse, como se dissesse um segredo.
A voz grave ainda era a mesma. A voz que já tinha sussurrado promessas no escuro, que já tinha gemido o nome dela em noites longas demais para serem esquecidas.
Ela forçou o corpo a reagir.
— Jacob. — respondeu, fria. Pelo menos tentou.
Lucas pulava de empolgação ao lado, completamente alheio.
— Cara, você foi incrível! — disse, entregando algo para autografar. — Minha irmã me trouxe hoje, ela nem curte corrida, mas—
Jacob interrompeu o autógrafo no meio da assinatura.
— Sua irmã?
Lucas apontou.
— Ela.
O silêncio entre eles foi pesado o suficiente para esmagar tudo ao redor.
Jacob terminou o autógrafo, devolveu o item e falou, sem tirar os olhos de Clara:
— Preciso falar com você. Agora.
Não foi um pedido.
Clara sentiu o velho arrepio percorrer a espinha. Jacob sempre teve aquele tom — firme, seguro, dominante sem esforço. O tipo de homem que não precisava levantar a voz para ser obedecido.
— Eu não—
— Cinco minutos. — ele cortou. — Depois você decide se vai embora.
Ela deveria ter recusado. Sabia disso.
Mas o corpo se moveu antes da razão.
Jacob a conduziu pelo corredor dos boxes com a mão firme em suas costas. Não apertava — apenas guiava. Como sempre fez.
Quando a porta se fechou atrás deles, o silêncio ficou ensurdecedor.
Clara cruzou os braços.
— Você não tinha o direito de me puxar assim.
Jacob se virou lentamente. Os olhos escuros desceram por ela sem disfarçar — avaliando, reconhecendo, desejando.
— E você não tinha o direito de desaparecer por quatro anos. — respondeu, calmo. Perigosamente calmo.
— Eu fui embora porque precisava!
— Não. — ele se aproximou um passo. — Você foi embora porque teve medo.
Ela sentiu o corpo reagir à proximidade.
— Medo de quê? — desafiou.
Jacob sorriu de lado.
— De admitir que sempre foi minha.
O coração de Clara disparou.
— Você não manda mais em mim.
— Nunca mandei. — ele ergueu a mão e segurou o queixo dela, obrigando-a a erguer o rosto. — Mas você sempre gostou quando eu assumia o controle.
O toque foi suficiente para desmontar quatro anos de defesas.
— Solta. — ela murmurou, sem convicção.
— Diz olhando nos meus olhos. — ele provocou.
Ela não conseguiu.
Jacob soltou o queixo dela, mas não se afastou.
— Eu vi você chegando. — continuou. — Soube na hora que isso ia acontecer.
— O quê?
— Que você ia fingir que seguiu em frente… enquanto seu corpo me reconhece antes da sua cabeça.
Clara respirava com dificuldade.
— Você não sabe nada sobre a minha vida.
— Sei o suficiente. — ele disse, firme. — Você voltou. E não foi por saudade da cidade.
Ela riu, nervosa.
— Egocêntrico.
Jacob deu um passo à frente, encurralando-a contra a parede fria.
— Então prova que não é por mim. — disse, baixo. — Olha pra mim e diz que não sente mais nada.
Ela abriu a boca. Nenhuma palavra saiu.
Jacob inclinou o rosto, os lábios quase tocando os dela.
— Exatamente.
O beijo veio intenso, dominante, sem pedir permissão. Clara gemeu baixo, as mãos agarrando o macacão dele como se o corpo tivesse memória própria.
Jacob aprofundou o beijo, a mão descendo pela cintura dela, apertando com firmeza.
— Você ainda reage do mesmo jeito. — murmurou contra a boca dela.
— Jacob… não aqui…
— Sempre teve medo de ser vista. — provocou. — Mas sempre gostou quando eu te tirava o controle.
Ele se afastou de repente.
— Vai embora agora. — disse, ajeitando o macacão. — Antes que eu faça algo que a mídia nunca vai te perdoar.
Ela ficou sem ar.
— Você se importa com o que vão dizer?
— Hoje em dia, tudo o que eu faço vira manchete. — respondeu. — E se descobrirem que a mulher que me deixou virou meu ponto fraco… vão usar isso contra nós dois.
— “Nós”? — ela repetiu.
Jacob sorriu, confiante.
— Isso aqui ainda não acabou, Clara. — disse. — E da próxima vez… eu não vou te deixar ir embora.
Ela saiu do box com o coração em chamas, sem perceber as câmeras apontadas para ela do outro lado do corredor.
Naquela mesma noite, os sites estampariam:
“Piloto Jacob Rivera é flagrado com mulher misteriosa nos boxes.”
E o caos estava apenas começando.