Capítulo 2 — O jogo sujo começa

927 Palavras
O hotel da equipe era silencioso demais para alguém como Jacob. Clara percebeu isso no instante em que a porta do quarto se fechou atrás deles. O clique soou definitivo — como se o mundo lá fora tivesse sido desligado à força. Jacob não disse nada de imediato. Ele tirou a jaqueta lentamente, jogou sobre a cadeira, depois afrouxou o zíper do macacão até a cintura. Cada movimento era calculado, tenso, carregado de intenção. — Você tem noção do caos que causou hoje? — perguntou, finalmente, sem olhar para ela. — Eu não fiz nada. — Clara respondeu, tentando manter a postura. Jacob virou o rosto devagar. O olhar escuro a percorreu inteira. — Você existe. — disse. — E isso já é suficiente. Ele se aproximou, parando a poucos centímetros dela. — A mídia está obcecada. — continuou. — Uma mulher desconhecida nos meus boxes, logo depois da corrida. E quando descobrirem que você é… — ele fez uma pausa — a mulher que me deixou… — Você ainda joga isso na minha cara? — ela interrompeu, magoada. Jacob segurou o pulso dela e a puxou para perto, firme. — Eu jogo tudo que é meu na mesa. — disse, baixo. — E você sempre foi. O toque dele era intenso, possessivo. Não machucava — dominava. — Solta. — ela pediu, mas não tentou se afastar. — Olha pra mim. — ele exigiu. Ela obedeceu. — Você não faz ideia do que esses caras fariam se soubessem que você é meu ponto fraco. — Então por que me chamou aqui? — ela desafiou. Jacob sorriu, perigoso. — Porque eu cansei de fingir que consigo te ignorar. Ele a empurrou suavemente contra a parede, as mãos subindo pelos braços dela, prendendo-os acima da cabeça. — E porque longe das câmeras… — murmurou contra o pescoço dela — você ainda é minha. O beijo veio intenso, dominante, sem pressa. Clara sentiu o corpo reagir imediatamente, como se nunca tivesse aprendido a viver sem ele. — Você ainda treme. — Jacob sussurrou, percebendo. — Mesmo tentando ser forte. — Eu não sou mais a mesma garota que você deixou.
— Eu sei. — ele respondeu. — Agora você é ainda mais minha. Antes que ela respondesse, o celular dele vibrou sobre a mesa. Jacob se afastou, irritado. — Merda. Clara aproveitou para respirar. — Problema? Jacob olhou a tela, os maxilares travados. — Sebastian Wolfe. O nome gelou Clara. — Seu rival?
— Meu maior problema. Ele mostrou a mensagem. “Soube que sua ex voltou. Cidade pequena… as notícias correm rápido.” Clara sentiu o estômago revirar. — Como ele sabe disso?
— Porque Sebastian vive pra me provocar. — Jacob respondeu. — E agora você virou a arma perfeita. No dia seguinte, Clara descobriu o que aquilo significava. Ao sair do hotel, flashes explodiram ao redor dela. — Quem é você?
— Está envolvida com Jacob Rivera?
— É verdade que ele nunca te superou? Ela tentou passar, mas uma voz feminina cortou o tumulto. — Claro que ele nunca superou. Uma mulher alta, elegante, óculos escuros caros. — Luna. — Jacob disse, surgindo atrás de Clara. Ex-namorada. Modelo. Querida da mídia. — Você voltou bem na hora certa. — Luna disse a Clara, sorrindo falsamente. — Jacob sempre gostou de brincar com fantasmas do passado. Jacob segurou a cintura de Clara, possessivo. — Não fala com ela. — ordenou. — A imprensa vai adorar isso. — Luna provocou. — A estudante que abandonou o piloto… volta justo quando ele está no auge. Os fotógrafos se aproximaram ainda mais. No mesmo dia, os portais estampavam: “Clara Monteiro: a mulher que partiu o coração de Jacob Rivera.” “Rival de pista, rival no amor? Sebastian Wolfe é visto curtindo postagens de Clara.” E como se não bastasse, Sebastian apareceu. No paddock. Sorriso confiante, olhar afiado. — Então você é a famosa Clara. — disse, estendendo a mão. — Sebastian. Jacob chegou imediatamente, ficando entre os dois. — Fica longe dela. Sebastian riu. — Relax, campeão. — provocou. — Ela parece gostar de atenção. Clara sentiu a mão de Jacob apertar sua cintura com força. — Você gosta? — ele perguntou, baixo, só para ela ouvir. — Não.
— Então aprende a ignorar. — disse, firme. — Ou eu vou mostrar pra ele exatamente a quem você pertence. A frase fez o sangue dela ferver. Naquela noite, Jacob a puxou para dentro do quarto com a porta sendo fechada com força. — Você não vai responder mensagem de rival nenhum. — disse, dominante.
— Você não manda na minha vida. — ela retrucou. Jacob se aproximou devagar. — Não. — concordou. — Mas eu mando no que acontece entre nós. Ele segurou o rosto dela. — E se a mídia usar você pra me atingir… eu vou reagir. — Como? Jacob sorriu. — Te assumindo. O choque foi imediato. — Isso destruiria sua carreira.
— Ou consolidaria. — respondeu. — Mas só se você não fugir de novo. O telefone dela vibrou. Mensagem da universidade no exterior. Convite para um programa de pós-graduação. Começo em três meses. O mesmo pesadelo. Clara sentiu as pernas fraquejarem. Jacob viu a tela. — Vai embora de novo? — perguntou, frio. Ela não respondeu. O silêncio entre eles foi mais pesado que qualquer briga. — Se você for… — Jacob disse, a voz dura — não volta mais. Clara sentiu o coração se partir. E pela primeira vez desde que voltou, percebeu que o final feliz não estava nem perto.
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