O hotel da equipe era silencioso demais para alguém como Jacob.
Clara percebeu isso no instante em que a porta do quarto se fechou atrás deles. O clique soou definitivo — como se o mundo lá fora tivesse sido desligado à força.
Jacob não disse nada de imediato.
Ele tirou a jaqueta lentamente, jogou sobre a cadeira, depois afrouxou o zíper do macacão até a cintura. Cada movimento era calculado, tenso, carregado de intenção.
— Você tem noção do caos que causou hoje? — perguntou, finalmente, sem olhar para ela.
— Eu não fiz nada. — Clara respondeu, tentando manter a postura.
Jacob virou o rosto devagar. O olhar escuro a percorreu inteira.
— Você existe. — disse. — E isso já é suficiente.
Ele se aproximou, parando a poucos centímetros dela.
— A mídia está obcecada. — continuou. — Uma mulher desconhecida nos meus boxes, logo depois da corrida. E quando descobrirem que você é… — ele fez uma pausa — a mulher que me deixou…
— Você ainda joga isso na minha cara? — ela interrompeu, magoada.
Jacob segurou o pulso dela e a puxou para perto, firme.
— Eu jogo tudo que é meu na mesa. — disse, baixo. — E você sempre foi.
O toque dele era intenso, possessivo. Não machucava — dominava.
— Solta. — ela pediu, mas não tentou se afastar.
— Olha pra mim. — ele exigiu.
Ela obedeceu.
— Você não faz ideia do que esses caras fariam se soubessem que você é meu ponto fraco.
— Então por que me chamou aqui? — ela desafiou.
Jacob sorriu, perigoso.
— Porque eu cansei de fingir que consigo te ignorar.
Ele a empurrou suavemente contra a parede, as mãos subindo pelos braços dela, prendendo-os acima da cabeça.
— E porque longe das câmeras… — murmurou contra o pescoço dela — você ainda é minha.
O beijo veio intenso, dominante, sem pressa. Clara sentiu o corpo reagir imediatamente, como se nunca tivesse aprendido a viver sem ele.
— Você ainda treme. — Jacob sussurrou, percebendo. — Mesmo tentando ser forte.
— Eu não sou mais a mesma garota que você deixou.
— Eu sei. — ele respondeu. — Agora você é ainda mais minha.
Antes que ela respondesse, o celular dele vibrou sobre a mesa.
Jacob se afastou, irritado.
— Merda.
Clara aproveitou para respirar.
— Problema?
Jacob olhou a tela, os maxilares travados.
— Sebastian Wolfe.
O nome gelou Clara.
— Seu rival?
— Meu maior problema.
Ele mostrou a mensagem.
“Soube que sua ex voltou. Cidade pequena… as notícias correm rápido.”
Clara sentiu o estômago revirar.
— Como ele sabe disso?
— Porque Sebastian vive pra me provocar. — Jacob respondeu. — E agora você virou a arma perfeita.
No dia seguinte, Clara descobriu o que aquilo significava.
Ao sair do hotel, flashes explodiram ao redor dela.
— Quem é você?
— Está envolvida com Jacob Rivera?
— É verdade que ele nunca te superou?
Ela tentou passar, mas uma voz feminina cortou o tumulto.
— Claro que ele nunca superou.
Uma mulher alta, elegante, óculos escuros caros.
— Luna. — Jacob disse, surgindo atrás de Clara.
Ex-namorada. Modelo. Querida da mídia.
— Você voltou bem na hora certa. — Luna disse a Clara, sorrindo falsamente. — Jacob sempre gostou de brincar com fantasmas do passado.
Jacob segurou a cintura de Clara, possessivo.
— Não fala com ela. — ordenou.
— A imprensa vai adorar isso. — Luna provocou. — A estudante que abandonou o piloto… volta justo quando ele está no auge.
Os fotógrafos se aproximaram ainda mais.
No mesmo dia, os portais estampavam:
“Clara Monteiro: a mulher que partiu o coração de Jacob Rivera.”
“Rival de pista, rival no amor? Sebastian Wolfe é visto curtindo postagens de Clara.”
E como se não bastasse, Sebastian apareceu.
No paddock.
Sorriso confiante, olhar afiado.
— Então você é a famosa Clara. — disse, estendendo a mão. — Sebastian.
Jacob chegou imediatamente, ficando entre os dois.
— Fica longe dela.
Sebastian riu.
— Relax, campeão. — provocou. — Ela parece gostar de atenção.
Clara sentiu a mão de Jacob apertar sua cintura com força.
— Você gosta? — ele perguntou, baixo, só para ela ouvir.
— Não.
— Então aprende a ignorar. — disse, firme. — Ou eu vou mostrar pra ele exatamente a quem você pertence.
A frase fez o sangue dela ferver.
Naquela noite, Jacob a puxou para dentro do quarto com a porta sendo fechada com força.
— Você não vai responder mensagem de rival nenhum. — disse, dominante.
— Você não manda na minha vida. — ela retrucou.
Jacob se aproximou devagar.
— Não. — concordou. — Mas eu mando no que acontece entre nós.
Ele segurou o rosto dela.
— E se a mídia usar você pra me atingir… eu vou reagir.
— Como?
Jacob sorriu.
— Te assumindo.
O choque foi imediato.
— Isso destruiria sua carreira.
— Ou consolidaria. — respondeu. — Mas só se você não fugir de novo.
O telefone dela vibrou.
Mensagem da universidade no exterior.
Convite para um programa de pós-graduação. Começo em três meses.
O mesmo pesadelo.
Clara sentiu as pernas fraquejarem.
Jacob viu a tela.
— Vai embora de novo? — perguntou, frio.
Ela não respondeu.
O silêncio entre eles foi mais pesado que qualquer briga.
— Se você for… — Jacob disse, a voz dura — não volta mais.
Clara sentiu o coração se partir.
E pela primeira vez desde que voltou, percebeu que o final feliz não estava nem perto.