Capítulo 3 — Quando tudo sai da pista

880 Palavras
O circuito nunca foi silencioso para Jacob.
Mas naquela manhã, o barulho era diferente. Não vinha dos motores — vinha da cabeça dele. Jacob estava no cockpit, o capacete encaixado, as mãos firmes no volante… firmes demais. O engenheiro falava no rádio, mas as palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro. Tudo o que ele via era Clara. O jeito como ela havia ficado imóvel ao ver a mensagem da universidade.
O silêncio dela.
A ausência de resposta. — Jacob, foco. — a voz no rádio insistiu. — Volta rápida em trinta segundos. Ele respirou fundo. — Eu tô focado. — respondeu, seco. Mentira. Quando as luzes se apagaram, Jacob acelerou como se estivesse fugindo de algo — ou indo direto contra. Sebastian Wolfe largou logo atrás. Na terceira curva, Sebastian emparelhou. — Tá nervoso hoje, campeão? — provocou pelo rádio aberto. — Talvez problemas pessoais? Jacob apertou os dentes. Na volta seguinte, Sebastian fechou a trajetória de forma agressiva.
Jacob quase perdeu o controle. — Filho da p**a. — murmurou. O público vibrou, sem saber que não assistia apenas a uma corrida — mas a uma guerra. Na arquibancada, Clara sentia o coração bater tão rápido quanto os carros na pista. Cada manobra de Jacob parecia violenta demais. Arriscada demais. — Ele nunca corre assim. — ela sussurrou para Lucas. — Ele tá com sangue nos olhos. — o irmão respondeu, animado. — Isso é coisa de campeão. Ela sabia que não era. Na décima sétima volta, aconteceu. Sebastian tocou a traseira do carro de Jacob de propósito. O impacto foi pequeno — mas suficiente. Jacob perdeu a linha ideal, rodou parcialmente, conseguiu recuperar… mas o dano estava feito. Raiva pura. No rádio, a equipe gritava: — Jacob, segura! Não reage! Ele reagiu. Na curva seguinte, Jacob fechou Sebastian com agressividade extrema. Os carros quase se tocaram novamente. A direção de prova anunciou investigação imediata. O público foi ao delírio. Mas Clara só conseguia pensar em uma coisa: ele estava se destruindo por ela. A corrida terminou com Jacob em segundo lugar — e uma penalização pendente. Sebastian venceu. E sorriu direto para as câmeras. No paddock, Jacob arrancou o capacete e o jogou no chão. — Isso foi imprudente! — o chefe de equipe gritou.
— Ele provocou! — Jacob rebateu.
— E você caiu! Jacob se afastou antes que dissesse algo irreversível. Clara tentou alcançá-lo, mas foi interrompida por flashes. — Clara!
— Você é o motivo da distração de Jacob?
— Vai embora de novo? Ela não respondeu. Sebastian apareceu do nada, calmo demais. — Ele corre melhor quando não está apaixonado. — disse, alto o suficiente para os repórteres ouvirem. Clara se virou, furiosa. — Você fez aquilo de propósito.
— Claro que fiz. — ele respondeu, sorrindo. — E funcionou. — Fica longe de mim.
— Difícil. — ele se inclinou, baixo. — Agora você é parte do jogo. Jacob chegou a tempo de ouvir o final. Sem pensar, empurrou Sebastian contra a parede. — Encosta nela de novo e eu acabo com você. — rosnou. Câmeras captaram tudo. Segurança interveio. Horas depois, a internet explodia: “Jacob Rivera perde o controle após provocação de rival.”
“Piloto agride Sebastian Wolfe.”
“Quem é Clara Monteiro e por que ela está no centro do escândalo?” No quarto do hotel, o clima era sufocante. Jacob andava de um lado para o outro. Clara estava sentada na cama, abraçando os próprios joelhos. — Você não devia ter feito aquilo. — ela disse, por fim. Jacob parou. — Eu fiz porque ele te olhou como se fosse dono.
— Você quase destruiu sua carreira!
— E você vai embora de novo! — ele explodiu. O silêncio caiu pesado. — Eu não aceitei ainda. — ela respondeu, a voz falha. Jacob se aproximou lentamente. — Mas está considerando. — É a oportunidade da minha vida.
— E eu? — ele perguntou, baixo. Ela levantou o rosto. — Você já vive o seu sonho. Jacob segurou o rosto dela com as duas mãos, firme. — Você é o meu sonho. O beijo veio intenso, desesperado. Não era só desejo — era medo. Ele a empurrou suavemente na cama, o corpo dominando o dela sem violência, mas com autoridade absoluta. — Você fica. — ele murmurou entre beijos. — Eu cuido do resto. — Jacob…
— Eu disse que não vou te deixar ir. — a voz dele era rouca, carregada. As mãos dele exploraram cada centímetro dela como se precisasse gravar sua existência. Clara respondeu na mesma intensidade, o corpo traindo qualquer dúvida racional. Mas quando tudo terminou, o peso voltou. Ela chorou em silêncio. Jacob percebeu. — O que foi?
— Eu tenho medo. — ela confessou. — Medo de ficar… e te destruir. Medo de ir… e me destruir. Jacob a puxou para o peito. — Então escolhe. — disse. — Mas escolhe sabendo que, dessa vez, eu não vou sobreviver a outra despedida. Na manhã seguinte, Clara recebeu um e-mail final: “Prazo de confirmação: 48 horas.” E, como se não bastasse, uma nova manchete: “Universidade internacional oferece vaga a Clara Monteiro — ex de Jacob Rivera.” Agora o mundo inteiro sabia. E não havia mais como fugir
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