O circuito nunca foi silencioso para Jacob.
Mas naquela manhã, o barulho era diferente.
Não vinha dos motores — vinha da cabeça dele.
Jacob estava no cockpit, o capacete encaixado, as mãos firmes no volante… firmes demais. O engenheiro falava no rádio, mas as palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro.
Tudo o que ele via era Clara.
O jeito como ela havia ficado imóvel ao ver a mensagem da universidade.
O silêncio dela.
A ausência de resposta.
— Jacob, foco. — a voz no rádio insistiu. — Volta rápida em trinta segundos.
Ele respirou fundo.
— Eu tô focado. — respondeu, seco.
Mentira.
Quando as luzes se apagaram, Jacob acelerou como se estivesse fugindo de algo — ou indo direto contra.
Sebastian Wolfe largou logo atrás.
Na terceira curva, Sebastian emparelhou.
— Tá nervoso hoje, campeão? — provocou pelo rádio aberto. — Talvez problemas pessoais?
Jacob apertou os dentes.
Na volta seguinte, Sebastian fechou a trajetória de forma agressiva.
Jacob quase perdeu o controle.
— Filho da p**a. — murmurou.
O público vibrou, sem saber que não assistia apenas a uma corrida — mas a uma guerra.
Na arquibancada, Clara sentia o coração bater tão rápido quanto os carros na pista. Cada manobra de Jacob parecia violenta demais. Arriscada demais.
— Ele nunca corre assim. — ela sussurrou para Lucas.
— Ele tá com sangue nos olhos. — o irmão respondeu, animado. — Isso é coisa de campeão.
Ela sabia que não era.
Na décima sétima volta, aconteceu.
Sebastian tocou a traseira do carro de Jacob de propósito.
O impacto foi pequeno — mas suficiente.
Jacob perdeu a linha ideal, rodou parcialmente, conseguiu recuperar… mas o dano estava feito.
Raiva pura.
No rádio, a equipe gritava:
— Jacob, segura! Não reage!
Ele reagiu.
Na curva seguinte, Jacob fechou Sebastian com agressividade extrema. Os carros quase se tocaram novamente.
A direção de prova anunciou investigação imediata.
O público foi ao delírio.
Mas Clara só conseguia pensar em uma coisa: ele estava se destruindo por ela.
A corrida terminou com Jacob em segundo lugar — e uma penalização pendente.
Sebastian venceu.
E sorriu direto para as câmeras.
No paddock, Jacob arrancou o capacete e o jogou no chão.
— Isso foi imprudente! — o chefe de equipe gritou.
— Ele provocou! — Jacob rebateu.
— E você caiu!
Jacob se afastou antes que dissesse algo irreversível.
Clara tentou alcançá-lo, mas foi interrompida por flashes.
— Clara!
— Você é o motivo da distração de Jacob?
— Vai embora de novo?
Ela não respondeu.
Sebastian apareceu do nada, calmo demais.
— Ele corre melhor quando não está apaixonado. — disse, alto o suficiente para os repórteres ouvirem.
Clara se virou, furiosa.
— Você fez aquilo de propósito.
— Claro que fiz. — ele respondeu, sorrindo. — E funcionou.
— Fica longe de mim.
— Difícil. — ele se inclinou, baixo. — Agora você é parte do jogo.
Jacob chegou a tempo de ouvir o final.
Sem pensar, empurrou Sebastian contra a parede.
— Encosta nela de novo e eu acabo com você. — rosnou.
Câmeras captaram tudo.
Segurança interveio.
Horas depois, a internet explodia:
“Jacob Rivera perde o controle após provocação de rival.”
“Piloto agride Sebastian Wolfe.”
“Quem é Clara Monteiro e por que ela está no centro do escândalo?”
No quarto do hotel, o clima era sufocante.
Jacob andava de um lado para o outro. Clara estava sentada na cama, abraçando os próprios joelhos.
— Você não devia ter feito aquilo. — ela disse, por fim.
Jacob parou.
— Eu fiz porque ele te olhou como se fosse dono.
— Você quase destruiu sua carreira!
— E você vai embora de novo! — ele explodiu.
O silêncio caiu pesado.
— Eu não aceitei ainda. — ela respondeu, a voz falha.
Jacob se aproximou lentamente.
— Mas está considerando.
— É a oportunidade da minha vida.
— E eu? — ele perguntou, baixo.
Ela levantou o rosto.
— Você já vive o seu sonho.
Jacob segurou o rosto dela com as duas mãos, firme.
— Você é o meu sonho.
O beijo veio intenso, desesperado. Não era só desejo — era medo.
Ele a empurrou suavemente na cama, o corpo dominando o dela sem violência, mas com autoridade absoluta.
— Você fica. — ele murmurou entre beijos. — Eu cuido do resto.
— Jacob…
— Eu disse que não vou te deixar ir. — a voz dele era rouca, carregada.
As mãos dele exploraram cada centímetro dela como se precisasse gravar sua existência. Clara respondeu na mesma intensidade, o corpo traindo qualquer dúvida racional.
Mas quando tudo terminou, o peso voltou.
Ela chorou em silêncio.
Jacob percebeu.
— O que foi?
— Eu tenho medo. — ela confessou. — Medo de ficar… e te destruir. Medo de ir… e me destruir.
Jacob a puxou para o peito.
— Então escolhe. — disse. — Mas escolhe sabendo que, dessa vez, eu não vou sobreviver a outra despedida.
Na manhã seguinte, Clara recebeu um e-mail final:
“Prazo de confirmação: 48 horas.”
E, como se não bastasse, uma nova manchete:
“Universidade internacional oferece vaga a Clara Monteiro — ex de Jacob Rivera.”
Agora o mundo inteiro sabia.
E não havia mais como fugir