A sala de reuniões da equipe era grande demais para o clima que se instalava ali dentro.
Patrocinadores sentados em cadeiras de couro, ternos caros, olhares frios. O chefe da equipe à cabeceira da mesa. Advogados. Assessores de imagem.
E Jacob, de pé, braços cruzados, postura rígida.
— Você perdeu a cabeça. — disse um dos patrocinadores, sem rodeios. — A agressão foi transmitida para o mundo inteiro.
— Eu empurrei um provocador. — Jacob respondeu, a voz firme. — Não matei ninguém.
— Não importa. — o assessor rebateu. — Sua imagem está associada a instabilidade emocional. E isso coincide com o retorno da sua ex.
Jacob sorriu sem humor.
— Então vamos parar de fingir. — disse. — O problema não sou eu. É ela existir.
O silêncio foi imediato.
— Jacob… — o chefe da equipe tentou intervir.
— Não. — ele ergueu a mão. — Quero ouvir.
Um dos patrocinadores pigarreou.
— Enquanto Clara Monteiro estiver associada a você, sua posição na equipe fica… delicada.
— Delicada como?
— Como substituível.
Jacob deu um passo à frente, os olhos escuros perigosamente calmos.
— Vocês não vão ditar minha vida pessoal.
— Ditamos contratos. — o homem respondeu. — Ou ela se afasta… ou você aceita as consequências.
Jacob riu, baixo.
— Vocês me querem porque eu ganho. — disse. — E eu continuo ganhando com ou sem a aprovação de vocês.
— Sebastian Wolfe ganhou a última corrida. — alguém provocou.
Jacob se inclinou sobre a mesa.
— E eu vou ganhar a próxima. — afirmou. — Com Clara ao meu lado.
O chefe da equipe respirou fundo.
— Jacob, pensa com calma—
— Eu pensei por quatro anos. — ele interrompeu. — E não vou perder de novo.
Ele saiu da sala sem olhar para trás.
Clara estava sozinha no café do hotel quando sentiu a presença antes mesmo de ouvir a voz.
— Difícil passar despercebida hoje em dia, né?
Sebastian sentou-se à frente dela, confiante demais.
— Levanta e vai embora. — Clara disse, sem encará-lo.
— Relaxa. — ele sorriu. — Não vim causar escândalo. Vim fazer uma proposta.
Ela levantou os olhos, desconfiada.
— Eu não tenho nada pra conversar com você.
Sebastian apoiou os cotovelos na mesa.
— Tenho uma oferta da mesma universidade que te quer. — disse. — Parcerias, eventos, bolsas…
O estômago dela gelou.
— Como você—
— Meu patrocinador também patrocina programas acadêmicos. — ele continuou. — E, diferente do Jacob, eu sei separar carreira de romance.
— O que você quer?
— Simples. — ele se inclinou. — Aparece comigo em alguns eventos. Fotos. Nada mais.
— Você está me usando pra provocar ele.
— Estou te oferecendo liberdade. — corrigiu. — Sem escândalos. Sem pressão. Sem um homem tentando te prender.
— Jacob não me prende.
— Prende sim. — Sebastian sorriu. — Com paixão. Com posse. Com caos.
Clara levantou-se bruscamente.
— Você é nojento.
— Pensa com calma. — ele disse, tranquilo. — Comigo, você cresce. Com ele… você afunda junto.
Ela saiu tremendo.
E, como se o universo conspirasse, as redes sociais já estavam em chamas.
“Clara Monteiro destrói carreira de Jacob Rivera?”
“Ex-namorada oportunista?”
“Estudante usa piloto para fama?”
Comentários cruéis. Ameaças. Julgamentos.
Clara chorou sozinha no quarto.
Quando Jacob entrou, encontrou-a sentada no chão, o celular largado ao lado.
— O que aconteceu? — ele perguntou, alarmado.
Ela levantou o olhar, os olhos vermelhos.
— Eu virei o problema.
— Não. — ele respondeu, firme. — Eles são.
Ela se levantou lentamente.
— Sebastian falou comigo.
Jacob travou.
— O que ele queria?
— Me oferecer uma saída. — ela engoliu seco. — Longe de você.
O ar ficou pesado.
— E você considerou? — ele perguntou, baixo.
Clara respirou fundo.
— Eu não posso ser a razão pela qual você perde tudo.
— Eu não vou perder nada.
— Já está perdendo! — ela explodiu. — Equipe, patrocinadores, controle!
Jacob segurou o rosto dela, intenso.
— Eu aguento.
Ela afastou as mãos dele.
— Mas eu não.
O silêncio que se seguiu foi devastador.
— Eu vou aceitar a universidade. — ela disse, com a voz quebrada. — E vou embora.
Jacob deu um passo para trás, como se tivesse levado um golpe físico.
— Você prometeu.
— Eu prometi não fugir. — ela chorou. — Mas isso não é fuga. É sobrevivência.
Ele riu, sem humor.
— Então é isso. — disse. — Você escolhe a carreira… e me deixa no meio da pista.
— Eu te amo.
— Não o suficiente. — ele respondeu, frio.
Jacob se virou, pegou a jaqueta.
— Quando você sair por essa porta… — disse, sem olhar para ela — não me procura de novo.
— Jacob…
— Acabou, Clara.
A porta bateu.
Ela caiu de joelhos.
E, naquele momento, os dois acreditaram que tinham acabado de destruir o único amor que realmente importou