Capítulo 4 — O preço de escolher

831 Palavras
A sala de reuniões da equipe era grande demais para o clima que se instalava ali dentro. Patrocinadores sentados em cadeiras de couro, ternos caros, olhares frios. O chefe da equipe à cabeceira da mesa. Advogados. Assessores de imagem. E Jacob, de pé, braços cruzados, postura rígida. — Você perdeu a cabeça. — disse um dos patrocinadores, sem rodeios. — A agressão foi transmitida para o mundo inteiro. — Eu empurrei um provocador. — Jacob respondeu, a voz firme. — Não matei ninguém. — Não importa. — o assessor rebateu. — Sua imagem está associada a instabilidade emocional. E isso coincide com o retorno da sua ex. Jacob sorriu sem humor. — Então vamos parar de fingir. — disse. — O problema não sou eu. É ela existir. O silêncio foi imediato. — Jacob… — o chefe da equipe tentou intervir. — Não. — ele ergueu a mão. — Quero ouvir. Um dos patrocinadores pigarreou. — Enquanto Clara Monteiro estiver associada a você, sua posição na equipe fica… delicada. — Delicada como?
— Como substituível. Jacob deu um passo à frente, os olhos escuros perigosamente calmos. — Vocês não vão ditar minha vida pessoal. — Ditamos contratos. — o homem respondeu. — Ou ela se afasta… ou você aceita as consequências. Jacob riu, baixo. — Vocês me querem porque eu ganho. — disse. — E eu continuo ganhando com ou sem a aprovação de vocês. — Sebastian Wolfe ganhou a última corrida. — alguém provocou. Jacob se inclinou sobre a mesa. — E eu vou ganhar a próxima. — afirmou. — Com Clara ao meu lado. O chefe da equipe respirou fundo. — Jacob, pensa com calma—
— Eu pensei por quatro anos. — ele interrompeu. — E não vou perder de novo. Ele saiu da sala sem olhar para trás. Clara estava sozinha no café do hotel quando sentiu a presença antes mesmo de ouvir a voz. — Difícil passar despercebida hoje em dia, né? Sebastian sentou-se à frente dela, confiante demais. — Levanta e vai embora. — Clara disse, sem encará-lo. — Relaxa. — ele sorriu. — Não vim causar escândalo. Vim fazer uma proposta. Ela levantou os olhos, desconfiada. — Eu não tenho nada pra conversar com você. Sebastian apoiou os cotovelos na mesa. — Tenho uma oferta da mesma universidade que te quer. — disse. — Parcerias, eventos, bolsas… O estômago dela gelou. — Como você—
— Meu patrocinador também patrocina programas acadêmicos. — ele continuou. — E, diferente do Jacob, eu sei separar carreira de romance. — O que você quer?
— Simples. — ele se inclinou. — Aparece comigo em alguns eventos. Fotos. Nada mais. — Você está me usando pra provocar ele.
— Estou te oferecendo liberdade. — corrigiu. — Sem escândalos. Sem pressão. Sem um homem tentando te prender. — Jacob não me prende.
— Prende sim. — Sebastian sorriu. — Com paixão. Com posse. Com caos. Clara levantou-se bruscamente. — Você é nojento. — Pensa com calma. — ele disse, tranquilo. — Comigo, você cresce. Com ele… você afunda junto. Ela saiu tremendo. E, como se o universo conspirasse, as redes sociais já estavam em chamas. “Clara Monteiro destrói carreira de Jacob Rivera?”
“Ex-namorada oportunista?”
“Estudante usa piloto para fama?” Comentários cruéis. Ameaças. Julgamentos. Clara chorou sozinha no quarto. Quando Jacob entrou, encontrou-a sentada no chão, o celular largado ao lado. — O que aconteceu? — ele perguntou, alarmado. Ela levantou o olhar, os olhos vermelhos. — Eu virei o problema.
— Não. — ele respondeu, firme. — Eles são. Ela se levantou lentamente. — Sebastian falou comigo. Jacob travou. — O que ele queria? — Me oferecer uma saída. — ela engoliu seco. — Longe de você. O ar ficou pesado. — E você considerou? — ele perguntou, baixo. Clara respirou fundo. — Eu não posso ser a razão pela qual você perde tudo.
— Eu não vou perder nada.
— Já está perdendo! — ela explodiu. — Equipe, patrocinadores, controle! Jacob segurou o rosto dela, intenso. — Eu aguento. Ela afastou as mãos dele. — Mas eu não. O silêncio que se seguiu foi devastador. — Eu vou aceitar a universidade. — ela disse, com a voz quebrada. — E vou embora. Jacob deu um passo para trás, como se tivesse levado um golpe físico. — Você prometeu.
— Eu prometi não fugir. — ela chorou. — Mas isso não é fuga. É sobrevivência. Ele riu, sem humor. — Então é isso. — disse. — Você escolhe a carreira… e me deixa no meio da pista. — Eu te amo.
— Não o suficiente. — ele respondeu, frio. Jacob se virou, pegou a jaqueta. — Quando você sair por essa porta… — disse, sem olhar para ela — não me procura de novo. — Jacob…
— Acabou, Clara. A porta bateu. Ela caiu de joelhos. E, naquele momento, os dois acreditaram que tinham acabado de destruir o único amor que realmente importou
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