Prioridade

672 Palavras
A luta de Isabela não encontrou adversários. Longe dali, o alvo dela estava correndo para um hangar particular da máfia. Soupnazi dirigiu com os dedos apertados no volante, assim que ligou o carro a central multiíidia começou a tocar uma música que a noiva amava. “More than words”... Nos últimos meses, Killer vivia repetindo aquilo, Mais do que palavras. Ele dizia que a amava e ela respondia que não queria ouvir, queria sentir. Lembrou da discussão que tiveram pouco antes dela sair para aquela missão. Enquanto as árvores ficavam para trás a voz dela voltava, o jeito meio bruto e perfeito ao mesmo tempo. — Soup, fica só essa noite. Meu corpo está louco de saudade de você. — Não dá, sabe que eu não posso. Se ela chamar eu preciso estar lá. — Eu estou te chamando agora. Pode estar aqui? Brigou, mas beijou as costas dele enquanto o noivo continuou se arrumando para ir trabalhar. — Não dá Killer. Eu sei o que você e se a gente começar não vamos parar. Ela o abraçou e colocou a mão dentro da cueca dele. — Uh... que mão gelada! A noiva beliscou. — Gelado é você! Killer foi tomar banho e dormiu, tinha uma viagem no dia seguinte. Uma missão simples, nada que não tivesse feito antes. Entrar em um cativeiro de uma gangue russa, resgatar o associado e a esposa. Explodir tudo. Ainda assim, passaria vários dias fora. Embarcou sem se despedir do noivo. Estava brava e ele só se lembrou que ela viajaria, mais de quatro horas depois. Agora estava dirigindo a mais de 120 quilômetros por hora só para estar lá quando ela chegasse. — Sou tipo um Windows 95, cheio de falhas, lento, mas ainda teimo em existir. Droga! Quando Killer desembarcou, ele correu até ela. Viu quando a noiva soltou o cabelo, não entendeu, não importava. Ficaram abraçados por vários minutos, ele beijou o pescoço feminino, a segurava tão forte colada a ele que ela ficou com os pés fora do chão. E só quando segurou o rosto da mulher em meio aos beijos que foi capaz de ver o corte. Passou o polegar. O ferimento descia irregular do olho até a mandíbula. — O que foi isso? Killer sorriu meio sem graça, escondeu de novo o corte. Nunca teve esse tipo de problema, ao contrário. Sentia orgulho de cada uma das cicatrizes, mas com Soup era diferente. Queria que ele a achasse bonita. — Eu errei. Estava com a cabeça em outro lugar. Obrigada, por vir. — Eu quero me conectar a você em qualquer lugar, sempre, Killer. — Então vamos, o associado precisa de ajuda. Soupnazi olhou para o homem que ela havia resgatado, estranhou, mas não falou. Um homem alto, com aparência andrógena, completamente amarrado. A mordaça presa forte enquanto as lágrimas caiam pesadas. — Você realmente redefine a lógica de resgate. Ele não deveria estar se sentindo seguro com a gente? — Ele precisa estar seguro. Os sentimentos resolvemos depois. Vamos! Ela estava com pressa, ainda não havia encontrado a esposa do associado. Mas a pressa dela, deixou Isabela com ainda mais tempo para agir. Soupnazi não voltou ao trabalho, discutiu com o amigo e abandonou tudo. — Eu fiz o que me pediu, flertei com ela, abri as portas. Seu plano é um erro 404. Pablo. Quase perdi o meu sistema inteiro por causa disso. Estou fora! — Não pode desistir. É um soldado jurado, Soupnazi. — Se isso significa machucar ela, game over definitivo, cara. Soupnazi estava pronto e no carro antes da noiva terminar a reunião com o capo. Não queria ficar sem ela, discutiram e ele a empurrou para o banco de trás. Ele arrancou o cinto tático que a noiva usava antes de abrir a própria roupa. Estava de dia, o carro não tinha vidros escuros, mas nenhum dos dois pensou nisso. Ele gemeu junto com ela quando entrou. — Eu vou com você, entendeu? Entrou forte outra vez, antes que ela pudesse reagir.
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