A luta de Isabela não encontrou adversários. Longe dali, o alvo dela estava correndo para um hangar particular da máfia.
Soupnazi dirigiu com os dedos apertados no volante, assim que ligou o carro a central multiíidia começou a tocar uma música que a noiva amava.
“More than words”... Nos últimos meses, Killer vivia repetindo aquilo, Mais do que palavras.
Ele dizia que a amava e ela respondia que não queria ouvir, queria sentir.
Lembrou da discussão que tiveram pouco antes dela sair para aquela missão.
Enquanto as árvores ficavam para trás a voz dela voltava, o jeito meio bruto e perfeito ao mesmo tempo.
— Soup, fica só essa noite. Meu corpo está louco de saudade de você.
— Não dá, sabe que eu não posso. Se ela chamar eu preciso estar lá.
— Eu estou te chamando agora. Pode estar aqui?
Brigou, mas beijou as costas dele enquanto o noivo continuou se arrumando para ir trabalhar.
— Não dá Killer. Eu sei o que você e se a gente começar não vamos parar.
Ela o abraçou e colocou a mão dentro da cueca dele.
— Uh... que mão gelada!
A noiva beliscou.
— Gelado é você!
Killer foi tomar banho e dormiu, tinha uma viagem no dia seguinte.
Uma missão simples, nada que não tivesse feito antes.
Entrar em um cativeiro de uma gangue russa, resgatar o associado e a esposa. Explodir tudo.
Ainda assim, passaria vários dias fora.
Embarcou sem se despedir do noivo. Estava brava e ele só se lembrou que ela viajaria, mais de quatro horas depois.
Agora estava dirigindo a mais de 120 quilômetros por hora só para estar lá quando ela chegasse.
— Sou tipo um Windows 95, cheio de falhas, lento, mas ainda teimo em existir. Droga!
Quando Killer desembarcou, ele correu até ela. Viu quando a noiva soltou o cabelo, não entendeu, não importava.
Ficaram abraçados por vários minutos, ele beijou o pescoço feminino, a segurava tão forte colada a ele que ela ficou com os pés fora do chão.
E só quando segurou o rosto da mulher em meio aos beijos que foi capaz de ver o corte.
Passou o polegar. O ferimento descia irregular do olho até a mandíbula.
— O que foi isso?
Killer sorriu meio sem graça, escondeu de novo o corte. Nunca teve esse tipo de problema, ao contrário. Sentia orgulho de cada uma das cicatrizes, mas com Soup era diferente.
Queria que ele a achasse bonita.
— Eu errei. Estava com a cabeça em outro lugar. Obrigada, por vir.
— Eu quero me conectar a você em qualquer lugar, sempre, Killer.
— Então vamos, o associado precisa de ajuda.
Soupnazi olhou para o homem que ela havia resgatado, estranhou, mas não falou.
Um homem alto, com aparência andrógena, completamente amarrado. A mordaça presa forte enquanto as lágrimas caiam pesadas.
— Você realmente redefine a lógica de resgate. Ele não deveria estar se sentindo seguro com a gente?
— Ele precisa estar seguro. Os sentimentos resolvemos depois. Vamos!
Ela estava com pressa, ainda não havia encontrado a esposa do associado.
Mas a pressa dela, deixou Isabela com ainda mais tempo para agir.
Soupnazi não voltou ao trabalho, discutiu com o amigo e abandonou tudo.
— Eu fiz o que me pediu, flertei com ela, abri as portas. Seu plano é um erro 404. Pablo. Quase perdi o meu sistema inteiro por causa disso. Estou fora!
— Não pode desistir. É um soldado jurado, Soupnazi.
— Se isso significa machucar ela, game over definitivo, cara.
Soupnazi estava pronto e no carro antes da noiva terminar a reunião com o capo. Não queria ficar sem ela, discutiram e ele a empurrou para o banco de trás.
Ele arrancou o cinto tático que a noiva usava antes de abrir a própria roupa.
Estava de dia, o carro não tinha vidros escuros, mas nenhum dos dois pensou nisso. Ele gemeu junto com ela quando entrou.
— Eu vou com você, entendeu?
Entrou forte outra vez, antes que ela pudesse reagir.