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791 Palavras
Dividiram a cama aquela noite, mas na manhã seguinte, Luca simplesmente desapareceu. Sem bom dia, nem sorriso, apenas se levantou e saiu. Isabela acordou com o movimento. Fingiu dormir, preferiu não ter que encarar as perguntas que viriam. O estranho foi ele não aparecer no almoço, nem com presentes, nem com aquele charme arrogante que sempre usava como proteção. Era patético e encantador ao mesmo tempo. Ficou impaciente, não gostava de esperas. Correu de volta para o computador. *Soup, está aí?* Ela queria contar sobre Luca, já havia contado para Soup que gostava do jeito de Santis e ele parecia entender aquele jogo. Dizia que criminosos eram os melhores. *Para você, sempre, Estrela-guia* Ela riu sozinha. Com ele era impossível não rir. Acabou esquecendo completamente do que queria falar. *Você deve ser feio* *Um pouco, mas por que acha isso?* *Homens feios são os melhores em galanteios, uma coisa compensa a outra* *Costumo compensar em outra área também* A policial respirou fundo antes de responder. *E de que outra área estamos falando?* *Tecnologia, o que estava pensando?* *Programação e dados, com certeza* Conversaram por horas, como se o tempo também pudesse deslizar entre os códigos. Ela explicou o que estava fazendo por Santis e como o universo tecnológico do italiano funcionava. *Ele contrata centenas de jovens hackers com sede por dinheiro, paga bem e todas as transferências acontecem para dezenas de contas* Contou cada um dos detalhes da operação de Santis e como o italiano acabou se tornando um dos alvos da organização russa. E enfim, falou sobre o que havia acontecido entre eles. *Acho que não quero mais que ele seja preso pelo sistema, Soup. Comecei a vasculhar as contas dos russos* Falou sobre aquilo por um tempo... Até que ele também sumiu. Chamou por Soup várias vezes sem sucesso. Não entendeu. Do outro lado da tela, Soupnazi m*l conseguia respirar depois de receber a notícia do acidente com a noiva. A mente dele travou. Pablo insistia para que ele continuasse, a missão estava quase no fim, mas Soup não conseguia pensar. Mais da metade das mensagens que Isabela tinha lido eram escritas pelo outro hacker. Eles estavam atrás dos dados de Luca Santis e queriam entender a ligação dele com os russos. A máfia investigava o sequestro de um aliado, e para o capo um aliado era quase tão intocável quanto um irmão. — Killer. Soup encarou a tela do celular paralisado. A mensagem do capo era curta, mas pesava como uma âncora direto no peito do hacker. “Soupnazi, preciso falar com você, aconteceu um acidente na Rússia. A chefe de segurança se machucou”. Isabela conseguiu restabelecer o contato, mas percebeu a mudança. Mesmo com os mesmos códigos e as trocas de IP, havia algo diferente na forma de escrever. *Soup, aconteceu alguma coisa?* *Não Estrela-guia, estou bem e cada vez mais apaixonado* Ela congelou. *Apaixonado?* *Por você* Isabela fechou o computador com violência. — BURRA! Saiu do quarto transtornada, invadiu o escritório de Luca e gritou para que todos saíssem. O lugar que ele chamava de escritório era na verdade um bunker digital, um formigueiro de jovens hackers em busca de dinheiro rápido. Eles correram para fora. Luca sorriu para ela. — Não esperava que acordasse com esse humor, Bela. Isabela ergueu o computador e o arremessou contra a parede. — VOCÊ É LOUCA? — Não viu nada. Por que fez isso? — Fiz o que, Isabela? Ela puxou um dos computadores que estava na outra mesa e abriu a conversa com Soup. A tela estava cheia de linhas, símbolos, códigos. Para ela, tudo fazia sentido. Para Luca, parecia apenas isso. Letras e símbolos embaralhados. — Disso, Luca. Para quê? Precisava mesmo inventar um nick (apelido) falso para me manipular? Ele franziu a testa. — Pode achar que estou mentindo, mas não sou um criminoso. Só trouxe você porque é a única que pode redirecionar as assinaturas. — Usernames, idiotα. — Certo. E que diferença faz o nome? Preciso que redirecione. Depois disso devolvo você para sua vida e desapareço. Ela travou. Aquilo doeu mais do que deveria. Não queria que ele sumisse. Quando Soup confessou estar apaixonado, pensou que fosse Luca manipulando. Mas agora estava claro. Santis não tinha conhecimento para manter uma rede de códigos tão complexa. Se tivesse, não dependeria dela. A raiva voltou com mais força. Isabela quebrou mais um computador e encarou Luca. — Se não sabe usar, pra que precisa deles? Ele a segurou pelo braço. — Não brinque comigo, Isabela. Não aqui. Ela se soltou. — Não estou brincando! Não eu! Havia mais alguém por trás daquela história e agora ela queria descobrir o porquê. — Brincou com a pessoa errada Soup ou seja lá quem é você!
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