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Theon andava sobre a pilha de fadas mortas e encarava a última prisioneira que ainda mantinha viva.
A fada o olhava com aflição e desespero. Suas roupas estavam rasgadas, suas asas quebradas e tinha um dos ombros deslocados. Ela era segurada por dois bruxos que a mantinha de pé, com dificuldade. Ela arfava a cada passo que o conquistador dava em sua direção. Procurava em meio ao desespero um meio de sair de lá.
- Por favor... - implorava com a voz rouca de tanto gritar. - Eu não quero morrer. - ele ao se aproximar, gargalhava, pouco se importando com o que ela dizia. - Porque... está fazendo isso? As linhas são importantes até mesmo parra você.
- Menina, qual o seu nome? - um dos bruxos deu risada ao vê-lo se referir a uma fada imunda como uma menina. Theon o encarou e o sorriso sumiu do rosto rapidamente. - Qual é a graça, bruxo?
Ao vê-lo ficar branco feito giz, ele voltou sua atenção novamente para a fada, que só queria sair de sua presença.
- Seu nome. - ordenou.
- Gabrielle, híbrido traidor. - ela disse isso lhe cuspindo perto dos pés. Ele observou o ato, um tanto curioso.
- Eu? Traidor? - ele abriu um largo sorriso e seu olhar assassino chegava a brilhar de emoção. Sua gargalhada contínua e seca deixou um clima mais aterrorizante no ar. - Vou lhe apresentar à traição. - e olhando para os bruxos, prosseguiu. - Tragam a garota, acabamos por aqui.
Gabrielle tentava impedir de ser carregada, mas toda vez que fazia força contra, eles puxavam seu braço do ombro r**m e ela urrava de dor.
- Os Campbell devem estar preocupados. Sua mãe nem deve fazer ideia do monstro que você se tornou. - ela disse com tanto desdém em sua voz que a respiração dos bruxos que a seguravam pararam por um instante, ao sentir a aura ameaçadora que vinha do jovem à sua frente.
Os olhos de Theon se escureceram e ele parou de andar. Sua mente envenenada estava confusa e furiosa com o comentário da infortuna fada. Ele se virou, lhe lançando um olhar assassino que era amplificado pelas profundas olheiras do jovem híbrido.
- Não ouse falar dessas pessoas para mim, sua criatura desprezível.
Sua intensão na hora foi de matá-la, mas lembrou-se que o Príncipe requisitou a fada viva. Ele serrou seus punhos e estalou os dedos, criando o portal e indicando com a cabeça que passassem.
Ele deu uma última olhada para o estrago que havia deixado em Singapura e sumiu pelo portal.
Simon estava sentado em sua poltrona, de frente para a lareira crepitante enquanto se debruçava em um pescoço juvenil de uma moça que tinha a respiração fraca e irregular, vestida de um vestido azul manchado de sangue que escorria por seu pescoço. Ele afastou a moça e fez sinal para um homem perto da porta a retirar de lá.
- Vejo que voltou cedo. - disse limpando sua boca com um pano branco. - Como anda o progresso?
Theon se ajoelhou em sua presença e abaixou sua cabeça, apoiando seu punho esquerdo no tapete de veludo.
- Os testes têm sido um sucesso e conseguimos capturar uma das fadas próximas da Rainha Emily. - os olhos de Simon brilharam e um sorriso vermelho surgiu em seus lábios, normalmente sérios.
- Qual o nome? Conseguiu descobrir?
- Gabrielle, senhor.
- Perfeito! Ela é a mais próxima de nosso dois alvos. Os Campbell e a Rainha. Não tinha como ser melhor, meu aprendiz. - Simon estava de bom humor e Theon sorriu sutilmente pelo bom elogio.
- Obrigado, senhor. Estamos quase prontos para o despertar.
- Ótimo. Em breve o enviarei para a sua missão final. - Theon levantou sua cabeça e juntou as sobrancelhas.
- Ultima?
Simon lhe respondeu com seu poderoso sorriso, sem nada dizer a respeito, deixando o garoto confuso, mais uma vez.
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Mary acordou depois de dois dias apagada e ao se levantar rapidamente, se sentiu tonta, enjoada e até mesmo um pouco dolorida. Coisas que ela nem sabia mais como eram sentidas há muito tempo. Matt estava dormindo ao seu lado, então imaginou que talvez ainda fosse de noite. Ela saiu da cama de vagar e subiu as escadas. Sua garganta arranhava de tanta sede, ela precisava se alimentar, mas... não era a mesma sede, era quase como se...
- Mary?! - alguém falou surpreso ao vê-la desperta. - Ela acordou! - Robert gritou para todos, que chegaram rapidamente, nem mesmo dando tempo dela processar o que estava acontecendo.
- Oi, pessoal.
- Como está se sentindo? - Jess perguntava, mas estava na cara que todos estavam ansiosos pela resposta. Mary colocou a mão na testa e juntou as sobrancelhas.
- Eu me sinto estranha, na verdade.
Todos riam e estava radiantes de vê-la finalmente bem.
- O que está acontecendo com vocês? Onde está Victória e Ethan? Ethan... ele..?
- Não! Ele está no quarto de Vicky desde o incidente. Ele ainda não acordou também. - comentou Lea. - Mas, mais importante Mary, coloque a mão em seu peito!
Mary ficou confusa com a pergunta mais aleatória que ela podia ter imaginado vindo de Lea. Ela levantou uma sobrancelha e obedeceu ao pedido da menina loira, que sorria debilmente para ela. Quase tiveram que segurar ela para que não caísse ao colocar a mão sobre o peito.
Ela respirava, sem perceber. E não só isso... seu coração voltara a bater. Ela se apoiou nas paredes e foi tateando até o banheiro do primeiro andar. Todos foram atrás dela, curiosos. Mary acendeu a luz e se encarou no espelho. Seus cabelos estavam opacos, sem muita vida, precisando urgentemente serem lavados, sua pele tinha um tom pálido de uma pessoa normal que precisava almoçar. Ela abriu a boca, procurando as presas que saltavam quando a fome vinha e nada aconteceu.
Um grito rouco surgiu da garganta de Mary e logo Matt entrou correndo no banheiro.
- Mary...?
- Eu... sou humana de novo? - ela perguntava ao soluços enquanto chorava sem conseguir desviar os olhos da imagem no espelho.
- Victória pediu que fosse ao seu quarto quando acordasse para que conversassem sobre isso. Ethan está em uma situação parecida com a sua, seu coração também voltou a bater depois do ritual, mas diferente de você, ele não deu sinais nem mesmo de sonhar, ou de que vai acordar logo. Ele entrou em coma.
Mary tremia tanto que Matt decidiu a conduzir até o sofá da sala. A menina estava em choque com tudo aquilo e nada falava, ou expressava. Aquilo tudo era algo novo para todos naquela casa, talvez para o mundo, já que nunca se ouviu falar de um vampiro que tenha voltado a ser humano novamente. Embora aquilo parecesse algo bom, para Mary era o fim, uma vez que seu irmão estava... como ele estava? Ela suspirava e ficava imaginando o que poderia ter acontecido e como aquilo era possível.
Jess se apressou e foi até a cozinha preparar algo para a menina que poderia desmaiar a qualquer momento. Ela precisava se alimentar. Ela começou a preparar um chá calmante para ela e algumas torradas com geleia de amora. Talvez fosse o suficiente por enquanto. Dean correu até seu quarto e voltou com um cobertor bem grosso e quentinho para aquecer a menina.
Lea, talvez imaginando que não fosse o ideal deixar que ela visse o irmão naquele estado, foi chamar a irmã que ainda não havia saído do quarto, mas acabaram se esbarrando no meio das escadas.
- Oh, eu estava indo te chamar.
- Que gritaria toda foi essa? - ela falou isso, mas ao olhar para a sala e ver Mary que tremia e tinha uma expressão vazia ela suspirou. - Ah, já entendi.
Lea a acompanhou até a sala e se sentou ao lado do irmão mais velho, deixando que Victória fosse até lá só. Ela se abaixou ao lado de Mary e lhe deu um leve sorriso consolador.
- Como está se sentindo, querida?
Mary só notou sua presença ao ouvir sua doce voz e, ao virar seus olhos em sua direção, seus olhos se encheram de lágrimas e em seu rosto uma expressão carregada de dor se formou.
- O que eu fiz...? Ele... ele morreu? Sua alma se foi? O que está acontecendo, Vicky?
- Digamos que algo único aconteceu. Você não é mais imortal, Mary Tafari. Seu irmão está bem, está passando por uma fase complicado onde somente ele conseguirá sair dela. Só depende de sua própria força de vontade. E você, Mary... agora é uma bruxa. Assim como nós, os Campbell.
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