Capítulo 7

2297 Palavras
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Coréia do Sul, Japão, Indonésia, Índia e está se espalhando.    - Como assim demoníacas? - Jess estava confusa com o termo usado e um tanto desacreditada.    - Demônios. Mas o que me preocupa nem é isso!   - Como não seria isso? - Robert estava ficando exaltado. - Achei que começariam com o nascimento de meu filho.    - E irão. Esse movimento é diferente. O lugar que estão atacando é específico demais. Eles estão almejando os pontos onde passam as Linhas de Ley.    Jess e Lea ficaram brancas e paralisadas com a notícia.    - Você tem certeza disso? - perguntou Lea.    - Tenho. Eu sei as atuais coordenadas, pois as passagens pro Reino das Fadas ficam nesses pontos, embora eles sempre mudem. Eu não estou errado.    - Se isso for verdade, podemos ter sérios problemas. Eu já estava me perguntando como eles planejavam atacar, então é assim que vai ser.    - Pessoal, só eu que estou perdida?   - Eu também não entendo. - concordou Robb com sua irmã. - O que são essas Linhas de Ley?   Dean bufou e pensou que em como seus irmãos eram m*l informados acerca do mundo sobrenatural.    - A essência básica das linhas ley decorre de uma fonte natural. Elas são correntes de energia telúrica. À medida que elas se refinaram, algumas foram codificadas e construídas em novos paradigmas, os quais chamam-se de quinta e sexta dimensão. Estas substituíram as antigas, mas nem todos as descobriram ainda. E isto é apropriado. As fadas usam essas passagens por serem seguras e desconhecidas, já que estão em constante mudança. E pode-se dizer que o sistema de linhas ley atua como o sistema nervoso do planeta vivo, se você ataca as linhas, você ataque o planeta.    - Muita gente acredita que essas sejam verdadeiras entradas para outras dimensões ou de entrada e saída para criaturas. Você já deve ter ouvido falar de pessoas que precisam fazer um determinado ritual em uma determinada época e especificamente em um lugar, simplesmente não pode ser feito em outro. As linhas de Ley são frequentemente esses lugares, pois são pontos em que a coisa se intensifica. - concluiu Jess, como se estivesse dando uma aula para seus velhos alunos, que assentiam ao confirmarem.    - Entrada e saída de criaturas... - Mary meditava. - Seria possível que os demônios estivessem passando por essas frestas?    - Não é difícil, mas não acho que seja por lá estejam saindo, acho que planejam outra coisa. - disse Jess. Dean concordou com ela.   - Exatamente. Eu acho que pra eles estarem mexendo em algo tão vital, com certeza planejam algo grande. Afinal, nossa magia só é possível graças à esse tão belo sistema de linhas.    - Isso quer dizer que...   - Sim, Vicky. Se romperem as linhas da Inglaterra, todos nós perdemos nossos poderes e não vamos poder fazer nada contra esses demônios.   - Meu Deus. Isso é uma situação muito pior do que imaginávamos.    - Sim e por isso precisamos consertar a Mary logo, se você não for capaz, no final ela terá de ser.    Todos acabaram mais tensos do que estavam antes e se dirigiram para a sala, onde estava a grande televisão, para acompanharem as notícias. Ataques sobrenaturais, que para os mortais eram acontecimentos naturais, ou revolta da natureza, nós sabíamos do que se tratava: estava chegando o dia do juízo final. Dean começou a se preparar para o tão esperado feitiço que reuniria os fragmentos de alma de Mary e isso durou quase uma semana de angústia e nervosismo dos moradores da grande mansão da colina. O medo do bebê nascer antes, ou as mechas ainda ruivas de Vicky de repente ficarem negras. Os demônios que agora os evitavam e miravam nas linhas poderiam ser sua ruína... Estavam todos em seu limite. No último dia, no final da tarde, Dean se apresentou a todos e sorriu.   - Vamos começar?    Mary e Ethan se levantaram rapidamente das poltronas da sala de música e se entreolharam, confiantes de que tudo daria certo. Victória foi a última a se levantar, foi se arrastando até o porão buscar algumas coisas e voltou com sua cara mais tristonha que podia ter.   - Está tudo bem? - perguntou Dean.    - Está. Eu só estou com medo. Cansei de fingir que sou forte o tempo todo. - ele deu um longo suspiro e a abraçou o mais forte que pôde. - Obrigada, Dean.    Ela lhe deu um beijo na cabeleira castanha e também suspirou. Ela ainda não havia se acostumado totalmente com a sua presença, por ele ser quem ele era. Ela sempre esperava o velho Dean grudento aparecer, o Dean infantil, o Dean medito, que na verdade era Lester o tempo todo. Lester do m*l, Lester que não era e nunca seria seu verdade irmão. Parecia besteira, mas ela sentia falta, como se Dean, na verdade tivesse morrido com a presença de Lester. Ter uma nova criança em casa, tão sábia e madura, era por vezes assustador. Ela o afastou e sorriu para todos.    - Vamos começar.    Todos acompanharam Vicky que levava uma cesta com diversos utensílios e começara a descer a montanha quando o sol se pôs. A luz crescente no alto dos céus indicava que era o dia ideal para realizar aquela ritual.   Victória foi até uma clareira bem aberta, longe da cidade. Uma área bem iluminada pela luz da lua. Ela preparou seu círculo mágico com grossas velas negras e vermelhas. Ela queimou a sálvia para expulsar quaisquer espírito maligno que pudesse estar na espreita acendeu suas velas, dando início ao ritual.    - Por favor, pisem no centro do círculo. - indicou aos irmãos que estavam ansiosos com o que estava por vir.    Eles a obedeceram sem questionar e olhavam para seus amados, com receio. Matt sorria, encorajando Mary que tremia um pouco de nervosismo. Ethan só conseguia olhar para Vicky, como se fosse a última vez que veria tal beleza.    - Estão todos bem? Posso continuar?   - Por favor. - disse Ethan. Mary lhe deu um um leve apertão no braço.   - Fiquem de costas um para o outro e fechem seus olhos. - eles seguiam as orientações a risca. - Respirem de vagar, profundamente. Preencham seus pulmões de ar e soltem. Você vão entrar em um transe, sigam minhas voz. - ela olhou para Dean e ele assentiu. O menino, sem entrar no círculo, pegou as mãos de Ethan e começou a ecoar seu próprio feitiço, enquanto Victória começava o trabalho: "Numen luna et magicae Ostende mihi faciem tuam, auxilium mihi cæremonias istas. Dea mysteria omnia inducere ad impios semitae ipsius. Addere cibum, ossa haec add.  Congrega eos quasi sphaeras Coeli interioris, iungere tui industria. In una tantum. Benedictus sis tu, dea lunae. Amissorum colligere frusta concidens tolle hunc nobilissimum est." Mary começou a balançar e sentir um vento gelado na nuca, como se seu irmão não estivesse mais junto de si. Vicky se aproximou deles e sussurrou:   - Vou fazer um pequeno corte em vocês, não se assustem, não abram seus olhos, não reajam. Já está quase feito.    Ela então, pegou seu punhal da cesta e fez um leve corte no pescoço dos dois, pelo lado que estava de frente a ela. Eles tentaram não esboçar nenhuma reação, mas a careta foi inevitável quando o punhal cortou seus pescoços. Era superficial, mas ardia igualmente. Victória deixou que sangrassem um pouco e pronunciou:   -Unum spirituum.    Ao dizer isso o sangue que escorria para seus ombros, pararam seu curso e começaram a flutuar um em direção ao outro, ao se encontrarem, os irmãos começaram a tremer como se estivessem tomar um choque e seus olhos ficaram totalmente brancos.  - Numen luna et magicae Ostende mihi faciem tuam, auxilium mihi cæremonias istas. Dea mysteria omnia inducere ad impios semitae ipsius. Addere cibum, ossa haec add.  Congrega eos quasi sphaeras Coeli interioris, iungere tui industria. In una tantum. Benedictus sis tu, dea lunae. Amissorum colligere frusta concidens tolle hunc nobilissimum est. - repetiu Vicky.   Ethan que estava segurando as mãozinhas de Dean, desfaleceu diante do círculo e todas as velas se apagaram quando ele tocou o chão, sendo rapidamente acudido por Matt. Dean que parecia esgotado também quase desmaiou, mas Robert o colocou em suas costa e suspirou.   - Acabou? - ela olhava para Mary que tinha sua boca totalmente aberta e seus olhos ainda brancos. - Ela está bem?   - Ainda não.    - O que está acontecendo com ela? - Matt estava muito preocupado e não parava de questionar se aquilo tinha sido a melhor de suas escolhas. - Ela vai ficar bem?   - Ainda não. Esperem. Ela precisa aceitar o que está recebendo. Como ele está? - ela lançou um olhar preocupado para Ethan.    Ela, ao contrário do resto da família, conseguia ver com clareza um fino fio que ainda unia os irmãos um ao outro, um fino fio de sangue, quase invisível.   - Respirando, mas não está acordando.    - Mais um pouco, aguente mais um pouco, querido. - sussurrou, sem olhá-lo. Ela encarava Mary. - Vamos, Mary. Seu irmão talvez não aguente muito mais.    Os olhos da vampira ficaram negros como a noite de repente e um som terrível saiu de sua boca que permanecia aberta, como um berra de uma terrível b***a. Todos se abaixaram e se seguraram quando o chão começou a tremer. Vicky viu o fio se desfazer e olhou Matt.   - Leve-o para dentro. Agora. Todos saiam da floresta, voltem para casa, eu seguro ela.    Matt agarrou o amigo e com sua super velocidade e força, em segundos entrou na casa dos Campbell. E encontrou Jess na porta com seu olhar preocupado. Os demais se apressaram como puderam e olhavam sempre pra trás, preocupados com as meninas.    Victória olhava a garota, que soltava um brilho único e poderoso. Era um vermelho ainda mais denso que o vermelho escarlate que ela mesmo emanava.   - O que é você? - perguntou. - Certamente não é uma simples vampira que teve sorte. Que tipo de criatura poderia ser você?    Ela tocou as mãos da garota e sentiu toda a sua magia ser sugada, rapidamente. Ela se afastou, parecendo com medo e caindo para trás, olhando sem entender a garota vampira.    - Mary?! Mary!    A cada segundo que passava o poder de Mary parecia aumentar, como se ela absorvesse tudo ao seu redor e tomasse como seu. Ela nem sequer estava consciente ainda. As suas presas apareceram e seus pés afundaram no chão de terra, tamanha era a pressão de seu poder.    - Você precisa acordar! - gritou Victória. - Mary!    Victória acendeu sua chama e seus olhos queimavam como fogo, ao liberar seu poder dormente, ela levitou alguns centímetros acima do solo e levantou suas mãos na direção da mulher descontrolada.   - Somnum.    E a menina caiu num sono profundo, liberando toda a sua pressão e deixando Victória respirar, finalmente, aliviada. Havia acabado.  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
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