> **"Eu me lembrei de como você sempre gostou de flores simples,"** disse ele, meio tímido.
Eliza sorriu, segurando o buquê com cuidado. **"São lindas. Obrigada, Lucas. Isso me fez lembrar de quando você me trouxe margaridas da praça quando éramos adolescentes."**
> **"Eu sabia que você se lembraria,"** respondeu ele, com um brilho nos olhos.
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### **Primeira Parada: A Livraria Antiga**
A primeira parada do passeio foi a livraria local, um lugar que ambos frequentavam quando eram mais jovens. Assim que entraram, o cheiro inconfundível de livros antigos e madeira tomou conta do ambiente.
Eliza passou os dedos pelas prateleiras empoeiradas, lembrando-se de como costumava passar horas escolhendo livros ali.
> **"Você ainda lê tanto quanto antes?"** perguntou Lucas, enquanto folheava um romance clássico.
> **"Nem tanto,"** admitiu Eliza. **"A vida ficou corrida, mas quero voltar a ter esse hábito. E você? Ainda escreve?"**
Lucas riu. **"Escrevo, mas nada muito sério. Apenas reflexões e algumas histórias que nunca mostrei a ninguém."**
> **"Eu adoraria ler algum dia,"** disse Eliza, sinceramente.
Lucas hesitou, mas o sorriso dela parecia dissipar qualquer dúvida. **"Talvez um dia eu te mostre."**
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### **Segunda Parada: A Praça Central**
Depois da livraria, seguiram para a praça central. As árvores antigas formavam sombras convidativas, e o som de crianças brincando enchia o ar. No centro, a velha fonte que era ponto de encontro de muitos moradores permanecia como uma testemunha silenciosa do tempo.
> **"Você lembra quando costumávamos nos sentar aqui depois da escola?"** perguntou Lucas, apontando para um banco próximo à fonte.
Eliza assentiu, rindo. **"Claro. Era o nosso esconderijo, onde podíamos falar sobre qualquer coisa."**
Eles se sentaram no mesmo banco, agora mais desgastado, mas ainda acolhedor. A conversa fluía naturalmente, alternando entre lembranças do passado e atualizações sobre suas vidas.
> **"Às vezes eu me pergunto como seria se tivéssemos continuado juntos,"** confessou Lucas, olhando para a água que jorrava na fonte.
Eliza ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras dele. **"Eu também penso nisso. Mas a vida nos levou por caminhos diferentes. Talvez agora seja o momento certo para descobrirmos."**
Lucas sorriu, esperançoso. **"Talvez seja."**
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### **Terceira Parada: A Casa de Chá**
A última parada do passeio foi uma pequena casa de chá que havia sido inaugurada recentemente. O lugar era charmoso, com mesas de madeira, arranjos florais delicados e uma vitrine repleta de bolos e tortas.
> **"É estranho pensar que a cidade mudou tanto e, ao mesmo tempo, continua a mesma,"** comentou Eliza, observando o movimento tranquilo do local.
Lucas concordou. **"Algumas mudanças são inevitáveis, mas acho que ainda conseguimos encontrar nosso espaço aqui, como antes."**
Enquanto saboreavam suas bebidas — chá de camomila para Eliza e café para Lucas —, a conversa ganhou um tom mais profundo.
> **"Lucas, você acha que podemos realmente voltar a ser o que éramos antes?"** perguntou Eliza, com um toque de vulnerabilidade na voz.
Lucas a olhou nos olhos, sério. **"Eu não sei se podemos voltar ao que éramos, mas talvez possamos construir algo novo. Algo ainda melhor."**
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### **O Despedir-se**
Quando o passeio chegou ao fim, Lucas acompanhou Eliza até a porta de sua casa. O sol estava se pondo, tingindo o céu com tons de laranja e rosa.
> **"Obrigada por hoje. Foi... especial,"** disse Eliza, segurando o buquê que ele havia lhe dado.
> **"Foi especial para mim também. E, se você quiser, podemos repetir isso qualquer dia,"** respondeu Lucas, com um sorriso suave.
Eliza assentiu, sentindo que algo dentro dela começava a mudar. Enquanto o via partir, percebeu que aquele passeio não foi apenas sobre revisitar o passado, mas também sobre explorar a possibilidade de um futuro ao lado de alguém que, talvez, nunca tivesse realmente saído de sua vida.
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A tranquilidade recém-recuperada de Eliza é abalada por uma visita inesperada. Estevão, irmão mais velho de Clary e ex-namorado de Eliza, retorna à cidade após anos de distância. Sua chegada é marcada por um misto de surpresa, desconforto e memórias difíceis que Eliza acreditava ter deixado para trás.
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### **O Encontro Inesperado**
O dia começou como qualquer outro. Eliza estava na cafeteria da praça central, aproveitando um momento de sossego com um livro em mãos. Quando a porta do local se abriu, acompanhada pelo som do sino pendurado, ela ergueu os olhos casualmente. Seu coração parou por um instante ao reconhecer a figura que acabava de entrar.
Estevão estava ali. Ele parecia quase o mesmo de antes: alto, de postura confiante, com cabelos ligeiramente mais curtos e um olhar que misturava surpresa e algo que Eliza não conseguia decifrar.
> **"Eliza? É você?"** perguntou ele, aproximando-se com um sorriso hesitante.
Eliza sentiu uma onda de emoções conflitantes. **"Oi, Estevão. Quanto tempo..."**
> **"Muito tempo mesmo,"** respondeu ele, puxando uma cadeira sem esperar permissão. **"Eu quase não acreditei quando minha irmã me disse que você estava de volta."**
Ela sorriu de forma educada, tentando esconder o desconforto. A última vez que haviam se visto foi dolorosa. O relacionamento terminou de forma amarga, com palavras não ditas e feridas que levaram anos para cicatrizar.
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### **Tensões Ocultas**
A conversa inicial foi cordial, mas repleta de subentendidos. Estevão contou que estava de volta à cidade para cuidar de negócios da família e talvez ficar por um tempo. Eliza ouvia com atenção, mas evitava revelar muito sobre si mesma.
> **"Você parece bem,"** comentou ele, observando-a de maneira quase analítica.
Eliza forçou um sorriso. **"E você também. Parece que a vida te tratou bem."**
> **"Nem sempre, mas estou tentando acertar as coisas agora,"** respondeu ele, com um tom que sugeria arrependimento.
O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de lembranças não mencionadas. Eliza desviou o olhar, focando na xícara de chá à sua frente.
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### **Uma Presença Incômoda**
Após a conversa na cafeteria, Eliza não conseguiu evitar uma sensação de inquietação. Estevão parecia ter um objetivo maior em sua chegada, algo que ela ainda não conseguia entender completamente.
Mais tarde naquele dia, enquanto passeava pela cidade, ela o viu novamente. Ele estava conversando com Clary e Katy na praça. O reencontro com a irmã e a amiga trouxe risadas e descontração, mas quando os olhos de Estevão encontraram os de Eliza à distância, o sorriso dele diminuiu, tornando-se algo mais sério e contemplativo.