Naquela noite, Eliza decidiu conversar com Clary sobre a presença de Estevão. Elas se encontraram no pequeno jardim da casa de Clary, onde o ar fresco da noite parecia aliviar a tensão de Eliza.
> **"Clary, eu não sabia que seu irmão estava voltando para a cidade,"** começou Eliza, tentando parecer casual.
Clary suspirou. **"Nem eu sabia até a última hora. Ele decidiu aparecer sem avisar, como sempre."**
> **"Ele mencionou por que está aqui?"**
Clary hesitou antes de responder. **"Disse que precisava de um tempo longe da correria da cidade grande. Mas, para ser honesta, acho que ele está tentando consertar algumas coisas do passado... incluindo você."**
Eliza ficou em silêncio, sentindo um frio na espinha.
> **"Eu não sei se estou pronta para lidar com isso,"** confessou.
Clary colocou a mão no ombro dela. **"Só faça o que for melhor para você, Eliza. Não sinta que precisa reviver algo que te machucou."**
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### **Reflexões Solitárias**
Ao voltar para casa, Eliza sentou-se na varanda com o antigo diário que havia encontrado recentemente. Enquanto folheava as páginas, refletia sobre como o relacionamento com Estevão havia moldado parte de sua vida.
Ela lembrou-se dos bons momentos: as noites estreladas, as conversas profundas e os sonhos que compartilharam. Mas também vieram à tona as brigas, as decepções e a sensação de abandono quando ele decidiu partir sem olhar para trás.
> **"Por que ele está aqui agora?"** pensou em voz alta. **"E o que ele realmente quer?"**
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### **O Reencontro Decisivo**
Nos dias seguintes, Estevão fez questão de se aproximar de Eliza sempre que possível, seja em encontros casuais pela cidade ou em eventos com amigos em comum. Em um desses encontros, ele a abordou diretamente.
> **"Eliza, podemos conversar? Só nós dois?"**
Ela hesitou, mas acabou concordando. Encontraram-se no parque, um lugar que costumava ser especial para ambos.
> **"Eu sei que deixei as coisas de uma forma terrível entre nós,"** começou ele, com um tom sincero. **"Eu não espero que você me perdoe, mas queria pelo menos explicar."**
Eliza cruzou os braços, tentando parecer firme. **"Então fale, Estevão. Estou ouvindo."**
Ele contou sobre as razões que o levaram a partir: pressões familiares, medo de compromissos e uma imaturidade que o cegou para o que realmente importava.
> **"Eu sei que perdi você por minha própria culpa. E não estou aqui para pedir uma segunda chance, mas para dizer que lamento profundamente por ter te magoado."**
Eliza sentiu um nó na garganta. As palavras dele carregavam um peso que ela não esperava, mas também uma sensação de alívio.
> **"Eu não sei se posso esquecer o que aconteceu, Estevão. Mas talvez eu possa perdoar."**
Ele assentiu, com os olhos brilhando de emoção. **"Isso já é mais do que eu poderia pedir."**
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### **O Caminho à Frente**
Após essa conversa, Eliza sentiu que uma parte do passado havia finalmente sido resolvida. A presença de Estevão ainda causava um leve desconforto, mas ela começou a perceber que o verdadeiro problema não era ele, mas o quanto ela havia permitido que as feridas do passado controlassem suas decisões no presente.
Enquanto voltava para casa, com a lua iluminando o caminho, ela sentiu algo que não sentia há muito tempo: leveza.
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Eliza acreditava estar avançando na reconstrução de sua vida, mas uma descoberta inesperada a faz mergulhar novamente em memórias de um amor perdido. Este capítulo explora as complexas emoções de Eliza ao encontrar o diário de Álvaro, um antigo namorado que marcou profundamente sua juventude.
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### **O Encontro com o Passado**
Eliza passava a tarde organizando caixas antigas no sótão da casa de seus pais, um local que m*l visitava desde que voltou à cidade. Entre livros empoeirados e papéis amarelados, ela encontrou um caderno de capa preta, fechado com uma fita desbotada.
Ao abri-lo, seu coração acelerou: era o diário de Álvaro. As primeiras páginas estavam preenchidas com a caligrafia dele, algo que ela reconheceria em qualquer lugar.
> **"Álvaro..."** murmurou, sentindo uma mistura de nostalgia e tristeza.
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### **Primeiras Páginas: O Começo do Romance**
O diário começava com descrições detalhadas do início do relacionamento deles. Álvaro falava sobre o impacto que Eliza teve em sua vida, descrevendo-a como **"um furacão doce e imprevisível"**.
> **"Ela tem um jeito único de iluminar um ambiente. Quando ela sorri, é como se o tempo parasse por um momento. Acho que estou me apaixonando por ela."**
Eliza não pôde evitar um sorriso ao ler essas palavras. Lembrava-se das tardes que passavam juntos, das conversas intermináveis e do jeito atencioso de Álvaro, sempre preocupado em fazer com que ela se sentisse especial.
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### **Memórias Dolorosas**
Conforme avançava pelas páginas, Eliza encontrou relatos mais profundos. Álvaro falava de suas inseguranças, dos desafios que enfrentava na época, e de como temia não ser suficiente para ela.
> **"Às vezes, sinto que estou lutando contra o tempo. Ela merece o mundo, e eu não sei se posso dar isso a ela. Mas quero tentar."**
Essas palavras trouxeram à tona lembranças difíceis. O término com Álvaro não foi por falta de amor, mas por circunstâncias que pareciam intransponíveis na época. Ele teve que se mudar para outra cidade por conta de uma oferta de emprego, e Eliza, na época, não estava pronta para deixar sua vida para trás.
> **"E se tivéssemos tentado? Será que teríamos dado certo?"** pensou Eliza, enquanto as lágrimas ameaçavam cair.
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### **A Carta Nunca Entregue**
Entre as últimas páginas do diário, Eliza encontrou algo que não esperava: uma carta. Ela estava cuidadosamente dobrada e parecia nunca ter sido enviada. Abrindo-a com cuidado, começou a ler:
> **"Querida Eliza,
> Sei que as palavras que digo agora poderiam soar diferentes se eu estivesse aí, olhando nos seus olhos. Mas, por algum motivo, nunca consegui me expressar completamente em voz alta. Por isso, escrevo.
> Você foi, e sempre será, a melhor parte da minha vida. Nunca duvide disso. Quando penso no futuro, você está sempre lá. No entanto, não posso pedir que você mude sua vida por mim. Quero que siga seus sonhos, mesmo que isso signifique não estarmos juntos.
> Espero que um dia possamos nos encontrar novamente, de uma forma em que nossas vidas estejam alinhadas. Até lá, guarde essas palavras como uma prova de que eu te amei, e ainda amo."**