LARA (quando o medo aprende a ter nome, e o amor vira armadura) A casa parecia respirar comigo. Cada estalo da madeira, cada sopro do ar-condicionado, cada sombra no corredor fazia meu corpo reagir. Não era paranoia. Era instinto. E ele nunca falhava. Dante ainda não tinha voltado. Eu sabia que algo havia mudado no momento em que ele saiu sem explicações. O beijo que me deu antes de partir não foi apenas despedida foi promessa e aviso. Caminhei pela sala ampla, segurando uma xícara de café já fria. Tentei me distrair com relatórios, números, contratos, mas as letras se embaralhavam. Meu telefone vibrou. Número desconhecido. Atendi. — Lara Moretti — disse uma voz masculina, calma demais para ser segura. — Seu discurso hoje foi inspirador. Meu coração bateu mais forte, mas m

