Breno Oliveira
Eu cresci à sombra de um homem que nunca quis a minha presença. O meu pai me criou de longe, como se eu fosse um fardo, um erro do qual ele não podia se livrar, na verdade foi apenas o provedor. Desde pequeno, ouvi que minha mãe fugiu com outro homem, que me abandonou sem olhar para trás. Mas a verdade, aquela que sempre ficou bem enterrada, era muito pior.
Fui criado por uma babá, enquanto o meu pai fingia que eu não existia. Eu nunca fui prioridade, nunca fui amado. Mas quando completei dezoito anos, ele me chamou para morar com ele e meu meio irmão, o Thiago. Achei que finalmente teria uma chance, que talvez ele quisesse compensar o tempo perdido e que poderia ser feliz com a minha família..
Que ilusão.
Trabalhei na empresa da família, fiz cursos, me esforcei para ser o filho que ele sempre quis. Mas nada era suficiente. O olhar de desprezo, os silêncios, a indiferença, tudo me dizia que eu jamais pertenceria àquele lugar.
E então veio o golpe final.
Certa noite, sem que eles soubessem, ouvi meu pai e minha madrasta discutindo. Não foi uma conversa comum, eles estavam bem alterados. Foi uma verdade c***l jogada na minha cara sem anestesia.
— Não sei por que você trouxe esse bastardo para morar aqui! Sua preferência sempre foi o Thiago!
— Ele é meu filho, querendo você ou não — meu pai rebateu, mas sua voz não carregava afeto, apenas resignação.
— Mas ele nunca pode saber a verdade. Nunca pode descobrir que foi fruto de uma traição.
Minha respiração travou. Meus olhos arderam. Meu mundo desmoronou ali mesmo.
Então era isso? Minha vida inteira foi uma mentira? Eu era um erro, um engano, um peso que ele carregava por obrigação?
A raiva cresceu dentro de mim como uma maldição. Passei a olhar para Thiago de forma diferente. Ele era o filho legítimo. O querido. O favorito. E eu? Eu era o que nunca deveria ter nascido.
Mas se ele era tão perfeito, então por que eu sentia que tudo que eu queria, tudo que eu tocava, ele acabava tomando para si?
Foi tentando fugir desse sentimento que conheci aquela mulher. Loira, de olhos azuis, baixa, delicada, linda. Ela me conquistou desde o primeiro instante. E pela primeira vez, achei que alguém me via. Que alguém me escolhia.
A coisa foi ficando séria, nunca pensei que ficaria apaixonado assim na primeira ficada, primeiro beijo, na minha cabeça, só acontecia com os outros, nunca imaginei que poderia acontecer comigo!
Quando completamos 2 anos de namoro, eu já estava com 20 anos e ela com 19 anos, eu decidi passar para a próxima etapa, e a pedi em casamento
Tive o apoio do meu pai e por incrível que pareça a minha madrasta estava apoiando, eu estava feliz e minha namorada resolveu que iria trabalhar e começamos a juntar dinheiro.
O tempo passou e algo mudou. Ela ficou estranha. Distante. Sempre que eu perguntava, dizia que era coisa da minha cabeça.
Então veio a mensagem anônima. Um endereço. Um aviso.
E lá fui eu, sem saber que, ao abrir aquela porta, eu nunca mais seria o mesmo.
A imagem está gravada na minha mente como uma cicatriz que nunca some. Minha noiva, minha mulher, minha escolha, minha vida… na cama com outra mulher
Meu peito rasgou de dor e vergonha. Era como se ela estivesse esfregando na minha cara que eu não era suficiente. Que uma mulher a satisfazia melhor do que eu.
Bati palmas, sentindo o gosto amargo da humilhação.
— Eu posso explicar… — ela sussurrou, desesperada.
Eu ri, um riso seco, vazio.
— Explicar o quê? Que sou um i****a? Parabéns, você conseguiu.
Saí dali sem olhar para trás. Bebi até esquecer o meu nome. Destruí tudo que vi pela frente. Ela tentou voltar, implorou, mas para mim, já estava morta.
Foi então que decidi.
Se eu nunca fui suficiente para minha família, então Thiago também não merecia o que tinha.
Se eu era um erro, eu ia transformar a vida dele num inferno.
E até hoje, estou esperando o dia em que ele vai cair.
Mas o tempo tem uma maneira c***l de mudar os planos. E, sem que eu percebesse, algo estava prestes a virar meu mundo de cabeça para baixo outra vez…