Capítulo 006

1083 Palavras
Bárbara | Babi 💖 - Rio De Janeiro 🌞 Estalo a língua no céu da boca vendo a mensagem do Emerson e acabo não respondendo guardando o celular novamente na bolsa. __ tudo teiga loira? - ouço Everton perguntando do meu lado e respiro fundo assentindo. - qual foi o b.o da vez pô? Tá ligada que tu pode contar os bagulhos pra mim né não? Somos amigos agora pô. - falou todo engraçadinho e eu acabei soltando um risinho. O pior é que tô pagando com a língua mesmo, sempre achei ele chatinho e metido a b***a, mas no meu pior momento quem tá segurando as pontas é ele, posso até considerar um amigo mesmo. __ colega tá de bom tamanho. - falei debochando e ele fez careta mas riu. - teu irmão lembrou que tem mulher agora, mandando mensagem como se tudo tivesse mil maravilhas, vai ficar falando sozinho pra aprender que eu não sou bagunça. - comentei e ele negou com a cabeça ficando calado. E era até melhor assim, sei a opinião dele sobre o irmão e por mais que eu esteja p**a e com raiva dele no momento, não gosto e não admito ninguém falando m*l sobre ele, pode ter sim seus erros, mas ele não é uma pessoa r**m como o Everton tenta taxar. Lembro do nosso comecinho e de tudo que o Emerson passou com o Everton, o Everton sempre foi desse jeito, sempre achou que só ele poderia mudar e mover o mundo, quando a mãe deles morreu foi um auê dos infernos, porque segundo Everton o Emerson não tinha o direito de tá sofrendo já que ele nunca se importou de verdade com a mãe e só usava ela, eles brigaram valendo no dia do enterro, o cemitério que ela foi enterrada foi dentro da favela mesmo e nesse dia o Everton proibiu a entrada do Emerson, ele não teve nem o direito de se despedir dela. E isso foi o cúmulo para a relação deles acabar, já nem existia, depois disso, cada um seguiu no seu mundo. E por isso eu fiquei tão escaldada quando vi ele dentro do meu ap, fazia um tempo que não o via, e ver que agora, a pessoa que eu mais julguei nessa vida, é a pessoa que me deu a mão e tá me protegendo junto com a minha filha, faz minha mente dar uns giros fodido. Olho de relance ele fumando mais um cigarro, se não me engano já vai no sétimo, e nem sete horas da manhã é. __ maconha mata, sabia? - falei e ele riu negando e soltando a fumaça na minha cara. __ só se tu comprar e não pagar. - fez graça e eu rir, tava nem acreditando que estávamos brincando um com o outro, depois de tudo que rolou. Ficamos em silêncio, enquanto ele dirigia, eu vi de longe a contenção e até fiquei um pouco mais calma. Segundo ele não vamos direto para o lugar que ele quer passar um tempo, vamos parar um pouco em um hotel na pista entre Paraíba e Pernambuco. Não estava muito longe, saímos da favela com o sol raiando, e já ia dar sete, a minha neném já estava resmungando e meu peito já estava vazando, sinal que ela estava com fome. Mas eu não queria amamentar ela dentro desse carro, independente de estar tudo bem, entre eu e o VT, ainda sinto uma tensão no ar, não sei explicar. Saio dos meus pensamentos com os resmungos ficando mais alto e em seguida o chorinho fino. __ não chora amor, mamãe tá aqui, calminha. - murmurei tirando cinto de mim e o Vt riu do escândalo dela. Tirei ela da cadeirinha, cheirei o pescocinho sentindo o cheirinho de bebê gostoso que ela tem e encostei o rosto com o dela pra ela se acalmar, desde que nasceu, sempre acalmou assim. __ você quer um tête filha? - brinquei com ela e peguei a fralda de pano na bolsa, olhei de relance vendo o VT concentrado na pista, baixei a alça da blusa e joguei a fralda por cima do peito, ajeitei minha bebê que só resmungava agora e coloquei o peito na boca dela, sentindo a dorzinha chata. Meu peito ainda estava bastante ferido e não tinha o que fazer, segundo minha médica, somente deixar ela mamar até sarar, é f**a. Eu amo minha filha, amo o vínculo que temos através da amamentação, mas é f**a pra c*****o segurar tudo isso sozinha, falo do emocional, da dor que eu sinto por dentro, posso estar rodeada de pessoas, mas mesmo assim me sinto sozinha e isolada. A maternidade é uma coisa de outro mundo, ao mesmo tempo que você se sente uma heroína, você se sente uma bosta, pequena, sem força alguma. Eu sinto que por minha filha eu daria a vida, eu entraria em um tiroteio pra salvar ela, mas eu sinto um medo absurdo, tudo me dar medo, imaginar minha vida sem ela ou perder ela por conta de todas as besteiras que o genitor dela nos envolveu é o meu maior medo. Engulo em seco sentindo meus olhos marejar, tento disfarçar mas sinto o Everton me olhar de lado, mas também não falou nada. __ já encheu meu amor? - falei quando vi que a Lelê tinha soltado do peito. - é só manhã né, quer ficar no colinho da mamãe, né amor? - brinquei cheirando ela, me organizei de novo, ajeitando a blusa e fiquei ali tentando fazer ela arrotar. __ vou parar nesse hotel mermo loira, precisamos tomar café e a ratinha precisa de um banho, tô sentindo o fedor daqui.- mandei o dedo do meio pra ele por conta da graça e ele riu dando um tapinha na minha mão. - depois do almoço nós guia, mas sem caô, precisamos descansar um pouco. - assenti concordando e ele dirigiu um pouco e parou bem em frente ao hotel. Hotel de luxo, os quartos daqui deveriam ser uma casa, lindo demais. O Everton fecha as janelas do carro e desce pegando as bolsas, seguro minha neném forte no colo e desço também, vejo ele entregar a chave a um dos caras que estavam fazendo a escolta dele e finalmente me olhando como se perguntasse se podíamos ir, assenti e finalmente entramos no hotel. Até sair do carro, não sabia que precisava tanto sair, comer e ir ao banheiro, acho que o peso dos pensamentos não me deixou perceber.
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