7 de maio de 2015, Morro do Batan, Realengo — É ótimo que a senhora ainda esteja bem — sorri largo quando finalmente ficamos sozinhas. — Nem consigo explicar quanto fico feliz com isso. — Sou muito grata por tanto viver! — Ela sorriu timidamente. — É uma pena que as coisas não deem sinal de boas mudanças, sabe!? — Ela me olhou. Dona Ana era a grande mãe do Batan. Todo mundo em Realengo conheceu ou, ao menos, já ouviu falar da velha senhora caridosa que ajudava todos! Quando falo todos, é bem literal. Tive pouco contato com ela na infância, há tanto tempo que já nem me lembrava tão bem. Depois, a ida à Zona Norte do Rio; depois, a ida a São Paulo... Muito tempo passou; vivi muita coisa; mas ela resistiu. Já não tinha aparência tão jovial quanto eu lembrava — claro —, mas ainda parecia

